quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Platonismo


Tenho esboçado sorrisos há alguns dias...
Há luz do sol iluminando a casa fria.
Foi-se o tempo de desventuras e desilusões.
Esgotaram-se todas as mágoas e decepções.

Porque o meu estado constante é de graça
Porque a alegria não pode ser subestimada
Porque filosofias tem sido recorrentes...
Porque alguém habita meus pensamentos
E há um quê de encantamento presente...

Sobre os riscos da entrega


Quando iniciamos uma relação, qualquer que seja, criamos certas expectativas. Cada um tem as suas e há, lá no íntimo, aquela vontade de que nossos desejos e sentimentos sejam satisfeitos e recíprocos. Estamos sempre esperando algo. Esperamos que o outro se entregue. Mas, quanto a nossa entrega? 

Alguém me disse algo sobre o qual fiquei pensando: se você entra em um relacionamento, qualquer que seja, pela metade, você provavelmente só receberá do outro a metade. E não, essa soma não é benéfica e não resulta numa relação completa. E mais, não é possível exigir do outro que a sua entrega seja total, se você não o faz.
Certo. Pensei comigo: E quando a pessoa está aos cacos? Como se entregar completamente? Como deixar de lado o medo assombroso da decepção? Como não esperar nada? Como começar o trabalho de reconstrução?

Realmente, essas perguntas são complicadas. Agir emocionalmente, seguir o coração mesmo quando há tantas dúvidas pairando no ar não é das atividades mais fáceis. Por outro lado, se uma oportunidade é boa, não podemos deixar que ela passe por medo. Medo de seja lá o que for. Tudo nessa vida é muito arriscado.
Todas as ações tem chances iguais de darem certo ou  errado.  Nenhum relacionamento anterior, por pior ou melhor que seja, pode ditar o seu futuro. Não importam as vezes em que o seu coração ficou aos pedaços. Há que se juntar os cacos e lutar pela felicidade. Essa entrega, portanto, deve acontecer quando estivermos absolutamente prontos para nos doarmos por inteiro, evitando assim a chance de sabotar algo potencialmente incrível. Basta ver pelo que vale a pena se arriscar.



terça-feira, 27 de julho de 2010

A habilidade de pedir perdão


Cá estou pensando muito sobre mais uma palavra que tem um peso significativo na minha vida: o perdão. Lembro de uma apresentação em que usei uma blusa cuja inscrição era a de um sentimento. Eu tinha a liberdade de escolher o que eu quisesse: amor, alegria, amizade, paz. Eu escolhi perdão. Essa foi uma das minhas melhores escolhas...

Perdoar e pedir perdão. O que é mais simples? Há simplicidade em qualquer uma dessas ações?
Não. Creio que ambas tem algo em comum: ao se transformarem de sentimento a pedido/decisão, há uma dose grande de altruísmo envolvida. Digo isso pois tais atos estão mais relacionados ao outro do que a si mesmo. Essa capacidade de se mostrar, se despir diante da outra pessoa, se mostrando frágil, falho e arrependido não é das atitudes mais fáceis...Requer coragem. E, muitas vezes, as pessoas se deixam tomar pelo medo e esquecem do quão libertador é assumir seus erros e mudar, se tornando um ser humano mais forte e melhor. Ou, por outro lado, algumas pessoas simplesmente não se importam. Tenho para mim que isso é o que dói mais. Imagine, ver o outro sangrando por você, por ações suas, e você fechar os olhos, não admitir, não assumir, deixar pra lá. Dói, meu caro. Dói muito.

Proporcionalmente, eu peço desculpas mais vezes do que esse pedido me é feito. E não, não é porque eu erre mais ou seja melhor pessoa do que os outros. Aprendi a analisar meus erros e aprender com eles. Aprendi a sentir culpa por magoar alguém, mesmo quando isso ocorre de forma não-intencional. Mas, aprendi também que não posso exigir dos outros a mesma postura que eu tenho. Como eu disse lá atrás, algumas pessoas simplesmente não se importam. E, quanto a isso, há muito pouco a se fazer.

Para mim, perdoar é atividade mais árdua. Mais difícil. A primeira oportunidade de perdão sempre é válida. E quanto aos erros que se sucedem progressivamente? Quanto a eles? Fechar olhos, enxugar as lágrimas, abrir o coração deixando escapar ressentimentos e mágoas e dizer o tão esperado: "- Eu te perdôo." Há tantos 'mas' envolvidos...há os olhares posteriores, o estranhamento, a confiança (ou a falta dela), o medo. Quem não tem medo de deixar de lado o orgulho e acabar sendo magoado novamente? Quem não sente receio de, após tentar hercúleamente reconstruir aquela parte do seu coração que foi quebrada, se ver novamente tendo que juntar os cacos? Ora, perdoar dói também... nunca sabemos qual será o valor do nosso perdão para quem nos machucou.
Às vezes, o perdão é tudo. Para alguns, ele não vale nada.


P.S.: Castelo de cartas...uma a uma caindo e sendo  levadas pelo vento. Não, eu não vou me ressentir quanto a isso. Aprendi a perdoar, a pedir perdão e a esperar tudo em resposta, inclusive nada. São riscos que nós corremos todos os dias para sermos melhores.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

"Okay, close your eyes… Now, paint your future...


...What do you see?"


A minha casa será toda avarandada, com um quintal de grama verdinha e bem aparada. Terá uma rede para eu me deitar e uma palmeira para que eu observe o movimento das folhas, quando o vento passar. Quero um balanço também, para não me esquecer de maneira alguma aquela alegria simples que toda criança tem. Quero uma hortinha repleta de ervas para que eu faça meus chás. Quero que os domingos sejam ensolarados e que os raios penetrem meu quarto, me convidando a acordar. Quero uma estante repleta dos meus livros e discos favoritos. Quero estátuas de anjo e arranjos de flores ornamentando a minha sala. Quem sabe um piano, que me implore, a cada dia, para ser tocado. E, para que eu durma e acorde sempre inspirada, quero Monet na parede do meu quarto.

Quero alguém para cultivar um jardim comigo. Alguém que me empurre no balanço. Que me observe sentada ao piano. Que durma comigo na rede. Que seja também minha inspiração. Alguém com o qual eu possa construir meus sonhos e planejar minha vida. Alguém que ande pela casa sem camisa e que me ajude a preparar o jantar. Alguém que não se importe que eu vá dormir tarde por escrever meus textos. Alguém que reclame da minha mania de limpeza e das músicas que me fazem chorar. Alguém que dance comigo pela casa, que largue sua pasta em cima da mesa e que assista desenhos comigo deitado no sofá comendo besteiras. Alguém com quem eu possa conversar pela madrugada inteira. Alguém que deite na grama comigo sob a luz de tantas estrelas.


terça-feira, 20 de julho de 2010

À amizade


Por se fazerem próximos quando distantes, por aguentarem ligações ora alegres demais, ora um bocado tristes, por serem parceria em jogatinas e conversas que perpassam a madrugada, por terem ignorado a distância e o tempo e resgatado boas lembranças da infância, por serem inspiração de vida, por emprestarem o ombro e o colo sempre que necessário. Por um entendimento difícil de ser encontrado, por serem porto e refúgio, por serem a nossa segunda casa. Por todas as brigas que foram relevadas, por todas as ausências e mancadas que foram superadas. 
Por, mesmo nas diferenças, fazer sobressair similitudes. Pelo constante aprendizado. Por abraços apertados, carinhos, brincadeiras, sorrisos, lágrimas, cuidados, impaciências, surpresas, sacanagem, saudade. Por tudo aquilo que as palavras não conseguem expressar. Por tudo aquilo que tem valor na nossa vida e por ser tão preciosa chamamos de amizade. 

Porque amizade é mesmo o amor que nunca morre.


"A amizade...
Nem mesmo a força do tempo irá destruir
Somos verdade...
Nem mesmo este samba de amor pode nos resumir
Quero chorar o seu choro
Quero sorrir seu sorriso
Valeu por você existir, amigo!"

(Fundo de Quintal)

Quanto ao seu sorriso (porque falar sobre tudo em você é tarefa difícil)



Surpreendente é vê-lo sorrir.
Esse sorriso bobo, fácil, leve.
Sorriso que é digno de obra de arte.
Sorriso daqueles em que a gente se perde.

Queria mesmo era poder roubá-lo
Guardá-lo sempre e bem perto de mim
Para quando a saudade chegar (como agora)
Me manter aquecida quando eu for dormir.

E eu já decorei esse seu sorriso
O tom da sua voz me falando besteiras,
seus lábios naquela hora em que faltam palavras,
até seu olhar, mesmo quando a luz não está acesa.

Ainda chove e de tudo o que eu mais queria...
Quem sabe estar deitada no seu peito,
ouvir suas histórias e as suas impacientes melodias 
Deixando em você mil fios de cabelo
Prometendo poesia com rimas exclusivas...
Fazendo do seu sorriso o meu par perfeito.


"I'll remember your lips and everything attached to them..."

(Elizabethtown)




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Da manhã (ou sobre o amor)


Depois dos pesadelos, noites mal -dormidas, más notícias, vendo o que nunca quer se ver com lágrimas escorrendo pelo rosto, hoje acordei me perguntando sobre o amor.
Não estou com vontade de sair da minha cama, desse aparente conforto e da solidão sob a qual estou condicionada até que tudo se esclareça.
Hoje eu tive um sonho. E nesse sonho eu senti a mesma dor que eu sinto agora. A dor da perda. A dor da mentira. A dor da mudança. E a dor de se importar com alguém em vão.
Apesar dos meus pés estarem fincados no chão, minha cabeça se perde em devaneios. O amor faz das suas conosco. Ele nos deixa feliz, passa a ser objetivo de vida e, quando acaba, pelas mais diversas situações, parece inacabado ainda. Paradoxal, né? Porque quando acaba, acaba. Não faz sofrer. Não mais.
O amor é uma escolha. Escolha essa muitas vezes sutil, mas ainda assim voluntária. Escolha que muda quem somos, que muda a nossa vida. O que antes era primeira pessoa do singular, passar a ser plural. E, cá entre nós, passa a ser mais incrível. Sensacional.
Quando essa escolha é feita, corremos inúmeros riscos: ilusão, perda, traição, não-correspondência, decepção. Resta apenas ter sorte. Sorte que um dia a pessoa que você escolheu amar, te ame de volta. Por escolha própria.
Da mesma forma que há escolha para amar alguém, há também para não amá-la. E essa é a mais difícil. É como se houvesse luta direta entre a razão e a emoção. A emoção quer amar, mas, racionalmente, você sabe que não é possível e escolhe negar esse amor. E essa negação é tarefa diária. Requer disciplina, paciência, força de vontade.
Se desvencilhar é algo que você faz a cada dia. Deixar de amar alguém é uma decisão que se toma várias e várias vezes, de tão duro que é, para que não haja recaídas.

P.S.:Drunk girl spends her time with nothing but some cheap wine bottle.

P.S. 2: "Com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro... Teus lábios são labirintos que atraem os meus instintos mais sacanas...O teu olhar sempre distante sempre me engana e eu entro sempre na tua dança de cigana..." (Refrão de Um Bolero - Engenheiros do Hawaii versão acústico MTV).