quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As mudanças e o amor


Engraçado. Já ouvi tantas vezes tantas pessoas falarem: 'Ahh, fulano começou a namorar e sumiu, nunca mais deu as caras'.Ou então: 'Esse garoto mudou demais depois que conheceu aquela menina. Nem parece a mesma pessoa de antes'.
Nem parece e nem será a mesma pessoa de antes.
A gente corta o cabelo, muda a armação dos óculos, põe aparelho, emagrece, engorda, mas a mudança mais comentada é a que acontece lá no lado esquerdo do peito. Não poderia ser de outro jeito. Gostar de alguém é fazer uma reforma geral dentro da gente. É desorganizar tudo, jogar fora as inutilidades, fazer uma boa limpeza, purificar a alma. A mudança é constante; a cada relacionamento novo há essa reciclagem: mantemos o que vale a pena e partimos em busca de novas tranformações.
E há a tal felicidade. Que muda o nosso dia inteiro, que faz com que encontremos beleza naquilo que nossos olhos eram incapazes de enxergar. Existe melhor lupa que o amor?
Portanto, as ausências e inconstâncias dos nossos devem ser entendidas. Não é culpa dos amantes.

Não é bem a gente que muda...O amor muda a gente.


terça-feira, 14 de julho de 2009

Estações.

Ao vento que sopra e leva tudo embora.
Vento que passa e deixa marcas.
Ora brisa, ora furacão.
Sempre inconstante, em eterna mutação.


Como os cabelos emaranhados da menina
Como algumas (poucas) folhas caídas
Multicoloridas, enfeitam o chão.


Chão que piso dia a dia
E repouso meus pés andarilhos
Muito confusos, estão perdidos
Trôpegos ao caminhar.


Imploro ao vento:
'Leve-me com você
Sou instável, puro ar.
Onde eu trague a liberdade de uma vez só
E respire sem dor, sem dó

Eis aí o meu lugar.
Quero a leveza de mudar o mundo
Transformar, bagunçar tudo
E nada falar.'

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Arcádia (porque o simples basta)


Eu quero me casar com você
Ter nossa casa, nosso lar, nosso abrigo
Ter filhos iguaizinhos a nós dois,
Que se perturbem e sejam grandes amigos.

Eu quero me casar com você
Amanhecer e anoitecer sempre ao seu lado
Passar pelos dias tendo a certeza e a alegria
De que jamais ficaremos separados.

Eu quero me casar com você
Sentir para sempre a presença e o amor
Que inspira toda a minha poesia
Bem mais que ontem, muito mais do que hoje
Por toda a nossa vida.


domingo, 5 de abril de 2009

Aos que passeiam por aqui falo, até para mim mesma, com uma certa vergonha e remorso...Não tenho sido assídua na postagem de alguns versos, algumas palavras, por conta do remoto acesso à rede, uma vez que sem ela fica inviável deixar um registro por aqui.

Por um lado está sendo bom; tenho escrito algumas coisas nas últimas folhas do meu caderno, tenho usado o lápis, a caneta, e esse contato, me fazia falta.

Por outro lado, já criei esse acervo. MEU acervo. Egoísta, individual e MEU. Meu, meu, meu.

Nada me deixa tão feliz quanto essa aproximação com a linguagem, com o poder ser, mesmo que eu nem seja.

Portanto, estou tentando também me convencer...logo estarei de volta. Espero que melhor e mais firme nesse intento belo e difícil que é poetizar a vida.

A literatura é o que há de mais magnífico na vida, pois transforma a tristeza, a alegria, e até mesmo as mazelas do dia a dia na mais bela poesia.

Fica o recado.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval

Talvez pareça estranho aos que leem (assim, sem acento...¬¬), dizer que sou carioca da gema e que não sou muito fã de Carnaval.

Pois é, das datas comemorativas e feriados que nos proporcionam um sossego das tarefas cotidianas, o Carnaval, a festa que mostra o Brasil para o mundo, é a que menos me atrai.

Nunca me fantasiei, saí em apenas um bloco de rua (aos 11 anos, num desfile do Ensino Fundamental), nunca fui a uma micareta. Esse misto de suor, alegria em demasia, fantasias e mulheres quase nuas sambando por aí não me fascinava. Assisto alguns desses desfiles transmitidos diretamente da Marquês de Sapucaí pela TV e tive a oportunidade de, pela primeira vez e coincidentemente, ver o desfile completo da escola vencedora desse ano: Salgueiro. E confesso que, apesar de não saber muito sobre alegorias, rainhas de bateria e comissões de frente, vibrei com a cultura viva que me foi passada através do samba, da simbologia, da raiz do povo brasileiro. Achei tudo muito bonito, muito colorido, muito festivo, muito BRASILEIRO.

Apesar de algumas coisas insuportáveis, como pessoas urinando (entre outras coisas...) pelas ruas, lixo e mais lixo pelas calçadas, sujeira e uma certa desordem, confesso que apesar de não ter posto o pé fora de casa, aproveitei um pouquinho da essência carnavalesca que nos ronda em semanas como essa. Mesmo sem gostar, você acaba se encantando com a criatividade, com a entrega das pessoas para em cerca de uma hora e meia sentirem o coração bater mais rápido a cada som da bateria, e se sentirem vivos ao colocarem um adorno e saírem por aí, sambando, rindo, alegrando a todos ao passarem pela avenida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Amigos: sempre uma boa lembrança

Bom, hoje eu estou doente e em dias assim fico um pouco mais sensível e bobinha! Não sei ao certo o porquê, mas eu comecei a lembrar de algumas coisas legais que aconteceram comigo, sobretudo na presença dos meus amigos, alguns distantes, outros próximos, mas que de algum modo fazem falta a cada dia da minha vida. Por mais que digam o contrário, para mim amigos são insubstituíveis, a importância deles na nossa caminhada é ímpar. E, por estar assim saudosa, vou postar um texto que fiz há quase 2 anos...=O
Mas que reflete exatamente o que ainda sinto.



Vamos tentar consertar uma besteira que em geral as pessoas fazem...A gente não pode perder uma oportunidade de melhorar algo à nossa volta...A distância, o mal entendido, as palavras ditas na hora errada, não podem acabar com o que há de precioso na vida das pessoas:a verdadeira amizade. Os bons momentos, as alegrias, as tristezas, dores, decepções, quedas, as bagunças e festas não são apagadas assim. Nunca! Espero que seja a chance de reutilizar os esforços, não de recomeçar...Porque o recomeço demanda o esquecimento de coisas boas e coisas boas é que mais temos para lembrar...Estaremos sempre próximos...porque a amizade ainda é grande....o amor também!


Saudades dos meus amigos!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Algo sobre estrelas


A importância que as estrelas têm na literatura, na minha opinião, é algo sublime.

Google Imagens


Digo isso pois elas se tornaram sinônimos de dois grandes sentimentos, talvez os mais importantes: AMOR e AMIZADE. Esses singelos pontinhos brilhantes, que transmitem beleza e encanto, simbolizaram maravilhosamente o nosso estado de espírito diante do encontro com tais sensações. Vários autores as usaram como objeto de comparacão com o ser amado ou com o amigo.



"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!" (Saint - Exupéry)



Exupéry cita as estrelas como veículo de aproximação entre dois amigos, pois elas fazem com que um se lembre do outro, apesar da distância que os separa.




Um poema, que apenas pelo nome já nos chama atenção, foi motivo de meus devaneios durante muito tempo...Já decorei esse trecho de A Via Láctea do parnasiano Olavo Bilac ( e ainda disseram que o que importava na produção literária dos parnasianos era apenas a forma perfeita...). Para mim, uma das mais perfeitas descrições de como é estar apaixonado.






"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...



E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.



Direis agora! "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?



"E eu vos direi: "Amai para entendê-las:

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas".





Posso dizer que é exatamente assim que me sinto neste momento: rindo e conversando com estrelas...