terça-feira, 20 de julho de 2010

À amizade


Por se fazerem próximos quando distantes, por aguentarem ligações ora alegres demais, ora um bocado tristes, por serem parceria em jogatinas e conversas que perpassam a madrugada, por terem ignorado a distância e o tempo e resgatado boas lembranças da infância, por serem inspiração de vida, por emprestarem o ombro e o colo sempre que necessário. Por um entendimento difícil de ser encontrado, por serem porto e refúgio, por serem a nossa segunda casa. Por todas as brigas que foram relevadas, por todas as ausências e mancadas que foram superadas. 
Por, mesmo nas diferenças, fazer sobressair similitudes. Pelo constante aprendizado. Por abraços apertados, carinhos, brincadeiras, sorrisos, lágrimas, cuidados, impaciências, surpresas, sacanagem, saudade. Por tudo aquilo que as palavras não conseguem expressar. Por tudo aquilo que tem valor na nossa vida e por ser tão preciosa chamamos de amizade. 

Porque amizade é mesmo o amor que nunca morre.


"A amizade...
Nem mesmo a força do tempo irá destruir
Somos verdade...
Nem mesmo este samba de amor pode nos resumir
Quero chorar o seu choro
Quero sorrir seu sorriso
Valeu por você existir, amigo!"

(Fundo de Quintal)

Quanto ao seu sorriso (porque falar sobre tudo em você é tarefa difícil)



Surpreendente é vê-lo sorrir.
Esse sorriso bobo, fácil, leve.
Sorriso que é digno de obra de arte.
Sorriso daqueles em que a gente se perde.

Queria mesmo era poder roubá-lo
Guardá-lo sempre e bem perto de mim
Para quando a saudade chegar (como agora)
Me manter aquecida quando eu for dormir.

E eu já decorei esse seu sorriso
O tom da sua voz me falando besteiras,
seus lábios naquela hora em que faltam palavras,
até seu olhar, mesmo quando a luz não está acesa.

Ainda chove e de tudo o que eu mais queria...
Quem sabe estar deitada no seu peito,
ouvir suas histórias e as suas impacientes melodias 
Deixando em você mil fios de cabelo
Prometendo poesia com rimas exclusivas...
Fazendo do seu sorriso o meu par perfeito.


"I'll remember your lips and everything attached to them..."

(Elizabethtown)




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Da manhã (ou sobre o amor)


Depois dos pesadelos, noites mal -dormidas, más notícias, vendo o que nunca quer se ver com lágrimas escorrendo pelo rosto, hoje acordei me perguntando sobre o amor.
Não estou com vontade de sair da minha cama, desse aparente conforto e da solidão sob a qual estou condicionada até que tudo se esclareça.
Hoje eu tive um sonho. E nesse sonho eu senti a mesma dor que eu sinto agora. A dor da perda. A dor da mentira. A dor da mudança. E a dor de se importar com alguém em vão.
Apesar dos meus pés estarem fincados no chão, minha cabeça se perde em devaneios. O amor faz das suas conosco. Ele nos deixa feliz, passa a ser objetivo de vida e, quando acaba, pelas mais diversas situações, parece inacabado ainda. Paradoxal, né? Porque quando acaba, acaba. Não faz sofrer. Não mais.
O amor é uma escolha. Escolha essa muitas vezes sutil, mas ainda assim voluntária. Escolha que muda quem somos, que muda a nossa vida. O que antes era primeira pessoa do singular, passar a ser plural. E, cá entre nós, passa a ser mais incrível. Sensacional.
Quando essa escolha é feita, corremos inúmeros riscos: ilusão, perda, traição, não-correspondência, decepção. Resta apenas ter sorte. Sorte que um dia a pessoa que você escolheu amar, te ame de volta. Por escolha própria.
Da mesma forma que há escolha para amar alguém, há também para não amá-la. E essa é a mais difícil. É como se houvesse luta direta entre a razão e a emoção. A emoção quer amar, mas, racionalmente, você sabe que não é possível e escolhe negar esse amor. E essa negação é tarefa diária. Requer disciplina, paciência, força de vontade.
Se desvencilhar é algo que você faz a cada dia. Deixar de amar alguém é uma decisão que se toma várias e várias vezes, de tão duro que é, para que não haja recaídas.

P.S.:Drunk girl spends her time with nothing but some cheap wine bottle.

P.S. 2: "Com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro... Teus lábios são labirintos que atraem os meus instintos mais sacanas...O teu olhar sempre distante sempre me engana e eu entro sempre na tua dança de cigana..." (Refrão de Um Bolero - Engenheiros do Hawaii versão acústico MTV).

sábado, 17 de julho de 2010

Invictus


"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."


(William Ernest Henley)



Há algumas semanas esse poema tem sido o mantra da minha vida inteira. E, hoje, nesse dia longo, extenso, cinza e frio... assim eu me sinto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Da noite


Eu me lembro bem dessa sensação
Ao impulsionar o corpo pela janela
Projetando o rosto, fechando os olhos...
Respirar fundo e tragar a noite
Sentir falta das estrelas no céu
Mesmo com a cidade estando toda acesa
Horas a fio, a observar o silêncio
Compartilhando a alegria e a tristeza.

Certos vícios não perdemos - apenas esquecemos.

É possível sentir o cheiro do vento?
O aroma familiar da saudade,
das coisas novas (agora antigas),
torcendo por um bocado de chuva,
ouvindo Daysleeper em noites não - dormidas.
"I cried the other night, I can't even say why..."

Ou ficar no telefone encarando a escuridão
Com aquele que, até então, era amor pra toda a vida.

Certas certezas não acabam - apenas mudam.

E sob esse mesmo céu nublado
Numa dessas noites mais frias
Com gotas de chuva escorrendo pelo rosto
Me perguntando se a felicidade existia,
se era um pouco de amor ou era mais vaidade,
se era maior do que aquilo que eu sentia...
Se era verdade.

Quanto a estrada.


"Parece que está todo mundo correndo em direção a alguma coisa aparentemente preciosa, e a gente está andando sem pressa na direção contrária, indo em direção ao que realmente importa." 

(Lucas M.)

E essa é a história contada por mim, a partir de agora. Porque a chance de fazer valer a pena está nas mãos de quem escreve uma poesia, de quem faz um carinho qualquer e de quem bate palmas para algo sensacional.Porque a vida é uma só. E a única coisa que você deve fazer bem feita durante a sua vida é ser feliz. Sem  magoar ninguém, sem estragar a sua saúde e se amando muito acima de tudo. Ser feliz é atividade egoísta. Não dá pra sabotar essas oportunidades de alegria verdadeira e plena em detrimento do que terceiros pensam/acham/sentem. 

Por isso estou andando lentamente no sentido contrário. Despreocupada com sinalizações e placas de aviso. Tenho a escolha, a carta na manga, a liberdade de fazer do jeito que eu quiser. E eu sigo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Desabafo (ou o que as palavras poderiam dizer)


Eu estou feliz. Não pela tarde de ontem. Não por ter ao meu redor pessoas que me querem ou admiram. Nem por ter me resolvido, por assim dizer, com alguém cujo nome eu sequer conseguia ouvir há dois dias atrás. Eu quis me libertar da raiva. Eu quis seguir em frente. E de todas as coisas que eu poderia me orgulhar de ter feito, de longe, essa é a melhor delas.

Eu estou feliz. Em fonte grande e em negrito. Simples assim. Ponto final. Sem justificativas, sem motivos aparentes. Não estou com ninguém, não estou sozinha. E, ainda assim, estou feliz. Comigo mesma.

Meu Deus, que essa felicidade seja duradoura. Que seja real, verdadeira e constante. Que a minha cabeça esteja sempre iluminada pra fazer coisas boas. Para amar e ser amada. Para cativar os melhores amigos. Para ser tolerante e equilibrada. Para pensar antes de agir e saber dizer não, mesmo quando eu poderia dizer sim. Para desligar o telefone na hora certa, como agora.

"Quando você deixou de me amar, aprendi a perdoar e a pedir perdão." (Vinte e Nove - Legião Urbana)

Alguém me belisque, porque eu estou sonhando.

O melhor de se libertar da raiva é nunca mais precisar senti-la.

Isso faz sentido?

A vida é curta. E nesse momento chamado AGORA, eu estou feliz. E nada mais importa.