quinta-feira, 23 de maio de 2013



The Virgins Suicides


O tempo enfeitou a dor. E tratou e transformar as cicatrizes em adorno. (Quem tem dentro de si alguma sutileza, enxerga o belo no inusitado, inclusive na tristeza).


(Em 30/03/2013)
Lembranças naufragadas, palavras emanadas na vastidão dos silêncios que transformam o que era pouco em quase nada. A vida é ínfima, vê: somos apenas o tempo que passa.

(Em 21/05/13)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os meus olhos amanhecem num dia tão bonito que é quase incompreensível que os meus pêlos ericem de tanto frio. O sol ilumina tudo em volta, de alguma forma me reconheço no outono: impreciso, ele é a minha estação. Divago em meus pensamentos enquanto atravesso um tapete de folhas multicoloridas caídas pelo chão. Às vezes saio em busca de alguma inspiração, uma nova rima, quando, na verdade, aprendi a tecer paisagens além da minha retina. O que repousa dentro de mim também me motiva. E é vasto. Os meus dias cinzas e amargos eu pinto com poesia. Como escreveu Carpinejar, é até aceitável ter medo da vida. Agora ter medo de sonhar é covardia.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Anotações sobre um dia de treinamento

É mais fácil descartar. Abandonar. Começar do zero. Reconstruir é difícil, é necessário entender o que deu errado, reparar os danos para fazer dar certo. Dá trabalho. É exaustivo. Ainda assim é preferível reutilizar os esforços e juntar os cacos. Às vezes o que é realmente essencial está num detalhe, num pedaço. Isso sim é transformação.

(29/04/2013)
Sempre de partida e nunca acostumada (verto toda essa saudade em lágrimas).


São Paulo, 28/04/2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Vinte e poucos anos

A minha visão sobre os 20 anos: é assustador, porque desde os 15 só vejo o tempo passar depressa demais. E no meio do caminho a gente se pergunta: é realmente isso? Mas onde vai parar? Não para nunca. O mundo gira e você tá ali, parado no centro, tentando compreender. E se encontrar. Mas não há jeito certo, só se aprende com os erros. É o nosso jeito impulsivo, imediatista, desesperado, mas otimista. Não sei você, mas em meio ao turbilhão de sensações e pensamentos, continuo andando em direção ao que é meu. " O caminho se faz ao andar". Já não fujo e pouca coisa me apavora. Estou encontrando o meu lugar.

(Em 19/04/13)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Carta para alguém de dentro (ou dias cinzas)

À Marcela, minha alma gêmea dessa e de outras vidas.


Amiga, bom dia! Hoje amanheci com o vento balançando as cortinas e com a chuva inundando a manhã fria. Não pude deixar de lembrar de você, da nossa viagem que aconteceu num dia tão cinza quanto este. É quase impossível não pensar. Ou melhor dizendo, sentir. Amiga, aquela viagem foi muito importante pra mim, criou um marco na minha vida. Eu estava à beira do precipício e o resgate aconteceu porque mergulhamos, juntas, dentro da gente. Sinto uma certa nostalgia, falta daquela epifania, das descobertas, dos extremos que vivenciamos. Chegamos lá com uma chuva torrencial por dentro e voltamos com o sol interno aceso. Só queria agradecer pelas nossas mãos dadas. Por ser sempre aquela para quem remeto as minhas cartas. Me sinto em paz. O equilíbrio, até então perdido, em mim jaz. Te amo.

( Em 21/04/2013)