Mostrando postagens com marcador the end. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador the end. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de maio de 2011

Ela disse adeus

"Lágrimas por ninguém/só porque é triste o fim/ Outro amor se acabou"
(Herbert Vianna)

Adeus. Ponto final. Que se acabem os abraços partidos, as falsas ilusões, as construções míticas sobre inconsistências. Os sinais se evidenciam conforme o tempo passa, sim, o tempo passa. Que eu não me lamente por ter perdido o meu tempo nadando contra a corrente. Que eu me extasie por ter chegado no porto, por não ter naufragado. Sim, o barco às vezes está furado e não há mais sentido em remar.

Adeus. Um sinal. Porque o fim não é nada além de um outro começo. Amar é arriscar. Falhar. E, novamente, tentar.


(Amar é você estar se afogando e, ainda assim, insistir em nadar).



"Ela disse adeus.
(Now the deed is done)
(As you blink she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)."

domingo, 10 de abril de 2011

Chegadas e Partidas

I- A Chegada

"Por favor, não vá ainda
Espera anoitecer
A noite é linda
Me espera adormecer
Não vá ainda
Não, não vá ainda..."
(Zélia Duncan)

Eu só quero o seu abraço. Prometo que não peço mais nada além disso. Não coloca os sapatos, por favor, não fecha a porta me deixando trancada aqui dentro. Do quarto, no escuro, presa dentro de mim. Não quero ficar só. Não quero ficar sem calor, sem abraço, sem você por perto. Talvez seja pedir demais, mas fica aqui comigo, sem intenções, sem conversas, sem assunto. Talvez a gente tenha muito pouco pra falar agora, mas dispenso as palavras. Nem me importo se você pegar no sono primeiro, nem se você dormir com a roupa que chegou. Não me importa nada a não ser que você fique. Fecha os olhos, finge que eu não estou aqui. Finge que é um sonho. Que seja um sonho. Que a gente faça do real algo onírico. Que seja o mais distante  possível. Podemos fazer isso nos sonhos não é? Então me abraça e sonha comigo. 


II- A Partida

" Amar é ter um pássaro pousado no dedo
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar"
(Rubem Alves)

Que eu me doo por inteiro toda vez que lembro da sua partida. Foi a última vez que eu te vi. Não foi uma decisão minha, mas eu tinha que ser menos covarde e, bem lá no fundo, eu sabia que você iria. Sabia não. Eu sentia. A gente sente quando as coisas não vão bem. Sei lá porque a gente resiste, achando que é herói, que vai conseguir salvar o que resta no final. Mas no nosso final você foi embora. E eu entendo, de verdade, eu entendo. Sem ultimatos, sem sacrifício, sem arrependimentos. Mas essa imagem é muito recorrente. Refaço aquela cena  mil vezes. É meu jeito de me conformar, por isso imagino como seria se. Se eu tivesse corrido atrás do trem, se eu tivesse te puxado pelo braço, se eu tivesse olhado pra trás. A gente sempre espera essas ações cinematográficas, quem sabe uma possível reconciliação, Casablanca. Você abandona as malas e a passagem pra decidir passar a vida comigo. Eu sei o peso da realidade.

Eu nem olhei pra trás...Será que você olhou? Será que você pensou em mim pelo menos por um segundo? Será que relembrou dos nossos momentos? Será que você chorou?

Nunca vou saber, isso eu sei.

Só sei que a falta que você me faz é constante. Como uma cicatriz, a gente estranha no começo, mas depois se acostuma. Estou acostumado a sentir falta. Porque há um vazio aqui que jamais será preenchido. E eu sei o quanto dura esse jamais. Tento seguir a minha vida, fazendo as coisas que eu mais gosto, mas tudo, tudo mesmo me leva a você. Tenho ficado bem na maioria das vezes. Mas  dia desses recebi uma conta sua aqui em casa e desabei. Você não está mais aqui.

Eu só queria que você soubesse.
Sinto falta de tudo o que você pode imaginar. Sinto falta da sua voz no telefone, do seu cheiro, dos seus olhos. Sinto falta de  como os domingos eram infinitamente belos se você estava. Sinto falta de você dançando na cozinha. Sinto falta dos jornais que você tirava da ordem.  E li no jornal um trecho de Trevisan: "Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham". Ironia ou não, sinto falta das suas violetas.

Sinto falta de você. Sinto falta do pedaço de mim que você levou embora. Sinto falta dos nossos laços. Sinto falta de nós.

 

" E o meu coração embora/ Finja fazer mil viagens/ Fica batendo, parado, naquela estação..."
(Adriana Calcanhotto)




segunda-feira, 7 de junho de 2010

Acabou...até que acabe.


Acabou.

Simplesmente acaba e você sabe quando acaba. Às vezes é muito difícil explicar, enumerar razões, inventar motivos.

Quando você se dá conta, acaba concordando com Cazuza, " o nosso amor a gente inventa pra se distrair/ e quando acaba gente pensa que ele nunca existiu..."

Parece que os momentos vividos ficaram perdidos no passado, não há saudade, não há raiva, não há nada. Porque acabou. Dar-se conta disso é um processo posterior ao ódio, à mágoa, a possíveis reconciliações, ao ouvir músicas depressivas, ao querer morrer, ao querer matar. Dar-se conta disso está intrínseco àquela sensação de liberdade que você sente ao pôr os pés na areia de uma praia deserta, pela manhã. Dá vontade de gritar. Dá vontade de pular. Até de chorar, mas um choro bom, porque você está livre, porque você pode.

Por mais que palavras tenham expressado reais intenções e sentimentos no fatídico momento em que "não dá mais certo", o estado de "acabado" surge quando você menos espera. Por mais óbvio que pareça, isso ainda te surpreende. Você escuta aquela música, lê aquela carta ou vê aquela foto e não sente nada. Isso mesmo: NADA. Saber que acabou é assustador. SENTIR que acabou é entorpecente.


É, então...acabou.

Lá dentro de mim.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre o tempo (e sua passagem)


Esse tempo foi dado com algum propósito que sequer me lembro. Talvez muito tempo tenha se passado desde a última vez em que nos perguntamos para onde estávamos indo. Sequer chegamos a algum lugar. Na verdade, nem sei onde estamos agora. Sei que o tempo não parou para que consertássemos o que havia de errado.
O tempo passa e as coisas mudam, nem sempre mudam para o que ansiamos. Queremos sempre mais. Mais amor, mais confiança, mais honestidade. Já é tarde, e, no fim do dia, restam apenas dois corações separados, distantes, descrentes, sentindo falta.
Falta tudo e o que menos importa é tempo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E no fim.


E embora não haja coerência em ações, palavras e nãos, ainda penso em vários ses.
Não era suficiente. Digo agora: me basto.
O que importa de verdade, não é mesmo?

Uma vez ouvi de sua boca que o medo de não fazer falta é latente.
Faça falta para alguém. Um outro alguém. Ninguém. Que me lembre ou que seja como eu. Pois não há e não é.

Viva a sua vida, não me telefone e esqueça que me magoou. Vou tratar de esquecê-lo também. Para o meu bem.