"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro." (Fernando Sabino in O Encontro Marcado)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
"The only way out is through."
Fui arrebatada de imediato, após passar os olhos pelo ponto final. Ele indica tão somente o término da oração, mas em mim desencadeia um sem fim de processos.
Aprendo um pouco cada dia. Inúmeros pensamentos, aparentemente desconexos, que comportam uma vastidão de anseios. Essa minha vontade de saber mais do mundo, de engolir de uma vez só - eu e essa fome de tudo. Que não me larga. Que me extasia. Que me deixa exausta. E que não sacia.
Choro um pouco todo dia. Porque me despeço de quem eu fui, me desconstruo e me reinvento. Sou uma aprendiz, admitir a minha completa ignorância é sinal de sabedoria? Descartes já dizia.
As urgências, as epifanias.
Esse mergulho por dentro, essa necessidade de ser inteiro, de arriscar o voo, ainda que haja medo.
Porque o enfrentamento é a única saída.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
"E porque não dissemos nada, não podemos dizer nada." (Maiakovski)
Mergulhei em meus silêncios para enfim admitir que me escondi nos meus textos por muito tempo. Tempo demais.
Das figuras de linguagem, gostava das metáforas.
Dizer o que precisava ser dito, minimizando a exposição, procurando escolher com precisão as palavras.
Isso me custou tanto, estou exausta.
Porque do sentimento não se esquiva.
E aprendi que tudo começa com um pensamento (menos com a terapia, mais com a lisergia).
Dava voltas e voltas ao meu redor quando o que eu precisava mesmo era mergulhar nesse abismo sem fim. Nesse caleidoscópio de emoções complexas e contraditórias.
Eu, dentro de mim.
Sempre fui comedida porque tinha receio de ser exposta. Nunca quis me perguntar: sempre tive pavor da resposta. Perdi muito e me blindei. Por medo.
Medo.
Medo.
Medo.
Agora rascunho essas palavras na página em branco. E repito na frente do espelho (três vezes para exorcizar).
Essa busca exige de mim mais força do que eu poderia imaginar (lágrimas caem enquanto escrevo).
Não posso mais desenhar meus versos só pelo egoísmo de rimar.
Eu preciso de mais. Preciso da liberdade de ser.
Porque coragem mesmo é se enfrentar.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Hoje eu li um texto da Flávia Melissa logo após ter uma conversa lúcida com uma prima querida. Me dei conta de que tudo, absolutamente tudo converge. Não há acaso ou coincidência. Despertar é um processo, os sinais estão visíveis àqueles que estão de olhos abertos. E como dói olhar.
A astrologia me adverte sobre a volta de Saturno. Eu sinto o "envelhecer" embora esteja lutando bravamente com a ideia de encaretar. Já não consigo atravessar a madrugada, o álcool exige a alternância com a água e me obrigo a me movimentar nem que seja só por hoje.
Só por hoje.
A Flávia falou sobre a necessidade de matar que fomos para seguirmos sendo (ao menos entendi desse jeito). Ser. Constantemente. Ardentemente. Sem idealizações ou exigências mirabolantes. Todo o resto é armadilha do ego.
E lembro de outra luzinha do Universo vinda da série que assisti, o personagem falava exatamente assim:
FUCK THE FEAR.
Foda-se o medo.
Medo é perda de amor e de tempo.
E viver requer coragem.
sábado, 19 de janeiro de 2019
Uma fotografia não consegue capturar as transformações experimentadas nos últimos 10 anos.
A roupa que já não é tão atual, ganho ou perda de peso, corte de cabelo. Tudo isso está na superfície, naquilo que é mais raso, mais trivial.
O maior desafio é se enxergar por dentro.
Compreender que a idade é só uma armadilha do tempo.
Maturidade tem pouco a ver com aniversário ou certidão de nascimento.
É ter orgulho da sua história sem romantizar seus acertos, tampouco demonizar seus erros.
Porque tudo, absolutamente tudo depende da nossa perspectiva. Da maneira como a gente aprende a lidar com o que há de mais belo e sujo na vida.
Não tente se comparar com quem você foi um dia.
A imagem é distorcida.
O presente, por outro lado, é o melhor espelho: ele dá a dimensão precisa de quem se é neste exato momento.
As paredes do quarto não me aprisionam. Transito muito bem entre o claro e o escuro. Eu tenho o poder de iluminar o meu dia e para isso não preciso acender a luz ou abrir as cortinas.
Tenho uma mente inquieta, um coração pulsante e a magia das palavras, com as quais ando de mãos dadas.
Enxergar beleza na rotina talvez seja o maior propósito de estar viva. Porque só o olhar desacostumado é capaz de transformar a realidade em poesia.
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