quinta-feira, 26 de julho de 2012

Carta para alguém de dentro




Foi por fechar os olhos. Por não ter temido arriscar, mergulhar, naufragar. Morrer. É preciso morrer muito durante a vida. É preciso cair inúmeras vezes, rastejar, ralar os joelhos, levantar. Seguir. Foi por fechar os olhos. Foi por não temer, não voltar atrás, foi por querer, eu sei. E a vontade também mata. Foi por fechar os olhos. Foi por esperar, ansiar, arriscar. Perdendo sono, perdendo os nervos, perdendo a sanidade. Sim, foi por fechar os olhos. Foi por achar que as melhores coisas vividas, para serem melhor sentidas, não precisam ser vistas. Foi porque eu acreditei que era verdade.

Foi por fechar os olhos e esperar por alguém que curasse a ferida. Foi por parar no caminho. E só foi por fechar os olhos que ainda não encontrei a porta de saída.

terça-feira, 17 de julho de 2012

"E o teu silêncio
é o som de uma celesta
nos mangues frios
caligrafia
da mecânica celeste"



Para Sérgio Fróes


Eu não te leio, não te entendo
Não te decifro, mas me enleio
Nas tuas tramas, tuas histórias tão certas
Me cegam e me encantam
Devaneio

Esse teu jeito meio Álvares de Azevedo
Meio Gregório de Matos, tão debochado
Esse teu escárnio, esse teu encanto...
Em você me espelho, em você me lanço

Eu nem precisaria colocar em palavras
O que ser Sérgio significa
É aquele que protege, a melhor companhia
Dos sorrisos certos, de cigarros acesos
De ser único e muitos ao mesmo tempo
Gêmeos
E os meus versos mais sinceros nessa poesia.

Sempre dei muito sentido a tudo que me rodeava: uma flor esquecida na janela, um abraço, um sorriso, momentos de alegria e de raiva, uma canção, um amor, uma palavra. Sempre mergulhei intensamente no que eu pensava e sentia e apesar da "pouca idade", vivi muita coisa seguindo essa filosofia.
Algumas cores, antes vivas, desbotaram. Algumas delas, antes cinzas (cor e pó), passaram a ter graça. E o sentido de tudo isso foi o tempo. Porque o tempo, não se engane, ele passa.
O tempo muda a mundo lá fora mas muda a gente por dentro. O tempo marca e apaga. O tempo machuca e repara. O tempo refaz. O tempo faz entender que o momento de ser feliz é agora. Nunca é cedo. Nem tarde demais.

sábado, 7 de julho de 2012

Demora em mim essa saudade
Amor assim dispensa qualquer falta
Noites solitárias, silêncios, vazios
Inconsistências que só a presença mata
Espero no teu peito o meu repouso
Longe de ti, além da dor, não sobra nada

Viver tua ausência é também tortura
Ansiar, te desejar com tamanha urgência
Saudade tem um quê de loucura
Quando o que se sente é uma crise de abstinência
Uma dor que de tão latente rouba o sono
E aos que questionam um possível exagero, digo:
Zombem de mim, porque sim, EU AMO.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Google Imagens
Às vezes eu quero um descanso das palavras, porque, juro, é através delas que deixo fluir sentimentos com mais transparência e clareza. Com mais verdade. É através delas que encaro as respostas para as perguntas que insistem por dentro, porque só escrevendo perco completamente a discrição e o pudor, deixando de lado a razão para encancarar sensibilidade. Disse e repito, as palavras são meu alento. Mas são também meu tormento. Me sinto escravizada pelas letras, talvez esse seja o ônus de muito sentir. O turbilhão de sentimentos passa a ser e ter mais sentido (verbo, substantivo), quando é passado para o papel. Eu sinto muito por não fingir, embora doa: às palavras eu sou fiel.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Veneno

Para a minha metade mais interessante, Mariana.


Diametralmente opostas
Docemente crueis
Inocentemente irônicas
Numa constante inversão de papeis


Incrivelmente parecidas
Para elas não há soro nem antídoto
Destilam seu veneno com maestria
O nome delas poderia ser PERIGO


Virgem e escorpião
Um poço de sensibilidade e contradição
Inspiram rimas em poesias
E versos em alguma canção


Elas se conformam em ser
Tanto razão quanto melancolia
Mas o seu maior orgulho e prazer
É desvendar todas as suas mentiras.

domingo, 17 de junho de 2012

Há algum tempo descobri que coisas inesperadas acontecem se a gente estiver disposto e aberto. Mas às vezes o acontecimento não é mais o bastante, porque esse inesperado não faz mais o coração bater, não coloca um sorriso no nosso rosto, sequer surpreende.  Por vezes, só assusta. Porque já passou tempo demais, porque a surpresa está na sua reação, não no evento inesperado em si. De tanto me acostumar com finais, não consigo crer em recomeços. Talvez isso soe um pouco triste e amargo, mas tentar não é do meu feitio, não quando já se passaram as fases da decepção e da mágoa. A fase dos vazios. Não quando o que sobrou do nó no peito foi uma vaga indiferença, que poderia facilmente ser substituída por nada. Porque de tudo o que aconteceu foi isso que restou.
Então, dispenso qualquer palavra. Para mim tudo isso já passou. Convivi muito bem com ausências durante um longo tempo e já preenchi o espaço que sobrou. Não quero mudar o roteiro. Há tempos esse foi o final da cena: acabou. E se acabou foi porque não valeu a pena.


Para vocês que dividiram histórias comigo. E para quem dispensou uma amizade e achou que uma mensagem bem escrita resolveria alguma coisa. É isso.