sábado, 27 de maio de 2023

32 anos. 
E hoje fico meio apreensiva com a chegada das sextas. Prenúncio de fim de semana, com todas as possibilidades que ele traz.
Para mim, mais uma sessão de terapia. Eu, à beira de mim. Eu, que a cada dia mais me surpreendo com o tanto que me desconheço.
Sempre aquela angústia existencial: essa sou eu?
Houve um tempo em que achei que tinha total consciência sobre mim mesma.
Mas, pensando bem, tudo o que supus tive que repensar e demolir.
(É tão mais fácil acreditar nas coisas ruins
Já as boas...são tão boas como eu previ?)
E a gente atravessa a vida com uma pose de que tá-tudo-bem-tudo legal-tô-nem-aí.

Até que não está.

As coisas não se desenrolam bem assim.
O inesperado acontece.
Te estremece. Te coloca do avesso. E você se pergunta se em algum momento realmente soube de alguma coisa.
Spoiler: jamais.

Estou tentando aceitar o fato de que posso levar mais uma rasteira enquanto tento me reerguer.
Estou me adaptando ao não saber.

E, por mais estranho que pareça, acho que isso é crescer.








quarta-feira, 29 de março de 2023

Num momento você está gargalhando com seus amigos no intervalo da aula, no outro você perde um deles.
E não é uma perda qualquer. Você perde uma pessoa que foi essencial na fase mais difícil da sua vida, que cuidou, deu amparo e abrigo (literalmente falando). 
Que te acolheu e amou quando isso parecia ser impossível.
Quando penso em Rafael, imagino uma chama acesa. Ele tinha ascendente em áries e lua em sagitário, então é difícil criar uma imagem diferente. Mas ele era pisciano, então tinha aquele carisma que só um peixinho tem. Dói pensar nele porque não visualizo a chama apagada. Não consigo imaginar aqueles olhos verdes para sempre fechados. Não consigo imaginar não ouvir sua voz falando um palavrão. Não consigo imaginar sua boca sem aquele sorriso escancarado.

Tenho a sensação de que estou fugindo de qualquer coisa que me traga à realidade de uma vida sem ele.
De que não vou receber sua ligação no meu aniversário, de que não vamos nos encontrar quando eu for ao Rio. De que não vou brigar com ele pelo seu sumiço.

Crescer é isso? Acumular rugas porque o tempo não para de passar e enxugar as lágrimas por tudo aquilo que vamos deixando para trás? Como deixar para trás quem sempre foi presente?
Quem mora nas lembranças e faz parte da nossa história, de quem nós somos?
São muitas perguntas. Não ter respostas apavora...

Ra, coisa mais linda, acho que estou com saudade do futuro.
Me dá uma força nisso, por favor? Ilumina a gente com esses olhos lindos? Cuida de mim como você sempre cuidou? Preciso ficar bem em respeito a você. Porque eu estou aqui por você também. Por tudo o que passou eu agradeço. Não vou brigar com Deus, mas confesso que tô um pouco chateada. Mas vai passar, sempre passa. Você foi o meu primeiro amor real. E eu sempre vou ser grata por você ter me feito sentir amada e cuidada quando eu mais precisava. Agora a minha bicicleta tá sem rodinhas. Ando aos trancos, mas aos poucos encontro o equilíbrio. 
Obrigada pelo carinho, pela rabugice, pelo bom humor, pelo mau humor, pelas risadas e lágrimas. 

A amizade é um amor que nunca morre! 
E eu vou te amar para sempre.





domingo, 12 de março de 2023

Ao som de Cazuza

"Perto do fogo, eu quero estar perto do fogo."

A lua em áries rejeita o frio
Descarta o morno
Meu banho é quase pelando
Até no verão de edredom eu durmo
Sou mais feliz quando as cortinas se abrem
E anunciam um dia de sol
Fico para baixo em dias nublados
Meu corpo pede calor
Mãos e pés gelados
Porque a cabeça está em erupção

Mas o lugar mais quente do meu corpo
Também tem grande potencial de (auto) destruição
Ele é sempre vinculado à cor vermelha
Sangue, lava, fogo
Chamas
Por puro instinto
Por teimosia
Por impulso
Ele me guia
No mapa astral e na vida
Coração





quarta-feira, 8 de março de 2023

Há tempos não é um dia "feliz" porque traz à tona uma maior consciência sobre a condição de ser mulher e tudo o que isso abarca. Traumas, vulnerabilidades, fragilidades ancoradas.
A consciência de uma solidão (que nada tem a ver com companhia) que só é aplacada quando outra mulher nos ampara. E isso às vezes é difícil. Entender o nosso lugar, dar voz ao que nos cala, estender a nossa mão porque a outra mão não apenas afaga. Nas enormes diferenças que nos separam, em dias como hoje (infelizmente), nossas dores e angústias não apenas nos unem, mas nos retratam.
E é desolador que ainda seja assim.

Nesse sentido sou privilegiada.
Minhas mãos não estão atadas.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Aprender a olhar para dentro
Respeitar os meus processos
Aquietar os meus anseios
Domar os meus desejos
Respirar 

Ser otimista, mas não iludida
Ter fé na vida
Acreditar nos propósitos
Desconfiar de atalhos e do óbvio
Me entregar

Abraçar cada movimento
Observar cada pensamento
Intuir, sem paranoias
Ser o meu centro

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Tem gente que lê poesia
Mas não se sensibiliza
Tem gente que apenas adquire um livro
Pela capa bonita
Tem gente que folheia as páginas
Mas não as incorpora

Tem gente que diz amar a arte
Mas a arte não lhe toca

sábado, 31 de dezembro de 2022

Estou aprendendo a encontrar conforto na minha própria pele
O que não significa contentamento diário, pelo contrário
Alguns poços escuros eu me forcei a limpar
Para liberar espaço aqui dentro 
Para deixar a luz entrar

Significa que estou aprendendo a desapegar
A lidar com bagagens pesadas e a deixá-las pra trás
Significa que estou aprendendo a ser paciente
A sair do meu centro e voltar correndo para o meu lugar

Estou aprendendo a me ouvir mais
Eu, que vivo pelo que escrevo, entendo que muitas vezes preciso calar
Dar tempo ao tempo
Deixar tudo decantar
Respeitando os meus silêncios e vazios
Para fazer das palavras veículo
Que me conduz exatamente para onde eu deveria estar

Estou sendo dentro do possível
A cada dia me pareço mais comigo
E se hoje eu sei mais sobre mim
É porque deixei muitas certezas no caminho