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sábado, 12 de março de 2011

Blues

"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total." 
(Caio Fernando Abreu)


No fundo do fundo do poço, quando as memórias antes pretéritas passam a se transformar em presente...
Vontade de morrer, de matar, de destruir tudo em volta pra se libertar de toda a raiva contida, de todos os gritos abafados, de todas as lágrimas vertidas.

Vontade de desaparecer completamente. Vontade de renascer, vontade de recomeçar sem passado, de não ter mais nenhuma cruz para carregar. Vontade de esquecer. Vontade de descansar.

Vontade de fechar as janelas, deixar o breu entrar. Porque assim eu me perco na minha própria escuridão. Me perco no vazio que há em mim. Eu não queria me doer. Eu só não queria mais sentir.


"Não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?”
(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dos silêncios


Tantas palavras foram desperdiçadas nesse nosso embate. Escolhi com atenção cada uma que eu iria empregar para botar pra fora os desaforos, a angústia e a raiva que não era pouca.
Você também soube fazer o seu discurso, fugindo do lugar comum e tentando explicar o inexplicável. Sequer chegamos ao cerne de tudo. Você fugiu, eu hesitei, ficamos dando voltas e voltas, jogando palavras boca a fora. E guardando o fundamental por dentro. Que você queria falar e não o fez. Eu também me calei. E foram muitos os silêncios. Sobre eles me recuso a dissertar pois fiquei alienada. Sim, eu concordo, tudo ficou muito estranho. Nós, mudos, compartilhando suspiros e murmúrios. Onde você ria e eu te escutava, inverteram-se os papéis: eu falava, te interrompia e não houve sequer esboço de um sorriso. Por banalidades, coisas sólidas e fortes se estremecem. Talvez não fossem tão firmes assim. Talvez os silêncios tenham mesmo falado mais alto. E nós não soubemos ouvir.

sábado, 11 de setembro de 2010

A um ausente


"Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto."

(Drummmond)



Não. Me recuso a escrever sobre você. Aliás, não estou escrevendo sobre você, saiba disso.
Você é tão vaidoso, já cantou Carly Simon. Você é tão vaidoso que provavelmente não consegue se distanciar do seu ego. Você  se olha no espelho, com ar de Narciso, se afogando em seu próprio reflexo. 
Embora sabendo disso, juro que me encantei por você. Sabe-se lá o porquê... Agora que o que mal havia começado findou, realmente não compreendo as razões que me levaram a esse estado afetivo. Eu cheguei a gostar muito de você. Mais do que eu queria. Mais do que eu supunha, já que entrei nessa relação tentando deixar o coração, ao menos uma pequena porção de fora, para que pudesse contar a história. Nem preciso mencionar que o intento foi em vão.
Chorei um dia só. Fiquei ouvindo uma canção que dizia " Some things in life may change/ but some things they stay the same/ like time". E foi isso. O tempo permanece igual. Ele passa. Você passou. As lágrimas insistiram em correr por pouco tempo, sou um ser humano, com dois agravantes: mulher e escritora. Dissequei, analisei, fiquei cavando abismos, saltando dentro deles, desconstruindo os silêncios que me fizeram companhia depois que você decidiu ir. Sem avisar, sem deixar bilhetes, sem remorso. E eu fiquei só, no dia em que envelhecia e tentava justificar suas ausências. E, por falar em ausências, lembro de Pablo Neruda, que me remete a você em duas ocasiões: " Seu sorriso se espalha como borboletas", uma das últimas coisas que te mandei e que você fez questão de rejeitar. Apenas mais tarde (não tão tarde demais), compreendi que a razão para tal descaso é mulher como eu, apenas com nome e aparência distintos. "Gosto quando te calas porque estás como ausente" : preferia palavras ao invés desses silêncios que você me ofereceu propositadamente.

Silêncios seus se transformando em gritos meus. Eu, gritando um monte de verdades que não alcançam os seus ouvidos, não vale a pena, e porque estão dentro de mim. E não devem sair daqui. Olha, você sabe que errou. Eu sei que você sabe. E eu sei que você sabe que eu sei que você estava sentindo muito do que eu sentia. E, embora você tenha sido incoerente e leviano, compreendo que algumas coisas simplesmente passam e tem um significado diferente daquele que costumamos empregar. Ou daquele que queríamos. Superestimamos certas coisas. Subestimamos muitas outras. Novamente digo, não escrevo para você. Escrevo para mim. Porque eu sei que isso passa e, quem sabe um dia, vamos nos conformar pelo resultado final porque eu tentei, tentamos, pelo menos.

Não, não escrevo pra você. Li Caio Fernando, alguns dos meus gritos transcritos em palavras que, vezenquando, acho que você deveria conhecer...


“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, [...] pelo que tentei ser correto e não foram comigo.”

“Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que está tudo bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem”

“Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos – emoções”

Você era um ausente. Sempre foi. Não me incomodava quando essa ausência tinha associação restrita a qualquer outro sentimento, que não esse que nos envolvia. Não sei bem o que era. Nem quero saber. Não valeu.

Ratifico: não escrevo para você. Escrevo por mim. Para te exorcizar, de uma vez por todas,  aqui de dentro. Não há nada a ser compreendido, falado ou desculpado. Somente esquecido.
Quanto ao seu pedido de desculpas que foi, de longe, o mais patético que já li, digo apenas que o guarde pra si. Eu agradeço. Agradeço por tudo isso ter acontecido agora, antes que eu me envolvesse num grau em que o sofrimento se tornasse algo muito mais dolorido do que foi. Eu tenho as minhas ausências e silêncios. Eles me bastam.


P.S.: Não, T. Esse texto não é pra você.

domingo, 16 de novembro de 2008

Um vício chamado Literatura

Faz um tempo que eu não posto por aqui...Talvez essa ausência, essa falta de contato, como que a saudade sentida de um amigo distante, tenha realmente me afetado muito.
De fato, não tardaria que esse encontro adiado acontecesse uma hora ou outra. Precisava do momento exato. Chegou.
A gente precisa se afastar para poder enxergar tudo de uma maneira melhor e mais clara.
Fazendo uma adaptação do que uma amiga um dia escreveu, sou a estudante de Direito que queria fazer Letras. Então, essa paixão, mesmo que pareça acabada, continua viva, como uma chama em uma vela...Pode até diminuir, mas permanece sempre. É amor, e em se tratando de amor não é possível falar em término repentino, sem grandes despedidas, sem uma boa dose de drama. Confesso que esse amor não pode acabar nunca. É um amor etéreo e eterno. Esse vício chamado Literatura.

Eu sempre adorei recomeçar. Parece a palavra ideal para todos aqueles momentos em que se tem vontade de parar tudo e retroceder, uma, duas, mil vezes. Aí você corta o cabelo, faz as unhas, decide parar de beber, promete que não vai faltar as aulas e nem vai deixar o estudo para depois. Nossa, é muito difícil. Existem coisas que realmente estão fora do nosso domínio. Não são nossas, nunca serão. Por conta de tantas atividades que não me dão prazer de modo algum, resolvi voltar meu olhar para o que realmente fazia todo o sentido do mundo para mim. Os meus livros, meus discos, meu refúgio. Estou tentando adequar meus olhos, como escreveu Martha Medeiros na coluna do Globo de hoje, à poesia viva que passa por nós todos os dias e que pelo tempo corrido, pelo cansaço ou simplesmente por displicência, não nos permitimos admirar.

É a poesia, meu caro, que dá sentido e cor à vida.