quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Dos meus melhores dias
Não tenho fotografias para lembrar
Às vezes, isso me angustia
E se no futuro a memória falhar?

Existe esse lugar sagrado
Onde se perpetuam cheiros, gostos
e sons? 

E aí lembro da etimologia
E que coisa linda é a da palavra recordar
Do latim re-cordis
Passar de novo pelo coração

(E é nele que tudo se eterniza
Nada é em vâo)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Chove em Vegas.
Nem lembro a última vez em que vi os rastros de água na minha varanda.
Eu sempre torço por dias ensolorados preenchendo o céu azul.
Mas não hoje.
Hoje eu abri as cortinas e vi o céu cinza.
Às vezes os dias também precisam chorar.
Talvez te tenha feito falta olhar com calma a janela, Carolina
Para se dar conta
De que a sua direção
Será sua própria natureza
Igual um rio se dirige rumo certo às coordenadas do planeta.

(Rubel)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Ao som de LCD Soundsystem


"And to tell the truth
Oh, this could be the last time
So here we go
Like a sales force into the night"

Foster the People, Lorde, um remix de Lykke Li, Icona Pop
E o corpo se mexendo devagar, um copo na mão, um cigarro aceso.
A fumaça embaçando um lugar quase escuro
Uma luz acesa por dentro
E os amigos rindo, de olhos fechados, cantando letras erradas em uníssono
(Pensando bem, talvez eu também)
Eu decorei cada encontro
Na memória, na trilha sonora
Quase como um sonho que você sonha sabendo que está sonhando
Você se entrega, não resiste
Percebe que em breve vai acordar
O tempo não existia
E  já vivíamos aquilo tudo sentindo saudade.

Naquelas noites memoráveis
A gente era a eternidade.

(Where are your friends tonight?
Where are your friends tonight?)



segunda-feira, 20 de abril de 2026

Às vezes tenho a impressão de que endureci. 
Que a minha capacidade de comoção foi sendo perdida.
E que o tempo foi se tornando escasso até mesmo para sentir. 
Mas a sensibilidade não é uma escolha. 
Ela sempre me atravessa.
Ela está fincada em mim.
Quase sempre sou surpreendida
Com a rima inusitada, com a melodia, com as palavras.
E algumas lágrimas colocam fim aos meios receios:
Sigo para sempre encantada.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Eu achava bonita a ideia de a arte estar ligada à dor. Os melhores textos que escrevi, pensava, tinham emergido do meu mais profundo sofrimento. Dos meus poços mais escuros. Escrevia como se as palavras fossem meu pedido de socorro, meu resgate de mim.

Penso, agora, com alguma clareza e mais maturidade, que o excesso que havia ali escondia muitas faltas. Eu tentava enfeitá-las, dar a elas um ar poético e metafórico, quando o que eu precisava era apenas deixá-las ser.

O tempo hoje é corrido demais até mesmo para sofrer. Choro um pouco, retomo o fôlego e continuo.
A melancolia é encantadora na juventude. Faz parte do processo de se conhecer, de encontrar o seu lugar, de pertencer. A intensidade, a urgência, as vontades, as carências. O que permanece é a incompletude.

Tenho muito respeito pela minha entrega, mas hoje me sinto mais inteira. Encaro as minhas paredes sem quadros, o desgaste da pintura, as rachaduras expostas.

Aceito que não há nada a ser preenchido: as lacunas são janelas abertas.

Luz e sombra entram pelas frestas.
Eu sinto.
Cada vazio me liberta.










sábado, 17 de janeiro de 2026

She hangs brightly

I missed a part of me when I crossed the border
And parted oceans
I walk the streets beneath never-ending lights and sounds
Silence is a privilege
Then I look at the sky and lose myself in wonder
So blue, so cold,
so beautiful and haunting

And I'm one of many 
Struggling to fit into a city that is larger than life
But yet too small for me sometimes
The neon blurs my dreams
And numbs my thoughts

I forget whether I am sleeping
Wide awake
Or simply lost