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domingo, 19 de agosto de 2012

Sobre o que eu não sei dizer


Poderia começar abusando dos clichês: é mais uma daquelas fases, é temporário, vai passar, porque sempre passa. Digo apenas que é preciso. 
Há tempos tenho sentido um descompasso por dentro. Sentimentos contraditórios, pensamentos desconexos e uma sensação de vazio até então inédita. Passei a me acostumar com o fato de talvez estar perdida. Ou ser, não sei. Peço desculpa se pareço dispersa. Essa é a minha vida. 
As palavras fugiam de mim. Quando o encontro, aleatório, acontecia, era porque eu estava de alguma  forma alterada: álcool e cigarro, duas vãs companhias. Eu preciso da distância e da solidão. Preciso desse afastamento do mundo para poder me reencontrar. Perdi minha identidade enquanto tentava modificar a minha vida, e em tentando dar algum passo descobri que o caminho talvez não fosse aquele que eu queria. Pensar por si mesmo demanda coragem, força e auto estima, odeio admitir que passei a enxergar em mim a covardia alheia. Passei a fugir o olhar ao me encarar no espelho. "Quem estou tentando enganar?, era o pensamento que sempre me ocorria. Porque nada estava bem. Porque ir embora era tão mais doloroso que ficar, por isso eu resistia. E de tudo o que aconteceu, um sentimento persistente de inadequação restou, juntamente com as palavras. Muitas delas não - ditas, sufocadas, entrelinhas. Tudo o que eu sentia, mas não sabia dizer. Covardia.

O que eu quero dizer aos poucos está sendo dito. Uma crise desequilibra, traz incertezas, põe nossos pés no chão. Uma crise também nos impulsiona a mudar. Que seja assim, então. 

Dia após dia.


"Make a time to find your way"

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sem título (porque esse é o melhor título, afinal)

"My dreams are a cruel joke. They taunt me."
(Vanilla Sky)


É como se eu me perguntasse a cada instante "quem sou eu" e nunca encontrasse uma resposta certa. Eu sou uma piada de mau gosto. E eu nem sei ao certo quem sou. Ao abrir meus olhos, quando o sol insiste em romper as cortinas, me coagindo a levantar, me faço essa pergunta reiteradas vezes. À noite, por volta das seis horas da tarde, quando você não consegue precisar se ainda é dia ou noite, as cores se misturam, e você sente uma espécie de melancolia, que se agrava quando se trata de um dia de domingo, você encara o céu e tenta encontrar nas nuvens as respostas dos seus milhares de porquês. E, de algum modo, continuo esperando. Para que eu não sonhe, para que eu encontre essas respostas, se é que elas existem realmente. Porque talvez viver seja simplesmente esse conjunto de ações e sentimentos encadeados que culminam na única certeza que nos é dada desde o principio: a morte. E o momento de maior epifania que teríamos durante a vida, paradoxalmente falando, seria morrendo. Em escrevendo eu morro todos os dias. E ainda não   presenciei minha aleluia.

Não sei se perdi a melhor parte da história dedicando muito mais tempo e esforço expressando tudo em palavras. Às vezes me questiono se ainda tenho a capacidade de sentir. Meus olhos filtram situações que, por sua vez, são filtradas pelos meus pensamentos, se transformando, por fim,  em palavras, desperdiçadas, creio agora. Porque ninguém me lê. Eu não me leio. Eu não me compreendo. E depois de divagações absolutamente dispensáveis e irrelevantes, volto ao cerne de tudo: acho que perdi minha identidade no processo de me encontrar. Cá entre nós, essa coisa da busca por autoconhecimento é quase mítica. Uns percorrem o caminho de Santiago de Compostela a pé, outros exploram todos os estados alterados de consciência para reconhecer (ou desconhecer) as suas várias faces, muitos rezam, alguns leem livros de autoajuda. Tem gente que escreve para tentar se conhecer. Se há um mínimo de eficácia nisso tudo eu não sei. Mas tento, há exatos 8 anos. E, de alguma forma, sinto que a minha verdade está justamente nessas palavras mal-ditas. Porque, não me engano, escrever também é maldição. 

Então eu espero. Sentido, fé, reflexão.  Espero não mais encarar um estranho ao me olhar no espelho. Ou ter, ao menos, a capacidade de me conhecer o bastante para que eu possa, quem sabe, me autobiografar. E se isso não acontecer, continuarei a minha prece diária:

Que minha inspiração não cesse e que haja sempre criatividade. Porque assim eu posso me (re) inventar.




Ela sente muito e tudo o que é sentido fica armazenado lá no fundo do fundo do fundo. Ela só consegue esvaziar a sua alma torturada assim: regurgitando as palavras. Não, nem sempre é bonito. Muitas vezes não é. Às vezes é cru e seco. Quase sempre é doído.



domingo, 5 de abril de 2009

Aos que passeiam por aqui falo, até para mim mesma, com uma certa vergonha e remorso...Não tenho sido assídua na postagem de alguns versos, algumas palavras, por conta do remoto acesso à rede, uma vez que sem ela fica inviável deixar um registro por aqui.

Por um lado está sendo bom; tenho escrito algumas coisas nas últimas folhas do meu caderno, tenho usado o lápis, a caneta, e esse contato, me fazia falta.

Por outro lado, já criei esse acervo. MEU acervo. Egoísta, individual e MEU. Meu, meu, meu.

Nada me deixa tão feliz quanto essa aproximação com a linguagem, com o poder ser, mesmo que eu nem seja.

Portanto, estou tentando também me convencer...logo estarei de volta. Espero que melhor e mais firme nesse intento belo e difícil que é poetizar a vida.

A literatura é o que há de mais magnífico na vida, pois transforma a tristeza, a alegria, e até mesmo as mazelas do dia a dia na mais bela poesia.

Fica o recado.

domingo, 16 de novembro de 2008

Um vício chamado Literatura

Faz um tempo que eu não posto por aqui...Talvez essa ausência, essa falta de contato, como que a saudade sentida de um amigo distante, tenha realmente me afetado muito.
De fato, não tardaria que esse encontro adiado acontecesse uma hora ou outra. Precisava do momento exato. Chegou.
A gente precisa se afastar para poder enxergar tudo de uma maneira melhor e mais clara.
Fazendo uma adaptação do que uma amiga um dia escreveu, sou a estudante de Direito que queria fazer Letras. Então, essa paixão, mesmo que pareça acabada, continua viva, como uma chama em uma vela...Pode até diminuir, mas permanece sempre. É amor, e em se tratando de amor não é possível falar em término repentino, sem grandes despedidas, sem uma boa dose de drama. Confesso que esse amor não pode acabar nunca. É um amor etéreo e eterno. Esse vício chamado Literatura.

Eu sempre adorei recomeçar. Parece a palavra ideal para todos aqueles momentos em que se tem vontade de parar tudo e retroceder, uma, duas, mil vezes. Aí você corta o cabelo, faz as unhas, decide parar de beber, promete que não vai faltar as aulas e nem vai deixar o estudo para depois. Nossa, é muito difícil. Existem coisas que realmente estão fora do nosso domínio. Não são nossas, nunca serão. Por conta de tantas atividades que não me dão prazer de modo algum, resolvi voltar meu olhar para o que realmente fazia todo o sentido do mundo para mim. Os meus livros, meus discos, meu refúgio. Estou tentando adequar meus olhos, como escreveu Martha Medeiros na coluna do Globo de hoje, à poesia viva que passa por nós todos os dias e que pelo tempo corrido, pelo cansaço ou simplesmente por displicência, não nos permitimos admirar.

É a poesia, meu caro, que dá sentido e cor à vida.