sábado, 17 de julho de 2010

Invictus


"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."


(William Ernest Henley)



Há algumas semanas esse poema tem sido o mantra da minha vida inteira. E, hoje, nesse dia longo, extenso, cinza e frio... assim eu me sinto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Da noite


Eu me lembro bem dessa sensação
Ao impulsionar o corpo pela janela
Projetando o rosto, fechando os olhos...
Respirar fundo e tragar a noite
Sentir falta das estrelas no céu
Mesmo com a cidade estando toda acesa
Horas a fio, a observar o silêncio
Compartilhando a alegria e a tristeza.

Certos vícios não perdemos - apenas esquecemos.

É possível sentir o cheiro do vento?
O aroma familiar da saudade,
das coisas novas (agora antigas),
torcendo por um bocado de chuva,
ouvindo Daysleeper em noites não - dormidas.
"I cried the other night, I can't even say why..."

Ou ficar no telefone encarando a escuridão
Com aquele que, até então, era amor pra toda a vida.

Certas certezas não acabam - apenas mudam.

E sob esse mesmo céu nublado
Numa dessas noites mais frias
Com gotas de chuva escorrendo pelo rosto
Me perguntando se a felicidade existia,
se era um pouco de amor ou era mais vaidade,
se era maior do que aquilo que eu sentia...
Se era verdade.

Quanto a estrada.


"Parece que está todo mundo correndo em direção a alguma coisa aparentemente preciosa, e a gente está andando sem pressa na direção contrária, indo em direção ao que realmente importa." 

(Lucas M.)

E essa é a história contada por mim, a partir de agora. Porque a chance de fazer valer a pena está nas mãos de quem escreve uma poesia, de quem faz um carinho qualquer e de quem bate palmas para algo sensacional.Porque a vida é uma só. E a única coisa que você deve fazer bem feita durante a sua vida é ser feliz. Sem  magoar ninguém, sem estragar a sua saúde e se amando muito acima de tudo. Ser feliz é atividade egoísta. Não dá pra sabotar essas oportunidades de alegria verdadeira e plena em detrimento do que terceiros pensam/acham/sentem. 

Por isso estou andando lentamente no sentido contrário. Despreocupada com sinalizações e placas de aviso. Tenho a escolha, a carta na manga, a liberdade de fazer do jeito que eu quiser. E eu sigo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Desabafo (ou o que as palavras poderiam dizer)


Eu estou feliz. Não pela tarde de ontem. Não por ter ao meu redor pessoas que me querem ou admiram. Nem por ter me resolvido, por assim dizer, com alguém cujo nome eu sequer conseguia ouvir há dois dias atrás. Eu quis me libertar da raiva. Eu quis seguir em frente. E de todas as coisas que eu poderia me orgulhar de ter feito, de longe, essa é a melhor delas.

Eu estou feliz. Em fonte grande e em negrito. Simples assim. Ponto final. Sem justificativas, sem motivos aparentes. Não estou com ninguém, não estou sozinha. E, ainda assim, estou feliz. Comigo mesma.

Meu Deus, que essa felicidade seja duradoura. Que seja real, verdadeira e constante. Que a minha cabeça esteja sempre iluminada pra fazer coisas boas. Para amar e ser amada. Para cativar os melhores amigos. Para ser tolerante e equilibrada. Para pensar antes de agir e saber dizer não, mesmo quando eu poderia dizer sim. Para desligar o telefone na hora certa, como agora.

"Quando você deixou de me amar, aprendi a perdoar e a pedir perdão." (Vinte e Nove - Legião Urbana)

Alguém me belisque, porque eu estou sonhando.

O melhor de se libertar da raiva é nunca mais precisar senti-la.

Isso faz sentido?

A vida é curta. E nesse momento chamado AGORA, eu estou feliz. E nada mais importa.

domingo, 27 de junho de 2010

...

E eu vou cantar em alto e bom som
Gritar a felicidade em tom de carnaval
Aproveitar cada segundo com toda vontade
Sem deixar o melhor para o final

Cada dia é uma chance nova
Pra mudar, soltar a voz, declamar poesia
Tomar banho de chuva andando devagarinho
Deixando cada gota fria ser sentida

Nada do que passou importa agora
Quero dançar como nunca ousei
Beijar com ardor, sentir todo o prazer
E poder amar como nunca amei

Meus lábios estão preparados para sorrir
Minhas mãos abertas para agarrar a mais legítima alegria
Prendê-la aqui, bem fundo no meu peito
Para nunca mais deixá-la fugir.




segunda-feira, 7 de junho de 2010

Acabou...até que acabe.


Acabou.

Simplesmente acaba e você sabe quando acaba. Às vezes é muito difícil explicar, enumerar razões, inventar motivos.

Quando você se dá conta, acaba concordando com Cazuza, " o nosso amor a gente inventa pra se distrair/ e quando acaba gente pensa que ele nunca existiu..."

Parece que os momentos vividos ficaram perdidos no passado, não há saudade, não há raiva, não há nada. Porque acabou. Dar-se conta disso é um processo posterior ao ódio, à mágoa, a possíveis reconciliações, ao ouvir músicas depressivas, ao querer morrer, ao querer matar. Dar-se conta disso está intrínseco àquela sensação de liberdade que você sente ao pôr os pés na areia de uma praia deserta, pela manhã. Dá vontade de gritar. Dá vontade de pular. Até de chorar, mas um choro bom, porque você está livre, porque você pode.

Por mais que palavras tenham expressado reais intenções e sentimentos no fatídico momento em que "não dá mais certo", o estado de "acabado" surge quando você menos espera. Por mais óbvio que pareça, isso ainda te surpreende. Você escuta aquela música, lê aquela carta ou vê aquela foto e não sente nada. Isso mesmo: NADA. Saber que acabou é assustador. SENTIR que acabou é entorpecente.


É, então...acabou.

Lá dentro de mim.


domingo, 30 de maio de 2010

A Fuga (ou o crime perfeito)


Abri o armário. Joguei todas as roupas em cima da cama. Abri a mala. Sem pensar, coloquei algumas delas ali dentro, junto com alguns livros, alguns discos, algumas lembranças.
Coloquei minha surrada calça jeans, aquela de que mais gosto e que me dá mais coragem nesses ímpetos de aventura. Peguei algum (pouco) dinheiro, meti no bolso. Me olhei no espelho. Pensei: 'Tem que dar certo.' Pus uma camiseta, prendi o cabelo, calcei meus sapatos e fui. Para nunca mais ou para um novo sempre.

Porque às vezes, muitas das vezes, a gente tem que escapar. Da cena do crime, da nossa casa, da saudade, da dor. Ou, quem sabe, a fuga é da solidão.

Porque ficar sozinho por aqui não dá.

Então, ficarei sozinho em outro lugar.