domingo, 12 de março de 2023

Ao som de Cazuza

"Perto do fogo, eu quero estar perto do fogo."

A lua em áries rejeita o frio
Descarta o morno
Meu banho é quase pelando
Até no verão de edredom eu durmo
Sou mais feliz quando as cortinas se abrem
E anunciam um dia de sol
Fico para baixo em dias nublados
Meu corpo pede calor
Mãos e pés gelados
Porque a cabeça está em erupção

Mas o lugar mais quente do meu corpo
Também tem grande potencial de (auto) destruição
Ele é sempre vinculado à cor vermelha
Sangue, lava, fogo
Chamas
Por puro instinto
Por teimosia
Por impulso
Ele me guia
No mapa astral e na vida
Coração





quarta-feira, 8 de março de 2023

Há tempos não é um dia "feliz" porque traz à tona uma maior consciência sobre a condição de ser mulher e tudo o que isso abarca. Traumas, vulnerabilidades, fragilidades ancoradas.
A consciência de uma solidão (que nada tem a ver com companhia) que só é aplacada quando outra mulher nos ampara. E isso às vezes é difícil. Entender o nosso lugar, dar voz ao que nos cala, estender a nossa mão porque a outra mão não apenas afaga. Nas enormes diferenças que nos separam, em dias como hoje (infelizmente), nossas dores e angústias não apenas nos unem, mas nos retratam.
E é desolador que ainda seja assim.

Nesse sentido sou privilegiada.
Minhas mãos não estão atadas.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Aprender a olhar para dentro
Respeitar os meus processos
Aquietar os meus anseios
Domar os meus desejos
Respirar 

Ser otimista, mas não iludida
Ter fé na vida
Acreditar nos propósitos
Desconfiar de atalhos e do óbvio
Me entregar

Abraçar cada movimento
Observar cada pensamento
Intuir, sem paranoias
Ser o meu centro

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Tem gente que lê poesia
Mas não se sensibiliza
Tem gente que apenas adquire um livro
Pela capa bonita
Tem gente que folheia as páginas
Mas não as incorpora

Tem gente que diz amar a arte
Mas a arte não lhe toca

sábado, 31 de dezembro de 2022

Estou aprendendo a encontrar conforto na minha própria pele
O que não significa contentamento diário, pelo contrário
Alguns poços escuros eu me forcei a limpar
Para liberar espaço aqui dentro 
Para deixar a luz entrar

Significa que estou aprendendo a desapegar
A lidar com bagagens pesadas e a deixá-las pra trás
Significa que estou aprendendo a ser paciente
A sair do meu centro e voltar correndo para o meu lugar

Estou aprendendo a me ouvir mais
Eu, que vivo pelo que escrevo, entendo que muitas vezes preciso calar
Dar tempo ao tempo
Deixar tudo decantar
Respeitando os meus silêncios e vazios
Para fazer das palavras veículo
Que me conduz exatamente para onde eu deveria estar

Estou sendo dentro do possível
A cada dia me pareço mais comigo
E se hoje eu sei mais sobre mim
É porque deixei muitas certezas no caminho










sábado, 24 de dezembro de 2022

Desci, sozinha, coisa que nunca faço 
Procurei um lugar em que o sol me abraçasse por inteiro
Lagarteei
Passei um bom tempo apenas encarando o céu límpido
As folhas dos coqueiros dançando com o vento frio
Poderia dizer que o dia está lindo
Me parece pouco
São por esses momentos triviais que vale a vida

Refleti em meio à beleza:
É no silêncio que as palavras me acham
É os momentos em que estou mais distraída
Que eu me entrego à poesia

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Hoje escutei uma música inédita
E, por tamanha beleza, não consegui me conter
Talvez seja apenas disso que eu precise para viver
Essa certeza
De que ao ler cada palavra dita
Ao ouvir cada rima e melodia
Só por falar de amor
Vou pensar em você

(Ouvindo Songbird)