segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Perceber o quanto mudei 
Não apenas pelas fotografias em si
Mas através dos meus textos 
As palavras dizem muito sobre mim




quarta-feira, 19 de novembro de 2025

"Com quem você quer falar por horas e horas e horas?"

Digamos que seja mais um monólogo.
Só escuto, atenta.
Quase um mantra, uma meditação.

Uma forma de consolo.

Fico sempre à procura de uma nova entrevista, um novo ponto de vista que quase sempre se alinha com o meu.
A cada nova descoberta entro em êxtase porque ele se parece MESMO comigo.

De Jeff Buckley, Jesus and Mary Chain, Cowboy Junkies a, tcharam, MADONNA. Sim, ela que há 2 anos não sai dos meus mais ouvidos do Spotify.
Nas palavras dele: " eu não gostava muito dela não, respeitava, mas esse último disco é sensacional." 
E ainda é. Mais de 30 anos depois. 

Não à toa ele regravou Cherish.

Como quando ele fala sobre as propagandas ridículas dos Estados Unidos e eu só replico, doida, como se ele estivesse me ouvindo: 'eu sempre, sempre digo isso'

*

"O povo brasileiro é a coisa mais querida do mundo. É o que vale."

Ai, Renato..."e é sempre só você que me entende do início ao fim..."

Brasil. 

E cito Caio, a quem também recorro:

"Então vem o inverno, e a neve (as temperaturas do início de fevereiro aqui foram literalmente siberianas), e essa gente fria, e essa língua. Me veio vindo aos pouquinhos, não sei bem de onde, um amor tão desesperado pelo Brasil. Desesperado é o adjetivo. A um ponto que, com aquele accent de João Gilberto, a música que mais cantei aqui — baixinho, só para mim mesmo — nesse tempo todo foi “isso aqui ôôô, é um pouquinho de Brasil iáiá”, quando via algo ou alguma coisa que me lembrava o Brasil."

Meu Deus, ele escreve o que eu sinto. 

Brasil. Só a gente sabe e sente. E quando acho que estou me perdendo de mim, incapaz de ser plena em outro idioma (e quando digo plena, me refiro a ser sarcástica, irônica, debochada e até mesmo poética), eu me agarro às minhas raízes, faço questão de esquecer as lições do curso de inglês, abuso das vírgulas, não sou concisa, mantenho os períodos extensos, sem medo de confundir quem me lê.

Parece até uma incoerência eu citar tantas referências, mas é que eu entendo inglês, mas eu não sinto. Quase como enxergar e não ver.

E quando eu falo de Renato Russo, de Caio Fernando e em português não é só pra você entender.
Misturo os assuntos, literatura e música, mas tudo é arte e nem precisa de um porquê.

Esse é o meu jeito meio torto e bem latino de traduzir o que me move, o que me toca de verdade:

Um amor à distância preenchido de muita saudade.

"O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus." (Oswald de Andrade)






Outros olhos
E armadilhas

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Às vezes, por alguns segundos, paro de respirar
Estou em terra firme
Sinto meus pés tocarem o chão
Mas ainda tenho medo de me afogar

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

É que nas gavetas só havia cores sóbrias. E, ao passar pelos cabides, não sentia calor. 
O inverno invadia o armário, mesmo tendo se despedido há pouco do verão.

Ao pisar na varanda, sentiu o sol aquecer sua pele e quase se surpreendeu com a sensação.
E projeta que sairá mais de casa, que desbravará o mundo ao redor. 
Em vão.

Até que chegou à última gaveta. Que surpresa! 
Tons de céu, pôres de sol, jardins em estampas que lembravam uma outra estação.

A primavera resiste.
Ainda que tudo ao redor insista que não.

(As flores ainda estão aqui.
Estâo em mim.
Sei que estão.)

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O tempo me atravessa
E denuncia as marcas
Sulcos ainda finos que comportam estradas
Nos olhos, que mantenho abertos
E atentos
Na boca, moldada de tanto expressar 
Minhas glórias, minhas derrotas, 
Minhas palavras
Ao cantar, ao gritar, ao gargalhar
Ao fumar o cigarro que há muito não acendo

O tempo me atravessa
Feito flecha
Às vezes me acho mais sábia
Às vezes tropeço nos meus erros
Mudei muito
Já não danço tanto
Quase não escrevo
Cochilo entre o programa de tv
E as linhas de um texto

Mas me emociono
Trabalho duro
Ouço atentamente
E busco novas saídas
Acolho o encantamento diário
Mesmo estando mais distraída
.
No reflexo do espelho riscado
Minhas linhas a ele se alinham
Eu me revelo

A menina ainda está ali

É essa pele que habito
O meu ponto de equilíbrio
Eu me pertenço
Sou meu próprio centro
Eu sou plena de mim







quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025




Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Aquele instante
De genuína contemplação
Em que, sem motivo específico,
A gente sente
Profundamente
Que a vida tem sentido