sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Anunciação

Um sonho lúcido no último dia de janeiro. 
No meio da tarde, as folhas dançavam com o passar do vento, o sol me invadia, eu fitava o céu de um azul tão limpo. 

Fechei os olhos 

Então havia a casa, que não era conhecida, e um verde novo, jamais visto.
Tudo em volta era bonito. E a sensação era de plenitude, de pertencimento, de abrigo.
Queria sair para desbravar, mas algo impedia. Eu tinha que esperar.

E de repente tudo me soava familiar. Rostos e cheiros e muros e árvores e raios do dia mais ensolarado que eu jamais pensei poder testemunhar.

A água da cacimba era mais límpida. E a poeira da estrada levantava, terra batida.

A chuva (in)esperada caía sem intimidar o sol, que resistia. E de mãos dadas desenhavam no ar uma bandeira multicolorida.

Uma música desde sempre conhecida começava a tocar.

"Na bruma leve das paixões que vem de dentro..."

O sonho não era apenas um sonho. Era um prenúncio. Um poema. Um sinal.

Eu não queria acordar.




quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Vida que se renova em textos perdidos
A memória vacila, mas lá estão elas, página a página
Lembranças e ilusões em versos e rimas
As setas me indicam que não estou mais perdida
Meu reencontro comigo se dá através das palavras.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

2020

Todo dia é inédito. É uma página vazia num livro em aberto.
Somos protagonistas do nosso enredo. 
Desejo que possamos desempenhar com maestria o nosso papel, aquele que vem de dentro.
Sem plateia, sem aplausos, sem roteiro.
Viver é dar o melhor do nosso jeito.
Que sejamos íntegros e inteiros.
Que saibamos rir dos nossos erros e não nos vangloriar demais dos nossos acertos.
Que acolhamos os silêncios, os vazios, os abismos.
Que possamos nos olhar no espelho sem medo.
Com amor, cuidado e respeito.
Que sejamos sempre o nosso centro.

Que venha 2020.


Às vezes é preciso silêncio. Não apenas o de ouvir. Mas o de calar.

O silêncio que mantém a mente quieta.
O silêncio que inspira.
O silêncio que regenera.



quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O tom geral do ano foi de pessimismo. E isso ficou refletido na falta de inspiração, de leveza, de força vital.
Mas há algo em dezembro que não nos deixa esmorecer, por mais difícil que seja.
Há um ímpeto qualquer de esperança que nos impede de parar. Porque a vida é isso mesmo: altos e baixos, dias de sol, dias nublados. 
E seguimos em busca do arco-íris quando cessa a chuva; da aurora, depois da noite escura.
O importante é não se perder do caminho. 
E tentar encontrar beleza em meio aos espinhos.
E hoje, especialmente hoje, foi um dia bonito.

sábado, 21 de dezembro de 2019

E agradecer. Hoje só agradecer. Por Milton, Lô, Chico, Gal, Caetano, Gil, Bethânia, Rita, Ney, Moraes, Alceu, Zé, Geraldo, Pepeu, Baby, Oswaldo, Marina, Adriana, Marisa, Cássia, Zélia, Nando, Arnaldo, Renato, Frejat, Cazuza, Rodrigo, Marcelo, Mallu, Pethit.

É um privilégio estar viva e entender a língua  mais bonita. 


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Estranho encerrar esse ano tendo escrito tão pouco. Sinto como se eu tivesse perdido parte da minha essência, já que a escrita sempre me foi vital. Não sei se é pior o silêncio ou a falta de reconhecimento com quem eu era há 10 anos. Tenho medo de ter perdido o jeito, de ter endurecido tanto a ponto de afastar de mim as palavras.
É até difícil acreditar que um dia já escrevi com tanta fluidez. Bastava o sentimento, um olhar mais atento, bastava a paisagem. E lá vinham elas, de mãos dadas. Hoje sobra silêncio, falta coragem. 
E entre abismos e vazios, calei meu grito. 
Só agora, em meio à escassez, me dei conta de como era bonito.