sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eu te quero

"I can't say anymore than 'I love you'
Everything else is a waste of breath..."
(Elvis Costello)

 
Eu sinto a sua falta. Eu te quero bem aqui. Perto dos meus lábios, das minhas mãos, no meu abraço.
Quero ficar ouvindo a sua voz, quero os meus dedos dançando com os seus, quero olhar bem dentro dos seus olhos e depois sorrir em agradecimento pelo simples fato de você existir. A minha vida passou a ser incrivelmente maravilhosa depois que você passou a  fazer parte dela. Você já faz parte de mim. Cá estou, faltando um pedaço. Eu preciso de você pra existir.
Amar deve ser algo como estar na presença da pessoa amada e, ainda assim, sentir sua falta. Amar deve ser algo tão etéreo que faz você sentir a outra pessoa mesmo na distância. Amar deve ser uma espécie de tempestade que persiste na solidão, mas cessa imediatamente quando a outra pessoa está.

"O amor tirou de mim tudo o que era falta". Eu te quero e a única falta que ainda me aflige é você.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tenderness


Forgive me for the words that escape from my mouth
They don't even mean one shred of what I feel
Words explain things from a distant perspective
These feelings I keep inside of me
Let me tell you something:
They're for real.

It doesn't matter if we're far away
Not even if I can't spend so much time beside you
My thoughts and needs are right there, where you are
I guess you feel the same way too

So close your eyes and sing to me
Your voice is my sweetest lullaby
I love your stories, your secrets, your life
You amaze me, you make me smile.


With you, love, I feel alive.
(I know you know you're mine)


"I didn't know I was looking for love until I found you..."

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Não que me falte inspiração ou retalhos da vida pra analisar, poetizar, sentir...Sinto falta, muita coisa falta, mas muito me preenche. Então, na ausência de palavras próprias pra dissertar sobre a vida, faço desse pensamento o meu:


"É, Lopes, brigas, guerras, paz, declarações de amor, amores a dois, a três, tudo pode quando há paixão. Quem tá falando de homem, Lopes? Eu tô falando do amor entre amigos, desses que nem bambu, que enverga mas não quebra. Amor em pedaços? Até parece, se eu nunca me contentei com pouco, imagina com um pedacinho..." (Divã, 17/05/10)

sábado, 14 de maio de 2011

Entre-olhares


I've just stared 
I spend most of my time lost in your eyes
Then you told me, kinda scared, kinda surprised
"It's about the way you look at me
The way your eyes seem so close to mine
I can't explain any better than this
Your look, it disarms
And I do feel fine."



Me olhas com tal profundidade como se quisesses me gravar na memória, como se não quisesses me perder de vista, relembras os detalhes, sabes a dimensão da minha retina. Não, não foges o olhar. Encaras, em encarando, desarmas.
Me tocas como se quisesses me decorar; tateias, arranhas, me marcas como se quisesses estampar que sou tua. Tua. Dizes que me queres, do jeito que for, como for. Sabes exatamente a palavra certa para encantar. Retens meus pensamentos sem prévia anuência. Adivinhas, indagas, questionas e me tens na palma da tua mão. Estou presa em teus dedos, emaranhada nas tuas carências. É impossível resistir, impossível dizer não.
E de tão íntimo que estás, já pareces conhecer meus mais profundos segredos. E me fitas, me enleias, me prendes no teu abraço, não vais me soltar.
(Imploro, baixinho, entre murmúrios e suspiros: por favor, não deixes isto acabar). 


So please, please, please, let me, let me, let me, let me get what I want this time.

Ela disse adeus

"Lágrimas por ninguém/só porque é triste o fim/ Outro amor se acabou"
(Herbert Vianna)

Adeus. Ponto final. Que se acabem os abraços partidos, as falsas ilusões, as construções míticas sobre inconsistências. Os sinais se evidenciam conforme o tempo passa, sim, o tempo passa. Que eu não me lamente por ter perdido o meu tempo nadando contra a corrente. Que eu me extasie por ter chegado no porto, por não ter naufragado. Sim, o barco às vezes está furado e não há mais sentido em remar.

Adeus. Um sinal. Porque o fim não é nada além de um outro começo. Amar é arriscar. Falhar. E, novamente, tentar.


(Amar é você estar se afogando e, ainda assim, insistir em nadar).



"Ela disse adeus.
(Now the deed is done)
(As you blink she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)."

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Silêncios

" O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."
(Guimarães Rosa)

Silencio porque a voz que está aqui dentro de mim precisa de descanso. Um repouso constante se faz necessário. Assim, me perco nos outros sentidos, deixo o egoísmo da fala de lado, sorrio. Ouço e mentalmente analiso as palavras que ecoam por aí, ora com motivos, ora sem sentido algum. Nesses momentos únicos de silêncio, eu sinto. E sentir hoje em dia é tão mais raro, tão mais difícil. Um estado geral de acomodação se instaurou por aí. E falam, falam, falam, falam...quando muito pouco precisa ser dito. E sou daquelas pessoas que acreditam com veemência que um simples olhar pode ser muito mais eloquente. Há coisa mais incrível do que dizer tudo o que se deseja sem que se perceba qualquer som sendo emitido?
O silêncio não pode ser assustador. O silêncio representa tudo o que nós somos. O silêncio sai e chega em lugares inalcançáveis por meras palavras. O silêncio é o máximo da realidade. É, talvez, a melhor maneira de mostrar a (nossa) verdade.
E o silêncio aproxima porque faz efervescer sentimentos. Pensamentos se transformam em sensações e palavra nenhuma precisa ser dispensada. Pra que se expressar verbalmente sobre algo que pode ser sentido? Palavras são importantes, elas tem sua hora adequada. O silêncio é surpreendente, surge inesperado. Como flores deixadas no escuro, sem bilhete, numa fria madrugada. Nada escrito, nada foi dito. Os sentimentos, entretanto, ficaram muito claros. O silêncio é eloquente, repito.


Silencio. Em dissertando sobre o silêncio me contradigo...Eis que não paro de escrever sobre algo que eu deveria estar sentindo...Então, paro. 



E, como brinde ao silêncio, me calo.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Divã

Eu nem sei porque vim aqui. Mentira, eu sei. Mas tenho medo de falar em voz alta, tenho medo de expôr tudo isso que está secretamente guardado aqui dentro. Isso mata? Não sei, sei apenas que eu senti necessidade de vir aqui, despejar tudo o que eu ignoro, escondo, tudo o que me dá medo, tudo o que me assusta, tudo o que eu sou.
Bom, pra começo de conversa eu não sei se me sinto à vontade contando minhas coisas para um estranho. Pensando bem, acho que tenho dificuldades de me abrir com qualquer pessoa. É, talvez esse seja um dos motivos de eu estar aqui.
Por que eu fico tão calada? Costume, acho. Sempre passei mais tempo ouvindo do que falando...É um exercício de tolerância também, aprendi muito nos meus silêncios. Já me disseram que sou uma boa ouvinte, mas acho que esse não é o lugar mais adequado pra isso, né? Essa função é sua, pelo menos por enquanto...
A principal motivação que me trouxe aqui é banal. Pode rir, se quiser. Eu rio toda vez que falo isso. Não tenho conseguido chorar ultimamente. Contraditório, eu sei. Ok, muitos considerariam isso uma benção, mas não choro porque me faltam motivos, pelo contrário. Passei por muita coisa ultimamente e coisas bem duras, bem difíceis de lidar. Pra variar, fim de relacionamento. Se fosse apenas isso, talvez eu seguisse mais tranquila, mas duas semanas depois meu melhor amigo morreu. O mundo me pareceu sem sentido, nenhuma crença, fé, nenhum consolo, nada fez com que eu me acostumasse com essas perdas. Uma irremediável, outra, irreversível. Sinto um vazio grande, sinto uma dor imensa, impossível de descrever com palavras. Arrancaram um pedaço de mim e ainda não tive tempo de analisar tudo, de tentar entender, de me curar. A única coisa que persistia na minha cabeça era: eu não fiz tudo o que eu pude. Ainda persiste. Porque acabou, de um modo ou de outro, não há soluções. Guimarães Rosa disse e eu confirmo: " O trágico não vem a conta-gotas".

Eu preciso chorar. Preciso desabar mesmo, ficar sem ar, soluçar, ficar com os olhos inchados, dormir e acordar no dia seguinte disposta a continuar. Eu sei que tenho que seguir, mas ainda estou presa. Muita saudade,  de um jeito tão dolorido, tão desgastante, tão triste.

Meu relacionamento acabou por escolha.Na realidade, não há escolhas quando você está sem saída. Percebi que não havia sentido em me cercear em prol de outra pessoa que não estava se empenhando em fazer dar certo. Brigas, brigas, brigas, promessas, quebra de todas elas, desculpas e uma desculpa final. Não sei pra quem é pior no fim das contas...Mas o amor não acaba de um dia pro outro e algumas vezes você se pega pensando se fez a coisa certa. Se era aquilo mesmo que você queria. Eu pensei muito sobre isso. E decidi não pensar mais. Até que o Henrique morreu. Voltei a pensar em tudo novamente. Constatei que a vida é mesmo passageira e quando você menos espera, perde as pessoas que você mais ama. E eu perdi duas num curto espaço de tempo.

Parei para pensar na minha vida também. Em tudo que eu queria fazer e não fiz, no tempo que eu perdi. Quem sou eu? Já não sei mais. Eles se foram e levaram a minha identidade.

Sobre o amor? Eu tive alguns relacionamentos, a maioria deles duradoura. Sempre tentei ser coerente, fiel, acima de tudo, a mim mesma. Então, se eu não estou satisfeita, o mais sensato é seguir só. Só que a solidão apavora. Na solidão, a gente enfrenta os nossos fantasmas, enfrenta as decepções, enfrenta tudo aquilo para o qual fechamos os olhos. Tem coisas que a gente simplesmente não quer ver.
Confesso ter ficado um pouco amarga com o passar do tempo.. Cada relação que acabava, arrebatava consigo um pedaço do meu coração. Amei muitas vezes e perdi. Faça as contas do que sobrou. Porque essa amargura é um sinal de que eu sofri, mas tentei. Não foi por ter amado de menos. Foi porque eu amei demais.

É só saudade o que eu sinto do Henrique. Ele é eterno. Adorava se exibir, era absolutamente espontâneo, criativo, lindo. Ele era exatamente o meu oposto. Confesso que sentia um pouco de inveja dele, porque ele era tudo o que eu queria ser. Eu fechada, reservada, até fria. Ele era a vida em seu ápice, em sua forma mais bonita. Ele ter simplesmente ido assim, sem se despedir, não entra na minha cabeça. Sinto calafrios por dentro, sinto vontade de sair correndo pra onde ele está. Eu só queria olhar de novo naqueles olhos cinzas. Eu só queria dizer adeus.

Por que eles saíram assim da minha vida? Um por escolha, outro por destino. E ambos me doem, talvez não da mesma forma, não me importa nada disso, só sinto essa dor latejando no meu peito. Se essa dor fosse vertida em lágrimas, quem sabe eu pudesse me acostumar. Mas dá pra se acostumar com essas perdas?
Meu coração sinaliza toda hora que existe algo ausente. Que não restou nada, além da falta.

Estou pensando nele. Nele que até tão pouco tempo atrás era parte de mim. Não me imaginava passar os dias sem uma conversa, um beijo, a presença. "Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera." Um dos sermões do Pe. Antonio Vieira, já ouviu falar? De todas as razões para o fim esperado, o tempo foi o mais cruel. Você planeja de todo o coração passar a eternidade com alguém. Faz juras de amor, faz uso recorrente das expressões "nunca" e "sempre". Tudo no amor é extremo. Nunca se quer deixar o outro porque pra sempre prevalecerá o amor. E o tempo, traquina, bagunça tudo. E nos faz constatar que, na maioria das vezes,  nunca é pra sempre. Cá estou amargurada novamente, não é? Mas posso te contar um segredo? Dessa vez , dessa única vez, eu acreditei que fosse.


Acho que estou chorando, afinal. Porque os sentimentos que estão aqui dentro são fortes demais, hora ou outra romperiam esse olhar que busca algum sentido agora, agora em que não há. Eu queria que fosse verdade, que eu aproveitasse o máximo que eu pudesse da companhia deles, porque sabemos muitas coisas, mas não sabemos nada quanto ao fim. O fim esperado, o fim imprevisível. Os fins que sabe-se lá porque acabaram se encontrando na minha vida, tão repentinamente. E não há sequer preparo pra esse tipo de coisa. 

Talvez você tenha razão. Fazer com que haja alguma lógica nisso tudo cabe a mim. Porque os fins, de repente, podem significar um começo. Um aprendizado, uma lembrança de que algo valeu a pena. Perder-se também é caminho, não é o que dizem? Que eu sinta saudade, que as lágrimas caiam e que eu tenha força para enxugá-las. Que eu perca, que eu me perca. E que eu saiba me encontrar.