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domingo, 19 de agosto de 2012

Sobre o que eu não sei dizer


Poderia começar abusando dos clichês: é mais uma daquelas fases, é temporário, vai passar, porque sempre passa. Digo apenas que é preciso. 
Há tempos tenho sentido um descompasso por dentro. Sentimentos contraditórios, pensamentos desconexos e uma sensação de vazio até então inédita. Passei a me acostumar com o fato de talvez estar perdida. Ou ser, não sei. Peço desculpa se pareço dispersa. Essa é a minha vida. 
As palavras fugiam de mim. Quando o encontro, aleatório, acontecia, era porque eu estava de alguma  forma alterada: álcool e cigarro, duas vãs companhias. Eu preciso da distância e da solidão. Preciso desse afastamento do mundo para poder me reencontrar. Perdi minha identidade enquanto tentava modificar a minha vida, e em tentando dar algum passo descobri que o caminho talvez não fosse aquele que eu queria. Pensar por si mesmo demanda coragem, força e auto estima, odeio admitir que passei a enxergar em mim a covardia alheia. Passei a fugir o olhar ao me encarar no espelho. "Quem estou tentando enganar?, era o pensamento que sempre me ocorria. Porque nada estava bem. Porque ir embora era tão mais doloroso que ficar, por isso eu resistia. E de tudo o que aconteceu, um sentimento persistente de inadequação restou, juntamente com as palavras. Muitas delas não - ditas, sufocadas, entrelinhas. Tudo o que eu sentia, mas não sabia dizer. Covardia.

O que eu quero dizer aos poucos está sendo dito. Uma crise desequilibra, traz incertezas, põe nossos pés no chão. Uma crise também nos impulsiona a mudar. Que seja assim, então. 

Dia após dia.


"Make a time to find your way"

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Silêncios

" O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."
(Guimarães Rosa)

Silencio porque a voz que está aqui dentro de mim precisa de descanso. Um repouso constante se faz necessário. Assim, me perco nos outros sentidos, deixo o egoísmo da fala de lado, sorrio. Ouço e mentalmente analiso as palavras que ecoam por aí, ora com motivos, ora sem sentido algum. Nesses momentos únicos de silêncio, eu sinto. E sentir hoje em dia é tão mais raro, tão mais difícil. Um estado geral de acomodação se instaurou por aí. E falam, falam, falam, falam...quando muito pouco precisa ser dito. E sou daquelas pessoas que acreditam com veemência que um simples olhar pode ser muito mais eloquente. Há coisa mais incrível do que dizer tudo o que se deseja sem que se perceba qualquer som sendo emitido?
O silêncio não pode ser assustador. O silêncio representa tudo o que nós somos. O silêncio sai e chega em lugares inalcançáveis por meras palavras. O silêncio é o máximo da realidade. É, talvez, a melhor maneira de mostrar a (nossa) verdade.
E o silêncio aproxima porque faz efervescer sentimentos. Pensamentos se transformam em sensações e palavra nenhuma precisa ser dispensada. Pra que se expressar verbalmente sobre algo que pode ser sentido? Palavras são importantes, elas tem sua hora adequada. O silêncio é surpreendente, surge inesperado. Como flores deixadas no escuro, sem bilhete, numa fria madrugada. Nada escrito, nada foi dito. Os sentimentos, entretanto, ficaram muito claros. O silêncio é eloquente, repito.


Silencio. Em dissertando sobre o silêncio me contradigo...Eis que não paro de escrever sobre algo que eu deveria estar sentindo...Então, paro. 



E, como brinde ao silêncio, me calo.