domingo, 30 de maio de 2010

A Fuga (ou o crime perfeito)


Abri o armário. Joguei todas as roupas em cima da cama. Abri a mala. Sem pensar, coloquei algumas delas ali dentro, junto com alguns livros, alguns discos, algumas lembranças.
Coloquei minha surrada calça jeans, aquela de que mais gosto e que me dá mais coragem nesses ímpetos de aventura. Peguei algum (pouco) dinheiro, meti no bolso. Me olhei no espelho. Pensei: 'Tem que dar certo.' Pus uma camiseta, prendi o cabelo, calcei meus sapatos e fui. Para nunca mais ou para um novo sempre.

Porque às vezes, muitas das vezes, a gente tem que escapar. Da cena do crime, da nossa casa, da saudade, da dor. Ou, quem sabe, a fuga é da solidão.

Porque ficar sozinho por aqui não dá.

Então, ficarei sozinho em outro lugar.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre o tempo (e sua passagem)


Esse tempo foi dado com algum propósito que sequer me lembro. Talvez muito tempo tenha se passado desde a última vez em que nos perguntamos para onde estávamos indo. Sequer chegamos a algum lugar. Na verdade, nem sei onde estamos agora. Sei que o tempo não parou para que consertássemos o que havia de errado.
O tempo passa e as coisas mudam, nem sempre mudam para o que ansiamos. Queremos sempre mais. Mais amor, mais confiança, mais honestidade. Já é tarde, e, no fim do dia, restam apenas dois corações separados, distantes, descrentes, sentindo falta.
Falta tudo e o que menos importa é tempo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ao (s) Thiago (s)


Eis que um dia, há algumas semanas,  passando pelo mesmo caminho de sempre, observo uma pseudo-pichação em Liquid Paper numa mureta.


Thiago, eu te amo. ASS.: Você sabe.


Eu não estava num dia muito bom, estava estressada como sempre, cansada, mas às cinco e alguma coisa de uma tarde muito quente, eu sorri ao ler a inscrição.

Quem é o tal Thiago? Não sei e muito provavelmente não saberei. Imagino que todos os Thiagos que param ali e observam tal declaração devem se sentir amados por suas respectivas namoradas ou amores platônicos, ou sentem apenas um certo orgulho de ter seu nome fazendo parte de uma história de amor. Ou imaginam se aquele tal alguém que ele sabe quem é finalmente teve a coragem de se declarar ou, de repente, de pedir desculpas... Não sei. Talvez seja mais uma prova de amor, mais um motivo de inspiração que enfeita muitas ruas por aí....

De quem será a autoria da frase que me motivou a escrever esse post? Há certo ar de suspense, mas não convém a mim desvendar esse mistério. O amor e todas as suas nuances renderiam uma boa trama, com toda certeza.

Só sei que pensei nisso e hoje quis compartilhar e dizer que você, Thiago, é um cara muito sortudo! Todos os outros Thiagos também, pois houve aquela pequena esperança de que a mensagem fosse destinada a vocês. E foi. E isso é mágico.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E no fim.


E embora não haja coerência em ações, palavras e nãos, ainda penso em vários ses.
Não era suficiente. Digo agora: me basto.
O que importa de verdade, não é mesmo?

Uma vez ouvi de sua boca que o medo de não fazer falta é latente.
Faça falta para alguém. Um outro alguém. Ninguém. Que me lembre ou que seja como eu. Pois não há e não é.

Viva a sua vida, não me telefone e esqueça que me magoou. Vou tratar de esquecê-lo também. Para o meu bem.

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010


Mais dez anos se passaram, e desde 2000 eu tenho lembranças mais vastas e claras desse tempo que passou rápido, deixando tantas marcas.

Inclusive no ano 00, tive minha primeira grande experiência com mudanças: saí do Rio de Janeiro e fui para Mato Grosso do Sul, aos 9 anos, sem ter ideia de onde era aquele local, mas com a ajuda dos mapas nas aulas de Estudos Sociais, percebi que era mesmo longe...Foi só a distância o que, à época, era realmente relevante na minha cabeça. Com o tempo fui percebendo que  era  a saudade, não a distância,o mais importante.

Chegar num lugar estranho, com pessoas diferentes e novos costumes nunca foi fácil pra mim. E já passei por essa situação 6 vezes. Como todas mudanças há um lado positivo: a novidade do desconhecido; e negativo: a insegurança, o estranhamento e, acima de tudo, a saudade. Saudade até daquelas coisas que você nunca pensou sentir falta, mas pelo simples fato de não estarem mais ali em sua rotina, causam certo incômodo e dependendo do laço que havia, muita, muita dor.


Fazendo uma retrospectiva desses últimos anos, posso resumi-los da seguinte forma: encontrei pessoas fantásticas,vivi minha adolescência em lugares perfeitos, me apaixonei intensamente, chorei muitas vezes,ri muito também, aprendi a  cozinhar, a andar de bicicleta, me encantei pela literatura, passei no Vestibular, conheci Legião Urbana, tomei muito banho de chuva, já quis me matar, fui oradora da minha turma por duas vezes, dei meu primeiro beijo no meu primeiro amor, amadureci, estive, em diversos momentos, com a pessoa certa, no lugar certo, tomei minha primeira cerveja, fiz um jingle para um campanha política numa aula de MPB, conheci o amor da minha vida, tive o melhor aniversário de 15 anos que alguém poderia querer, fiz grandes escolhas e, de verdade, eu não mudaria nada. Hoje eu sou todas as pessoas que eu conheci, todas as cidades em que vivi, todas as lágrimas que derramei e todos os motivos que tive para sorrir. Sou toda lembranças.

O que eu quero para esse ano que se iniciou é que, nas próximas décadas, haja muitas mudanças e recordações. Que haja, sobretudo, muitos motivos para sentir saudade. Que não haja arrependimentos.
Só assim a gente percebe que viver essa vida, muitas vezes dura de ser vivida, vale muito a pena.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Longo Dezembro


"A long December and there's reason to believe  
Maybe this year will be better than the last."

Mais um ano que passou
Nem lembro a última vez que fiz as contas
Dos dias desperdiçados, das lágrimas derramadas
Com ou sem propósito de ser.
Pensar que haverá mais um ano inteiro
Fazer planos, fazer dar certo
Errar algumas (muitas) vezes
E ao fim do próximo ano tentar esquecer.

Há a redenção e novas chances
Possibilidades infinitas de mudanças
Fazer uma lista de principais desejos
Amor, paz, saúde, dinheiro
Essas palavras repetidas e espalhadas em cartões
Que, muitas vezes, não tem significado algum.

Se eu pudesse pedir alguma coisa,
pediria paciência para tolerar a hipocrisia;
força para lutar contra o que há de errado;
e a chance de que todas as pessoas desse mundo
tivessem, verdadeiramente, um FELIZ NATAL.

Que não seja banalizado, embora tenha se perdido a essência do seu significado, que haja bons motivos de celebração, e que hoje, bem como todos os dias do ano, seja um dia propício para que se esbanje amor. Todos nós precisamos disso, seja qual for a estação (aproveitemos, enquanto é verão!).

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sobre respeito.

"Lutar com palavras
é a luta mais vã."
(Carlos Drummond de Andrade)

 
Respeito. Palavra simples de resultados grandiosos. Quando há respeito, não falta nada. Você pode discordar de alguém, não aprovar determinada conduta, mas agir respeitosamente é o mínimo que se pode exigir.

Falo isso pois o respeito (ou a falta dele) tem sido recorrente em minha rotina. Desde o 'bom dia' até as mais diversas faltas. De caráter, de educação, de senso, de personalidade.

Dentre as minhas experiências mais recentes com o tema, posso citar o episódio em que fui banida de uma comunidade no Orkut pelo simples fato de expor minha opinião, sem agredir ninguém, fazendo uso da argumentação e levantando sempre a bandeira do respeito. Incoerente, não? Começaram a questionar minhas convicções religiosas, minha opção sexual e partiram para a agressão verbal e pessoal. Excluíram meus posts, e um dos membros com o qual eu debatia incansavelmente pediu ao moderador que me banisse. Parece que ele se cansou de argumentar...O assunto debatido: a aprovação da Lei que criminaliza a homofobia, lei essa à qual sou absolutamente favorável.

Deixo as reflexões para depois.

O último episódio, gota que faltava para que eu transbordasse, foi de plágio, não apenas das postagens do meu blog, mas também de depoimentos que fiz para o meu namorado no Orkut. O pior, a pessoa modificou alguns trechos, não fez menção alguma à autoria e não teve a consideração de perguntar se poderia copiar ou algo do tipo. A melhor parte de todas: essa pessoa é muito próxima a mim...E, há quase 2 horas, perdi meu tempo ao tentar convencê-la de que isso é abominável, que não tolero isso, pedindo que ela excluísse ou ao menos atribuísse o crédito a quem é devido. Dei com os burros n'água. 

Confesso que estou irada, para não dizer algo pior, pois eu imaginava que as pessoas tinham consideração e, obviamente, respeito com o próximo. Mas não é o caso. Entretanto,episódios como esses não me farão embrutecer. A tarefa de fazer do mundo um lugar mais pacífico e melhor de se viver, embora árdua, não me cansará. 

Eu não desisto facilmente.