quinta-feira, 21 de julho de 2022

Li sobre as palavras não serem território, mas um lugar para onde voltamos, de vez em quando. Achei bonito.
Pensei sobre isso.
A escrita já não é mais o meu lugar fixo. 
E por mais triste que possa parecer, sinto que esse sempre foi o destino:
A liberdade. 
Minha e das palavras.
Sem exigências, sem forçar a barra.

E aí, quando um texto acontece, eis o encantamento
Porque escrever é uma espécie de mágica.



quarta-feira, 20 de julho de 2022

Quantas risadas cabem numa lembrança?
Quanta história carrega uma memória?
É impossível medir a intensidade da alegria sentida por meio das fotografias.
É porque os abraços não atravessam as telas.
E as palavras são diferentes quando ditas na ausência.
As músicas que eu escuto não soam a mesmas quando estou sem eles.
Como explicar?
Como mensurar?

Eles realmente me conhecem
Do pior ao meu melhor, entre quedas e quebras, erros e acertos
E me amam assim mesmo porque me respeitam e me aceitam
Que milagre é ter um amigo
Que privilégio é saber que eles estão aqui comigo

Há 2, 5, 10, 20 anos...
Essa é uma das coisas de que eu mais me orgulho
Eu tenho os melhores amigos do mundo.

sábado, 25 de junho de 2022

Sempre tive medo de falar que sou escritora.
A escrita é, para mim, um ofício tão sagrado, que sempre carreguei comigo o receio de maculá-lo.
Não soa um pouco prepotente?
Talvez a questão seja o comprometimento com essa escolha.
Bater no peito, sem falsa modéstia, e assumir que escrever talvez seja uma das poucas coisas que realmente me dá prazer.
As palavras sempre foram o minha forma de entender.
Porque esse é o meu olhar. Sempre foi. Meu jeito de contemplar, de me conhecer, de ressignificar.

Apenas escrevendo eu enxergo propósito, sentido em ser.
Na escrita eu encontrei o meu lugar

domingo, 19 de junho de 2022

Manaus


Não foi amor à primeira vista. Precisei de mais tempo, como tudo na minha vida. Maturei o meu olhar, passei a arriscar alguns passos além das quatros paredes que encerravam meu quarto. Tudo para ver o sol se pôr. Colecionava esses registros diariamente, aos poucos fui me sentindo integrada à cidade que eu quase desconhecia (e rejeitava), porque apenas a enxergava sob uma perspectiva.
Eu me permiti mudar a ótica e construir novas memórias. 
O legado: muitas lembranças e histórias.

E aqui, num outro país, a gente tende a fazer comparações, a enxergar muitas diferenças, mas hoje não quero me ater a elas.

Porque eu sinto falta de pupunha, de beber cerveja no Largo, de andar pelo centro, dos bares, dos flutuantes, de decidir, num rompante, ir para Presidente Figueiredo.

Sinto saudade da varanda de casa, dos meus amigos, das noites sem fim, das manhãs de chuva, dos domingos de sol, de morrer de medo de entrar num barquinho, mas correr o risco só pelo privilégio de estar à beira da paisagem, contemplando a imensidão do rio.

Sou carioca, meu sotaque me denuncia onde quer que eu vá.

Eu, que durante muito tempo quis ir embora, consigo enxergar toda a beleza daquele lugar.


Coisas que a gente só percebe quando se sente pertencente.
Coisas que só a saudade aprimora.

Porque fiz de Manaus o meu lar.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Quanto de eternidade cabe na nossa vida
O silêncio cortado pelo vento
A dança das folhas irrompendo as cortinas
E o amor ao lado
Dois corpos cansados
Exaustos do que foi consumado

Lembro do dia em que a noite parecia infinita
E o rio, calmo, na sua imensidão de mar
Nenhuma luz acesa
Só estrelas para iluminar
E eu sabia que aquilo que eu via
Iria se eternizar

Quanto de para sempre cabe nos nossos dias
A nossa retina só registra
O que a memória insiste em lembrar
A gente sabe,
A gente sempre sabe, na hora exata, o que foi feito pra durar

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Setting sun
Full moon rising
The city filled with lights
Butterflies passing by
I see magic all around
Energy that shows through my eyes
My hair dances along the wind
The one I love is by my side

Alive:
That's how happiness feels like

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Os últimos raios de sol anunciando a noite
Um desejo de boa sorte
Chá de capim limão

Vento balançando as folhas das palmeiras
Comida pronta na geladeira
Sinais verdes

Prazos finalizados antes do almoço
O abraço dele me envolvendo durante o sono
Banho quente

Cabelo um dia depois de lavado
Dormir assistindo a um seriado
Não fumar cigarro há seis meses

O quinto dia útil trazendo o salário
Todo e qualquer feriado
O Nordeste

Pés descalços depois de andar de salto
Ser elogiada por um bom trabalho
Rir escandalosamente

Casa com piscina na Vivenda
Música dos anos 80
Amigos presentes

Encontrar a rima que eu precisava
Fazer mágica com as palavras:
Enxergar poesia em todos os prazeres

(obrigada, Brecht)