quinta-feira, 27 de junho de 2024

"O fim do termo saudade como um charme brasileiroDe alguém sozinho a cismar..."


Sul-americana,
Brasileira
Mas mais que isso 
Carioca com sangue nordestino nas veias
O coração fértil
De mar e sertão
Que vibra ao som do cavaquinho
E do acordeon
Que chora ao ouvir Belchior
Em plena quinta-feira
Pela saudade
Pelo sotaque
Pela força da canção
Porque a sensibilidade é da minha natureza
Nasci com o olhar encantado do poeta:
Em tudo há beleza.

domingo, 12 de maio de 2024

Saudades do Rio, de Manaus, da minha mãe, do meu irmão, dos meus amigos.
Pensei no Brasil, em cada canto que meus pés desbravaram, cada paisagem que foi capturada pelo meu olhar e eternizada na memória, nas palavras.

Lembrei de alguns detalhes bem específicos... a rua da minha casa, os bares, as árvores.
O som do silêncio de um fim de tarde de domingo. 
O caminho de ida ao trabalho. 
O vento.
A língua portuguesa me invadindo 24 horas por dia.
Os encontros inusitados.
Gargalhar alto.
Os abraços apertados.
Falar e sempre ser compreendida. 

Tem algo diferente nas terras no hemisfério sul. As frutas tem mais sabor, as águas são mais pacíficas e as pessoas são mais genuínas.
Uma multidão de corações pulsantes de fúria e paixão.

América Latina.


terça-feira, 16 de abril de 2024

Ode à Roseana Murray

"Mesmo nos piores cenários há que buscar beleza. É o nosso ofício." (Roseana Murray)


Não encontro as palavras precisas para definir a grandeza dessa mulher em meio à dor, encontrando forças no sofrimento e fazendo de si mesma sua mais bela obra de arte... Há tempos não me comovia tanto. Com a barbárie, mas, sobretudo, com a resiliência. Ouvir sua voz repleta de paz, suas palavras preenchidas de esperança, sua fala inundada de poesia...Tamanha potência me trouxe inúmeras reflexões. Mais que isso: me fez olhar para dentro e reconhecer diversos momentos em que a expressão artistica foi a minha única alternativa. A minha salvação.
Roseana perdeu seu braço direito e, com ele, a mão com que escrevia. 
Garantiu que vai aprender a escrever com a mão esquerda, sem hesitação.


Quero essa entrega à delicadeza.
Quero essa lucidez, plenitude e inteireza. 
Quero esse comprometimento com a vida.

Quero cultivar esse olhar desacostumado, que mesmo em meio ao que há de mais trágico, ainda consegue se encantar.
O horror não resiste à beleza.
A poesia existe para nos salvar.

domingo, 24 de março de 2024

Houve um tempo em que as palavras me invadiam até mesmo nos meus sonhos. Num ímpeto desesperado, eu inaugurava mais uma folha em branco. 
As palavras estavam sempre à espera, prontas para a estreia. Eu era apenas o veículo, o meio pelo qual elas tomavam vida. A escrita já existia, cabia a mim apenas abrir as cortinas. 

Escrever sempre foi meu espetáculo. 
Pronta para a entrega, agora me encaro.

Escrevo para despertar.


Que eu possa me olhar nos olhos
E me reconhecer
Que eu saiba abraçar meu corpo inteiro
Complexo, marcado, imperfeito
E me ter
Que eu consiga rememorar o passado sem mágoas
Só para me compreender
Que eu saiba me entregar às palavras
Sem artíficios ou máscaras
Para que eu aprenda a me ler





quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Carnaval no Brasil
Eu, que nunca fui da festa, entendi
A graça das fantasias, a beleza nas ruas e avenidas
Cor e som que transformam cada dor e sofrimento em alegria
Um descanso da rotina cinza com confete e serpentina
Não há data mais colorida

Talvez seja por estar aqui
Mais saudosa do calor, da energia, da cidade que é a paisagem da minha vida
O lugar que nasci, o lugar de onde eu vim
Porque não é só pela folia
É o Rio em si
Que contagia
Que eterniza

O Rio, feito purpurina, não sai de mim




domingo, 24 de dezembro de 2023

Penso em 2024 sem expectativas. Talvez pela primeira vez na vida. Nunca fui de fazer muitos planos ou de imaginar grandes projetos, mas fins de ciclos sempre me trazem reflexões profundas. E esse ano, especialmente, não poderia ser diferente.
Eu não sou a mesma pessoa de janeiro. A maior diferença talvez seja o fato de eu estar muito consciente dessas mudanças, que não são apenas uma tentativa de convencimento, uma história que a gente conta para se alienar. Não estou me dando um tapinha nas costas até porque não acho que as transformações foram necessariamente positivas. 
Elas só foram urgentes.

Duas palavras me invadem enquanto escrevo. Consciência e presença. Talvez esses sentimentos aprendidos na marra tenham me ajudado a atravessar com alguma leveza todos os desafios impostos (e não foram poucos).

Além disso, compreendi a importância do outro. Seja pela falta, seja pela presença. Toda a dor e toda a alegria que tive esse ano foram pelos meus amigos. E pela generosidade de cada um que me estendeu a mão no meu momento mais difícil, deixando de lado o seu próprio sofrimento para ofertar amparo. Eu sou melhor porque carrego cada um deles comigo.

Sou grata pelo amor que me move diariamente, pelas conversas que temos, pelas dificuldades que enfrentamos juntos, pelos momentos mais triviais que compartilhamos e que, para mim, são tudo. O amor é gigante porque cabe nos detalhes, nas pequenas conquistas, na solidez da rotina.

Em vez de pensar sobre o que o próximo ano trará, penso nos pequenos grandes privilégios de viver 365 dias me encarando sem medo e com o suporte de pessoas maravilhosas, que romperam as barreiras de distância e tempo para se tornarem presença.

Espero viver um dia de cada vez ainda mais presente e comprometida com as minhas escolhas. Espero permanecer atenta, aberta e disposta a mudar o meu olhar. Pensei em escrever sobre me reinventar, mas não é sobre isso. É sobre reconhecer quem eu sou e, sobretudo, me respeitar.