segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Havia um descompasso entre mim e a cidade
Constantemente criava maneiras de partir
Mas a angústia que me mantinha ancorada 
Era porque eu não me sentia pertencente a mim
A paisagem nada tem a ver com o que sinto
Tudo ficou mais bonito quando transformei meu olhar
E me dei conta, ao me enxergar por dentro
Que quem faz de si mesmo o seu próprio centro
Encontra paz em qualquer lugar

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Há tanto a ser dito. Mas tudo me vem rápido demais, como um susto. Me toma, me arrebata e passa. Mal tenho tempo de alcançar as palavras.
E lembro de Drummond: "convive com teus poemas antes de escrevê-los."

É o que tenho feito.
Em tempos de isolamento, um abraço nunca foi tão necessário. Talvez por isso a data de hoje tenha tanto significado.
Adiamos as celebrações, reinventamos os encontros, criamos alternativas para manter firmes os vínculos, apesar das limitações de tempo e espaço.

À distância, tentamos nos fazer presentes.
Estendemos, ainda que remotamente, a nossa mão.

Amizade, em momentos difíceis, também é uma forma de resistência. 

Que os distanciamentos não desfaçam os laços, mas aprofundem os afetos.

Ter (e ser) um amigo nessa vida é mais que um presente.

É privilégio.

sábado, 18 de julho de 2020

Estava aqui, divagando pela madrugada, relendo textos, revisitando momentos. E pensei: se o nosso encontro não tivesse acontecido naquele dia de Rock in Rio, eu teria que achar nas palavras um jeito de te inventar. 
Você, minha companhia no bar, na varanda, na cerveja, no sorvete, no filme, na distância, no presente. Na poesia, na amizade, guardado debaixo de sete chaves. De algum jeito insuspeitado, transcendendo os limites do tempo e do espaço,  você já estava em mim. 

"Não sei porque nessas esquinas vejo o seu olhar."

Entre textos e entrelinhas, na música, nas rimas, você veio pra ficar.

Obrigada por compartilhar seus textos, suas histórias e essa jornada. 
]
Eu te escrevo esse texto como quem te abraça.

(Para Sergio, saudade sem data para expirar)

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Deixo um pouco de mim em cada texto
Meu coração mora nas palavras

quarta-feira, 1 de julho de 2020




"Me fiz artista sem plateia" (Sergio Fróes)

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Houve uma época em que eu detestava as minhas fotografias. Eu me achava feia, desajeitada, não gostava do meu cabelo, do meu sorriso. Eu não me enxergava na imagem nelas refletida, não conseguia me identificar com aquela pessoa que estava retratada.

Eu me sentia inadequada.

Eu não gostava do que eu via. 

Eu não gostava de mim.

As dores, os traumas,  as perdas. Todo o sofrimento experimentado me condicionou a atravessar os dias presa na zona de conforto, criando meus próprios artifícios para permanecer anestesiada. 

Eu me dei conta de que vivi minha vida guiada pelo medo. Medo do julgamento, medo do não pertencimento, medo de não ser amada. 

Passei boa parte da minha jornada buscando preencher os espaços vazios, tentando me sentir um pouco melhor comigo, quando, na verdade, bastava apenas um olhar mais atento.

O que eu sempre procurei lá fora, já estava aqui.

Porque o caminho é dentro.

E esse é só o começo. 

"Nós não estamos aqui para aprender. Estamos aqui para lembrar."

Eu não quero mais me esquecer.