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segunda-feira, 13 de agosto de 2012





A vida é muito frágil. Efêmera. A falsa impressão de que temos tempo de sobra nos ilude diariamente, fazendo com que adiemos projetos, vontades, ideias, sentimentos. É muito triste que esse pensamento apenas nos ocorra quando da perda repentina de pessoas próximas, queridas e jovens, nos enchendo de incertezas quanto ao futuro.
A verdade é que o amanhã não existe. O que importa é o presente. O agora é tudo.

Que a ausência de quem estimamos nos dê a real dimensão de quem somos e do que podemos fazer para alcançar a felicidade. 

"Engraçado as pessoas usarem o termo vida como oposto de morte. O oposto da morte é o nascimento. A vida não tem oposto."

(Em memória de Thabata Saliba e Iwna Mello, que se foram cedo demais. À Jordana Sahib, inspiração de vida e alegria, que há 4 anos deixou um vazio que nada nem ninguém preenche. À vida de cada uma delas que ainda resiste dentro de nós.)

Em 11/08/12

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

What Ever Happened

"Oh that's an ending that I can't write, 'cause
I've got you to let me down."
(Julian Casablancas)


Não sei quantos cigarros terei que acender para apagar meus pensamentos. Porque a fumaça preenche o ambiente e eu fico lembrando de algo que li " ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias..." Corta. Não, nem tenho mais amigos para importunar com meus dramas e lamentos sobre tudo o que é incerto. De algum modo eles perceberam antes de mim que estou me tornando a pessoa mais perdida do universo. E não há nada pior do que lidar com algo/alguém que se perdeu. Engraçado, porque eu achava que isso era absolutamente certo. Calma, deixa eu dar uma olhada em que lua estamos. Primeiro quarto crescente. É, então o problema não é lunar. O problema é amar. Ou amar de verdade pela primeira vez na vida e não saber direito como lidar. Porque, sem querer, você começa a esperar muitas coisas, a exigir tantas outras, quando simplesmente bastaria viver, sem cobranças, sem necessidades. E li isso: " seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."

E se as pessoas têm emoções e conseguem ser equilibradas, acho que exageraram na porção que me era de direito. Ah, eu clamo ser tão, uh, racional, pé no chão,o que não é completamente ilusão,  já que consigo ser pouco sensível e até fria quando eu quero ou quando a situação exige de mim tal comportamento. Colocou amor na história, ferrou tudo. Sabe aquele dramalhão mexicano, aquela coisa de maquiagem carregada, todas as cenas exageradas, muito choro, muito álcool, muito cigarro, muito, muito, muito...muito. Eu sinto demais. E as pequenas ausências, pequenas rejeições, como cantou Alanis,são reais demais pra mim. Somewhere along the way I think I gave you the power to make me feel the way I thought only my father could.

Aí a crítica virginiana se manifesta, porque né, eu começo a achar que a culpa (?) de tudo é minha. Porque eu sou paranoica, sou muito fechada, expresso tudo em palavras, estou irada e atendo o telefone dizendo que está tudo bem, que estou com saudades e estou ouvindo The Strokes, What Ever Happened?

O que aconteceu? O que está acontecendo? Pouco antes de você ligar eu estava dissipando a fumaça do cigarro com uma mão, a outra enxugando uma lágrima e cantando a plenos pulmões you don't miss me, I know, com uma tristeza digna de paráfrase daquela antológica cena  I think she's the saddest girl to ever hold a cigarette, em vez de um martini.


Drama queen life style. Um violino e uma faca de serra, por favor. E se você me perguntar se eu quero deixar isso tudo de lado, esquecer, vou dizer, com o risco de receber recomendações terapêuticas e, principalmente, psiquiátricas, que não, não quero. Eu amo o amor


O amor me deixa idiota. Eu, sendo idiota, divirto os outros. Um lado bom isso tinha que ter, afinal.


(Que eu não esteja enlouquecendo e que seja apenas um problema hormonal, amém).


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Metade


Já nem consigo mais distinguir onde eu termino e você começa. Porque a minha mão na sua é uma coisa só. Quando estou com você, esqueço a minha identidade; nome, signo, história e lembranças perdem o sentido de tal forma que eu realmente sinto como se tivesse nascido no segundo em que te encontrei. E, de quebra, passei a conhecer aquilo que chamam felicidade.Eu não sou eu sem você. Acabo me perdendo nos meus passos, tropeço, titubeio, fico sem rumo. Você é o meu norte. É, sem sombra de dúvidas, a coisa mais certa que eu poderia fazer. Com você, eu tenho muito mais do que apenas sorte.

Porque o seu abraço não é só um abraço, é abrigo.
Porque o seu beijo não é apenas um beijo, é alívio.
O seu sorriso e seu olhar, meu bem, valem arte.
Sem você por perto não sobra nada além de um enorme vazio.


(A verdade é que você é a minha melhor parte).


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Simplicidade em gostar

Tem algo a ver com o seu cheiro que insiste em ficar grudado no meu olfato. É assim:  lavo pratos, passo shampoo no cabelo, tiro o pó dos móveis, olho pro relógio e seus ponteiros.  Coisas desconexas, coisas desprovidas de sentido, qualquer coisa. Todas as coisas. Tudo me lembra você de um modo quase doentio, como se eu precisasse com uma urgência louca da sua presença. O seu cheiro. Que me pega de surpresa quando eu faço o meu chá ou leio meu livro. Seu cheiro invade a minha casa e me deixa com o coração taquicárdico, dá vontade de te encontrar e de falar todas aquelas coisas que a gente só fala quando ensaia um diálogo, sozinho no banheiro, trancado no quarto ou olhando pro espelho. A saudade é um combustível e tanto para a minha inspiração. A falta que você me faz me obriga a preencher os vazios, a  criar mecanismos para desvencilhar  da solidão. Eu ensaio as frases mais perfeitas para te falar e quando estou ali, cara a cara, eu simplesmente perco a capacidade de me expressar porque, juro, me basta simplesmente te olhar.O mundo para quando você sorri. É como se a minha felicidade tivesse a medida do seu sorriso. Felicidade...é o que eu sinto quer você perto, quer longe. Você é tudo o que eu preciso.

"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto." (Caio Fernando Abreu)

Eu gosto de você.

Eu te quero

"I can't say anymore than 'I love you'
Everything else is a waste of breath..."
(Elvis Costello)

 
Eu sinto a sua falta. Eu te quero bem aqui. Perto dos meus lábios, das minhas mãos, no meu abraço.
Quero ficar ouvindo a sua voz, quero os meus dedos dançando com os seus, quero olhar bem dentro dos seus olhos e depois sorrir em agradecimento pelo simples fato de você existir. A minha vida passou a ser incrivelmente maravilhosa depois que você passou a  fazer parte dela. Você já faz parte de mim. Cá estou, faltando um pedaço. Eu preciso de você pra existir.
Amar deve ser algo como estar na presença da pessoa amada e, ainda assim, sentir sua falta. Amar deve ser algo tão etéreo que faz você sentir a outra pessoa mesmo na distância. Amar deve ser uma espécie de tempestade que persiste na solidão, mas cessa imediatamente quando a outra pessoa está.

"O amor tirou de mim tudo o que era falta". Eu te quero e a única falta que ainda me aflige é você.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tenderness


Forgive me for the words that escape from my mouth
They don't even mean one shred of what I feel
Words explain things from a distant perspective
These feelings I keep inside of me
Let me tell you something:
They're for real.

It doesn't matter if we're far away
Not even if I can't spend so much time beside you
My thoughts and needs are right there, where you are
I guess you feel the same way too

So close your eyes and sing to me
Your voice is my sweetest lullaby
I love your stories, your secrets, your life
You amaze me, you make me smile.


With you, love, I feel alive.
(I know you know you're mine)


"I didn't know I was looking for love until I found you..."

sábado, 14 de maio de 2011

Entre-olhares


I've just stared 
I spend most of my time lost in your eyes
Then you told me, kinda scared, kinda surprised
"It's about the way you look at me
The way your eyes seem so close to mine
I can't explain any better than this
Your look, it disarms
And I do feel fine."



Me olhas com tal profundidade como se quisesses me gravar na memória, como se não quisesses me perder de vista, relembras os detalhes, sabes a dimensão da minha retina. Não, não foges o olhar. Encaras, em encarando, desarmas.
Me tocas como se quisesses me decorar; tateias, arranhas, me marcas como se quisesses estampar que sou tua. Tua. Dizes que me queres, do jeito que for, como for. Sabes exatamente a palavra certa para encantar. Retens meus pensamentos sem prévia anuência. Adivinhas, indagas, questionas e me tens na palma da tua mão. Estou presa em teus dedos, emaranhada nas tuas carências. É impossível resistir, impossível dizer não.
E de tão íntimo que estás, já pareces conhecer meus mais profundos segredos. E me fitas, me enleias, me prendes no teu abraço, não vais me soltar.
(Imploro, baixinho, entre murmúrios e suspiros: por favor, não deixes isto acabar). 


So please, please, please, let me, let me, let me, let me get what I want this time.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Divã

Eu nem sei porque vim aqui. Mentira, eu sei. Mas tenho medo de falar em voz alta, tenho medo de expôr tudo isso que está secretamente guardado aqui dentro. Isso mata? Não sei, sei apenas que eu senti necessidade de vir aqui, despejar tudo o que eu ignoro, escondo, tudo o que me dá medo, tudo o que me assusta, tudo o que eu sou.
Bom, pra começo de conversa eu não sei se me sinto à vontade contando minhas coisas para um estranho. Pensando bem, acho que tenho dificuldades de me abrir com qualquer pessoa. É, talvez esse seja um dos motivos de eu estar aqui.
Por que eu fico tão calada? Costume, acho. Sempre passei mais tempo ouvindo do que falando...É um exercício de tolerância também, aprendi muito nos meus silêncios. Já me disseram que sou uma boa ouvinte, mas acho que esse não é o lugar mais adequado pra isso, né? Essa função é sua, pelo menos por enquanto...
A principal motivação que me trouxe aqui é banal. Pode rir, se quiser. Eu rio toda vez que falo isso. Não tenho conseguido chorar ultimamente. Contraditório, eu sei. Ok, muitos considerariam isso uma benção, mas não choro porque me faltam motivos, pelo contrário. Passei por muita coisa ultimamente e coisas bem duras, bem difíceis de lidar. Pra variar, fim de relacionamento. Se fosse apenas isso, talvez eu seguisse mais tranquila, mas duas semanas depois meu melhor amigo morreu. O mundo me pareceu sem sentido, nenhuma crença, fé, nenhum consolo, nada fez com que eu me acostumasse com essas perdas. Uma irremediável, outra, irreversível. Sinto um vazio grande, sinto uma dor imensa, impossível de descrever com palavras. Arrancaram um pedaço de mim e ainda não tive tempo de analisar tudo, de tentar entender, de me curar. A única coisa que persistia na minha cabeça era: eu não fiz tudo o que eu pude. Ainda persiste. Porque acabou, de um modo ou de outro, não há soluções. Guimarães Rosa disse e eu confirmo: " O trágico não vem a conta-gotas".

Eu preciso chorar. Preciso desabar mesmo, ficar sem ar, soluçar, ficar com os olhos inchados, dormir e acordar no dia seguinte disposta a continuar. Eu sei que tenho que seguir, mas ainda estou presa. Muita saudade,  de um jeito tão dolorido, tão desgastante, tão triste.

Meu relacionamento acabou por escolha.Na realidade, não há escolhas quando você está sem saída. Percebi que não havia sentido em me cercear em prol de outra pessoa que não estava se empenhando em fazer dar certo. Brigas, brigas, brigas, promessas, quebra de todas elas, desculpas e uma desculpa final. Não sei pra quem é pior no fim das contas...Mas o amor não acaba de um dia pro outro e algumas vezes você se pega pensando se fez a coisa certa. Se era aquilo mesmo que você queria. Eu pensei muito sobre isso. E decidi não pensar mais. Até que o Henrique morreu. Voltei a pensar em tudo novamente. Constatei que a vida é mesmo passageira e quando você menos espera, perde as pessoas que você mais ama. E eu perdi duas num curto espaço de tempo.

Parei para pensar na minha vida também. Em tudo que eu queria fazer e não fiz, no tempo que eu perdi. Quem sou eu? Já não sei mais. Eles se foram e levaram a minha identidade.

Sobre o amor? Eu tive alguns relacionamentos, a maioria deles duradoura. Sempre tentei ser coerente, fiel, acima de tudo, a mim mesma. Então, se eu não estou satisfeita, o mais sensato é seguir só. Só que a solidão apavora. Na solidão, a gente enfrenta os nossos fantasmas, enfrenta as decepções, enfrenta tudo aquilo para o qual fechamos os olhos. Tem coisas que a gente simplesmente não quer ver.
Confesso ter ficado um pouco amarga com o passar do tempo.. Cada relação que acabava, arrebatava consigo um pedaço do meu coração. Amei muitas vezes e perdi. Faça as contas do que sobrou. Porque essa amargura é um sinal de que eu sofri, mas tentei. Não foi por ter amado de menos. Foi porque eu amei demais.

É só saudade o que eu sinto do Henrique. Ele é eterno. Adorava se exibir, era absolutamente espontâneo, criativo, lindo. Ele era exatamente o meu oposto. Confesso que sentia um pouco de inveja dele, porque ele era tudo o que eu queria ser. Eu fechada, reservada, até fria. Ele era a vida em seu ápice, em sua forma mais bonita. Ele ter simplesmente ido assim, sem se despedir, não entra na minha cabeça. Sinto calafrios por dentro, sinto vontade de sair correndo pra onde ele está. Eu só queria olhar de novo naqueles olhos cinzas. Eu só queria dizer adeus.

Por que eles saíram assim da minha vida? Um por escolha, outro por destino. E ambos me doem, talvez não da mesma forma, não me importa nada disso, só sinto essa dor latejando no meu peito. Se essa dor fosse vertida em lágrimas, quem sabe eu pudesse me acostumar. Mas dá pra se acostumar com essas perdas?
Meu coração sinaliza toda hora que existe algo ausente. Que não restou nada, além da falta.

Estou pensando nele. Nele que até tão pouco tempo atrás era parte de mim. Não me imaginava passar os dias sem uma conversa, um beijo, a presença. "Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera." Um dos sermões do Pe. Antonio Vieira, já ouviu falar? De todas as razões para o fim esperado, o tempo foi o mais cruel. Você planeja de todo o coração passar a eternidade com alguém. Faz juras de amor, faz uso recorrente das expressões "nunca" e "sempre". Tudo no amor é extremo. Nunca se quer deixar o outro porque pra sempre prevalecerá o amor. E o tempo, traquina, bagunça tudo. E nos faz constatar que, na maioria das vezes,  nunca é pra sempre. Cá estou amargurada novamente, não é? Mas posso te contar um segredo? Dessa vez , dessa única vez, eu acreditei que fosse.


Acho que estou chorando, afinal. Porque os sentimentos que estão aqui dentro são fortes demais, hora ou outra romperiam esse olhar que busca algum sentido agora, agora em que não há. Eu queria que fosse verdade, que eu aproveitasse o máximo que eu pudesse da companhia deles, porque sabemos muitas coisas, mas não sabemos nada quanto ao fim. O fim esperado, o fim imprevisível. Os fins que sabe-se lá porque acabaram se encontrando na minha vida, tão repentinamente. E não há sequer preparo pra esse tipo de coisa. 

Talvez você tenha razão. Fazer com que haja alguma lógica nisso tudo cabe a mim. Porque os fins, de repente, podem significar um começo. Um aprendizado, uma lembrança de que algo valeu a pena. Perder-se também é caminho, não é o que dizem? Que eu sinta saudade, que as lágrimas caiam e que eu tenha força para enxugá-las. Que eu perca, que eu me perca. E que eu saiba me encontrar.




domingo, 10 de abril de 2011

Chegadas e Partidas

I- A Chegada

"Por favor, não vá ainda
Espera anoitecer
A noite é linda
Me espera adormecer
Não vá ainda
Não, não vá ainda..."
(Zélia Duncan)

Eu só quero o seu abraço. Prometo que não peço mais nada além disso. Não coloca os sapatos, por favor, não fecha a porta me deixando trancada aqui dentro. Do quarto, no escuro, presa dentro de mim. Não quero ficar só. Não quero ficar sem calor, sem abraço, sem você por perto. Talvez seja pedir demais, mas fica aqui comigo, sem intenções, sem conversas, sem assunto. Talvez a gente tenha muito pouco pra falar agora, mas dispenso as palavras. Nem me importo se você pegar no sono primeiro, nem se você dormir com a roupa que chegou. Não me importa nada a não ser que você fique. Fecha os olhos, finge que eu não estou aqui. Finge que é um sonho. Que seja um sonho. Que a gente faça do real algo onírico. Que seja o mais distante  possível. Podemos fazer isso nos sonhos não é? Então me abraça e sonha comigo. 


II- A Partida

" Amar é ter um pássaro pousado no dedo
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar"
(Rubem Alves)

Que eu me doo por inteiro toda vez que lembro da sua partida. Foi a última vez que eu te vi. Não foi uma decisão minha, mas eu tinha que ser menos covarde e, bem lá no fundo, eu sabia que você iria. Sabia não. Eu sentia. A gente sente quando as coisas não vão bem. Sei lá porque a gente resiste, achando que é herói, que vai conseguir salvar o que resta no final. Mas no nosso final você foi embora. E eu entendo, de verdade, eu entendo. Sem ultimatos, sem sacrifício, sem arrependimentos. Mas essa imagem é muito recorrente. Refaço aquela cena  mil vezes. É meu jeito de me conformar, por isso imagino como seria se. Se eu tivesse corrido atrás do trem, se eu tivesse te puxado pelo braço, se eu tivesse olhado pra trás. A gente sempre espera essas ações cinematográficas, quem sabe uma possível reconciliação, Casablanca. Você abandona as malas e a passagem pra decidir passar a vida comigo. Eu sei o peso da realidade.

Eu nem olhei pra trás...Será que você olhou? Será que você pensou em mim pelo menos por um segundo? Será que relembrou dos nossos momentos? Será que você chorou?

Nunca vou saber, isso eu sei.

Só sei que a falta que você me faz é constante. Como uma cicatriz, a gente estranha no começo, mas depois se acostuma. Estou acostumado a sentir falta. Porque há um vazio aqui que jamais será preenchido. E eu sei o quanto dura esse jamais. Tento seguir a minha vida, fazendo as coisas que eu mais gosto, mas tudo, tudo mesmo me leva a você. Tenho ficado bem na maioria das vezes. Mas  dia desses recebi uma conta sua aqui em casa e desabei. Você não está mais aqui.

Eu só queria que você soubesse.
Sinto falta de tudo o que você pode imaginar. Sinto falta da sua voz no telefone, do seu cheiro, dos seus olhos. Sinto falta de  como os domingos eram infinitamente belos se você estava. Sinto falta de você dançando na cozinha. Sinto falta dos jornais que você tirava da ordem.  E li no jornal um trecho de Trevisan: "Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham". Ironia ou não, sinto falta das suas violetas.

Sinto falta de você. Sinto falta do pedaço de mim que você levou embora. Sinto falta dos nossos laços. Sinto falta de nós.

 

" E o meu coração embora/ Finja fazer mil viagens/ Fica batendo, parado, naquela estação..."
(Adriana Calcanhotto)




segunda-feira, 21 de março de 2011

Réplica


Ok, você venceu. Acabei ficando por aqui mesmo, nesse apartamento, portas e janelas fechadas, sem saber direito como reagir, sem saber como pensar, no que pensar. Você não me deu possibilidades. Você simplesmente impôs seu ultimato, seja o que Deus quiser, mas isso, isso eu não quero. Resisto, hesito, tento modificar esse roteiro que você escreveu pra nós dois, você como escritor sabia muito bem que o nosso enredo não teria final feliz. Eu sei disso. E não quero que você apague o que já foi feito. Como eu bem disse, já foi feito. Impossível passar por cima disso como se nós dois fôssemos desprovidos de sentimentos. Porque eu sinto muito ainda. Sinto por conta da parcela de culpa que tive para chegarmos onde estamos. Sinto também, muito, além da dor, você. De todas as maneiras mais impensadas. Penso nas coisas que nós não fizemos juntos, penso nas músicas que fiquei com vergonha de te enviar, dos textos que não lhe remeti. Penso nas nossas viagens adiadas e nos telefonemas que eu, propositadamente, recusava. Eu precisava de espaço. Você sabe como eu sou. Queria estar com alguém que me deixasse a vontade quando eu quisesse estar só comigo. E eu tenho a maior dificuldade de expressar isso,  antes me armo, me encho de espinhos, construo barreiras, e, facilmente, me afasto, me mudo para o lugar seguro do não-comprometimento, fico indiferente. E estar indiferente numa relação como a nossa é sinal de perigo.
Solidão compartilhada mata, é o que dizem. Cá estamos, vivos, mas muito feridos.  Sinto saudade, agora que o que tínhamos findou, agora que eu tento explicar o que aconteceu, agora que eu tento me perdoar por ter sido tão covarde e egoísta. "Só agora?",você me indaga. Agora. Que perdi você, que caí na real, que percebi a minha burrada. Agora, na minha solidão, sinto a sua falta.

Vou te confessar uma coisa: eu tenho medo. Medo de amar, medo de me entregar, medo de estar num relacionamento, compartilhando minha rotina, meus hábitos, minhas manias e minha intimidade com um outro alguém. Não é estranho uma pessoa que era meramente desconhecida  passar a ser tudo na sua vida? Assim, repentinamente?
Estou divagando, eu sei. O fato é que você não me era estranho. Pelo contrário, eu via muito de mim em você, me identifiquei de primeira, assim que você puxou papo no ônibus. Claro que a última edição de "Os Dragões não conhecem o paraíso" foi fundamental para que eu me encantasse. Eu me apaixonei por você. Pelo seu jeito engraçado de falar sobre cultura, como se só você soubesse daquilo. Pelo jeito que você abraça o travesseiro enquanto dorme. Por encher aquela xícara de café e deixá-la em cima dos móveis, de propósito, porque você sabe que eu tenho vontade de te matar quando faz isso. Coisas cotidianas, sabe? Agora olho pra minha mesa e lá está ela, a tal mancha que não consegui limpar.

Apesar de tudo, apesar de todos os apesares que surgiram nessa nossa história, com todos os dramas, e gritos, e lágrimas, até a lágrima final, te garanto, essa mancha vai continuar aqui dentro. Talvez não por muito tempo, talvez pelo tempo suficiente, até que eu compreenda tudo, até que eu chore tudo o que tenha que chorar e tenha forças para seguir em frente. Porque essa mancha é difícil demais de tirar. Não se surpreenda com essas palavras que saem da minha boca agora, depois de tantas babaquices que eu te disse. Elas são as mais honestas que posso te oferecer. Eu tenho a tendência de tentar consertar tudo, mesmo sabendo que o remendo nem de longe se compara à estrutura original. Mas eu tento. Por mim, por você. E, acima de tudo, pelo bom que havia entre a gente. Então, eu sigo, com um bocado de lembranças e com a esperança de que você releve as minhas loucuras, meus receios, e aquelas palavras não-ditas. Não é porque eu não as disse, você sabe...que eu não as sinta. Pra sempre sinto. Então sigo, outra vez.  Sozinha, como sempre. Mas, agora, sem você.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ode às nuvens

Google Imagens


Eu esperava que a chuva, hora ou outra, chegasse
Regasse as plantas, molhasse o solo, me inundasse por dentro
Contradições de lágrimas e gotas ao escorrerem pelo rosto
Não sabia distingui-las, não era meu intento.

Olhava para o céu e ele me remetia ao passado.
Um par deitado a observar as nuvens e o seu movimento
Cirrus, "a mais delicada delas", você me dizia com um sorriso
E apontava para o céu, seu olhar sempre atento
Stratus, " vamos pegar algum chuvisco!"

Um misto de tristeza e solidão
À medida que o tempo mudava, eu bem me lembro
Daquela saudade imensurável de você, de uma certa melancolia.
E daquela tarde cinza de setembro.

Recorro agora à metereologia
Esperando que as tempestades tenham um fim
E, sabe-se lá, para tentar compreender
Essa Cumulonimbus aqui dentro de mim.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

" E por falar em saudade..."


Depois da madrugada, meus pensamentos sobre você invadiram o meu sono e meus sonhos. Sim, eu tenho pensado em você. Relembro de palavras suas sobre se perguntar como o outro está, de pensar naquela pessoa em demasia. De se saber só e ansiar com tamanha urgência pela presença do outro. Hoje, com toda certeza, as 24 horas do meu dia, todo esse tempo que passo lendo, escrevendo, vivendo, foi gasto em lembranças suas. E agora chove. E a rotina de conversas, de vocativos gentis e doces, de palavras bobas, de sorrisos fáceis e de beijos prolongados está me fazendo tanta falta. Falo do agora, mas provavelmente essas sensações estarão presentes com freqüência nos meus dias daqui em diante. 

Quando eu esqueci o chaveiro da Torre Eiffel no seu carro, inconscientemente quis que houvesse mais um motivo para nos encontrarmos. Para eu olhar mais tempo para você – e você bem sabe como esse é meu novo vício. Para te ouvir cantando, com esse entusiasmo tão genuíno que faz mais do que sentido que se diga que você tem Deus dentro de si. E eu te adoro. Não dá para mensurar certas coisas. Esse sentimento que nutro por você tem me feito mais satisfeita e FELIZ (em maiúscula, em negrito). Esse sentimento só aumenta. É progressivo. É real. 

Estou com saudades. Hoje fiquei ouvindo aquela música que você diz ser sua e gostei tanto dela, prestei maior atenção à letra, lembrei de você falando sobre seus projetos para o ano que vem, sobre o terreno, sobre Portugal. Aí me bateu mais saudades. Sofrimento comedido por antecipação. Mas é o mundo lá fora, ele te espera e a sua hora já chegou. Não há egoísmo que eu não possa controlar para te ver realizado. Então, percebo o quanto eu gosto de você. Quero te ver sempre sorrindo, fazendo o que gosta, sendo FELIZ. Em letras garrafais e em negrito. Porque você merece. 

Longe ou perto, isso já está eternizado. Você tem sido o melhor pra mim. Meu desejo único é, à luz de Vinicius de Morais, “ que seja infinito enquanto dure...”

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre o tempo (e sua passagem)


Esse tempo foi dado com algum propósito que sequer me lembro. Talvez muito tempo tenha se passado desde a última vez em que nos perguntamos para onde estávamos indo. Sequer chegamos a algum lugar. Na verdade, nem sei onde estamos agora. Sei que o tempo não parou para que consertássemos o que havia de errado.
O tempo passa e as coisas mudam, nem sempre mudam para o que ansiamos. Queremos sempre mais. Mais amor, mais confiança, mais honestidade. Já é tarde, e, no fim do dia, restam apenas dois corações separados, distantes, descrentes, sentindo falta.
Falta tudo e o que menos importa é tempo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

anJÔ

Em 19/02/2008

Ainda acho que é apenas um sonho ruim.Olho para o teto e acredito que logo vou acordar.Infelizmente, nem eu mesma consigo me convencer disso.A certeza da morte abre uma porta de mistérios, de perguntas sem respostas,de sensações desconhecidas,de pensamentos incertos.
E como dói.Conviver com a idéia de que alguém tão querido, simplesmente se foi,não está mais por aqui,nos encantando,nos desafiando e nos amando, como Jordana.A única palavra que consigo empregar para definir tal fato é incoerente. Ela parecia imortal, uma espécie única, um prototótipo de deusa, como na mitologia.Sua beleza e extravagância, sua fortaleza vão fazer falta por aqui.
Talvez isso me abale por esgoísmo.Por não saber lidar com a morte com tamanha proximidade,pelo pavor repentino,pelo choque instantâneo,pela saudade em demasia.Sinto uma explosão por dentro, dúvidas e desencanto seguidas por uma imensa vontade de chorar.
Tento me conformar pensando que esse mundo não se encaixava na imensidão que ela por si só possuía.Um mar cujas leis eram delas, cujo curso ela decidia.Conformo-me em acreditar que o lugar que ela está agora é mais seguro e sereno.E que ela, como sempre, estará ao lado de todos com seu sorriso aberto e coração profundo.Conformo-me em saber que ela era um anjo, e como todos nós sabemos, anjos não são daqui.


À minha pequena amiga Jordana, que foi poetisa e amou a vida.



Jordana Fernandes Sahib. 15/10/1989 - 06/02/2008
P.S.:Hoje faz 3 meses que ela se foi...E eu estou com muita saudade!