quarta-feira, 8 de junho de 2011

Inventário do Ir- remediável - Trecho

"Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido - e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero.Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto."

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 4 de junho de 2011

Brilho Eterno

Eternal Sunshine. As paredes estão caindo, a água está  tomando todos os espaços, não há como fugir, não há como correr. Você sabe que vai acabar a qualquer momento, então você aproveita. Aproveita enquanto ainda é possível respirar, enquanto é possível sorrir, enquanto você ainda sente. Até ficar sem fôlego.

O problema é que estou me afogando. Eu, que nem nadar sei, resolvi me arriscar nesse mar impossível de ser navegado e eu, logo eu, me permiti ser tragada. Só que eu não posso, não quero e não preciso ser salva. Não sei se é possível alguma compreensão. Nem eu compreendo, tudo passa pela mente quando o fim é próximo, talvez certo. Por que dói, então? It's sink or swim, like it's always been.

E eu continuo te amando.



'   "Wish me Happy Valentine's Day when you call. That would be...nice!"

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Simplicidade em gostar

Tem algo a ver com o seu cheiro que insiste em ficar grudado no meu olfato. É assim:  lavo pratos, passo shampoo no cabelo, tiro o pó dos móveis, olho pro relógio e seus ponteiros.  Coisas desconexas, coisas desprovidas de sentido, qualquer coisa. Todas as coisas. Tudo me lembra você de um modo quase doentio, como se eu precisasse com uma urgência louca da sua presença. O seu cheiro. Que me pega de surpresa quando eu faço o meu chá ou leio meu livro. Seu cheiro invade a minha casa e me deixa com o coração taquicárdico, dá vontade de te encontrar e de falar todas aquelas coisas que a gente só fala quando ensaia um diálogo, sozinho no banheiro, trancado no quarto ou olhando pro espelho. A saudade é um combustível e tanto para a minha inspiração. A falta que você me faz me obriga a preencher os vazios, a  criar mecanismos para desvencilhar  da solidão. Eu ensaio as frases mais perfeitas para te falar e quando estou ali, cara a cara, eu simplesmente perco a capacidade de me expressar porque, juro, me basta simplesmente te olhar.O mundo para quando você sorri. É como se a minha felicidade tivesse a medida do seu sorriso. Felicidade...é o que eu sinto quer você perto, quer longe. Você é tudo o que eu preciso.

"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto." (Caio Fernando Abreu)

Eu gosto de você.

Eu te quero

"I can't say anymore than 'I love you'
Everything else is a waste of breath..."
(Elvis Costello)

 
Eu sinto a sua falta. Eu te quero bem aqui. Perto dos meus lábios, das minhas mãos, no meu abraço.
Quero ficar ouvindo a sua voz, quero os meus dedos dançando com os seus, quero olhar bem dentro dos seus olhos e depois sorrir em agradecimento pelo simples fato de você existir. A minha vida passou a ser incrivelmente maravilhosa depois que você passou a  fazer parte dela. Você já faz parte de mim. Cá estou, faltando um pedaço. Eu preciso de você pra existir.
Amar deve ser algo como estar na presença da pessoa amada e, ainda assim, sentir sua falta. Amar deve ser algo tão etéreo que faz você sentir a outra pessoa mesmo na distância. Amar deve ser uma espécie de tempestade que persiste na solidão, mas cessa imediatamente quando a outra pessoa está.

"O amor tirou de mim tudo o que era falta". Eu te quero e a única falta que ainda me aflige é você.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tenderness


Forgive me for the words that escape from my mouth
They don't even mean one shred of what I feel
Words explain things from a distant perspective
These feelings I keep inside of me
Let me tell you something:
They're for real.

It doesn't matter if we're far away
Not even if I can't spend so much time beside you
My thoughts and needs are right there, where you are
I guess you feel the same way too

So close your eyes and sing to me
Your voice is my sweetest lullaby
I love your stories, your secrets, your life
You amaze me, you make me smile.


With you, love, I feel alive.
(I know you know you're mine)


"I didn't know I was looking for love until I found you..."

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Não que me falte inspiração ou retalhos da vida pra analisar, poetizar, sentir...Sinto falta, muita coisa falta, mas muito me preenche. Então, na ausência de palavras próprias pra dissertar sobre a vida, faço desse pensamento o meu:


"É, Lopes, brigas, guerras, paz, declarações de amor, amores a dois, a três, tudo pode quando há paixão. Quem tá falando de homem, Lopes? Eu tô falando do amor entre amigos, desses que nem bambu, que enverga mas não quebra. Amor em pedaços? Até parece, se eu nunca me contentei com pouco, imagina com um pedacinho..." (Divã, 17/05/10)

sábado, 14 de maio de 2011

Entre-olhares


I've just stared 
I spend most of my time lost in your eyes
Then you told me, kinda scared, kinda surprised
"It's about the way you look at me
The way your eyes seem so close to mine
I can't explain any better than this
Your look, it disarms
And I do feel fine."



Me olhas com tal profundidade como se quisesses me gravar na memória, como se não quisesses me perder de vista, relembras os detalhes, sabes a dimensão da minha retina. Não, não foges o olhar. Encaras, em encarando, desarmas.
Me tocas como se quisesses me decorar; tateias, arranhas, me marcas como se quisesses estampar que sou tua. Tua. Dizes que me queres, do jeito que for, como for. Sabes exatamente a palavra certa para encantar. Retens meus pensamentos sem prévia anuência. Adivinhas, indagas, questionas e me tens na palma da tua mão. Estou presa em teus dedos, emaranhada nas tuas carências. É impossível resistir, impossível dizer não.
E de tão íntimo que estás, já pareces conhecer meus mais profundos segredos. E me fitas, me enleias, me prendes no teu abraço, não vais me soltar.
(Imploro, baixinho, entre murmúrios e suspiros: por favor, não deixes isto acabar). 


So please, please, please, let me, let me, let me, let me get what I want this time.