Digamos que seja mais um monólogo.
Só escuto, atenta.
Quase um mantra, uma meditação.
Uma forma de consolo.
Fico sempre à procura de uma nova entrevista, um novo ponto de vista que quase sempre se alinha com o meu.
A cada nova descoberta entro em êxtase porque ele se parece MESMO comigo.
De Jeff Buckley, Jesus and Mary Chain, Cowboy Junkies a, tcharam, MADONNA. Sim, ela que há 2 anos não sai dos meus mais ouvidos do Spotify.
Nas palavras dele: " eu não gostava muito dela não, respeitava, mas esse último disco é sensacional."
E ainda é. Mais de 30 anos depois.
Não à toa ele regravou Cherish.
Como quando ele fala sobre as propagandas ridículas dos Estados Unidos e eu só replico, doida, como se ele estivesse me ouvindo: 'eu sempre, sempre digo isso'
*
"O povo brasileiro é a coisa mais querida do mundo. É o que vale."
Ai, Renato..."e é sempre só você que me entende do início ao fim..."
Brasil.
E cito Caio, a quem também recorro:
"Então vem o inverno, e a neve (as temperaturas do início de fevereiro aqui foram literalmente siberianas), e essa gente fria, e essa língua. Me veio vindo aos pouquinhos, não sei bem de onde, um amor tão desesperado pelo Brasil. Desesperado é o adjetivo. A um ponto que, com aquele accent de João Gilberto, a música que mais cantei aqui — baixinho, só para mim mesmo — nesse tempo todo foi “isso aqui ôôô, é um pouquinho de Brasil iáiá”, quando via algo ou alguma coisa que me lembrava o Brasil."
Meu Deus, ele escreve o que eu sinto.
Brasil. Só a gente sabe e sente. E quando acho que estou me perdendo de mim, incapaz de ser plena em outro idioma (e quando digo plena, me refiro a ser sarcástica, irônica, debochada e até mesmo poética), eu me agarro às minhas raízes, faço questão de esquecer as lições do curso de inglês, abuso das vírgulas, não sou concisa, mantenho os períodos extensos, sem medo de confundir quem me lê.
Parece até uma incoerência eu citar tantas referências, mas é que eu entendo inglês, mas eu não sinto. Quase como enxergar e não ver.
E quando eu falo de Renato Russo, de Caio Fernando e em português não é só pra você entender.
Misturo os assuntos, literatura e música, mas tudo é arte e nem precisa de um porquê.
Esse é o meu jeito meio torto e bem latino de traduzir o que me move, o que me toca de verdade:
Um amor à distância preenchido de muita saudade.
"O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus." (Oswald de Andrade)
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