sábado, 5 de março de 2022

O universo da menina descalça era o seu quintal.
Ela desbravava o pé de jambo sem medo, com as mãos abraçava os galhos  e dava sempre um jeito de riscar os joelhos. Toda grande aventura deixa uma marca, não seria diferente com a menina descalça.

A vista de lá do alto era muito bonita. Dava pra ver um monte de fios cor de rosa esparramados pelo chão. Flores descabeladas que pareciam um tapete, mas não  limpava os pés borrados de tinta marrom.
A menina era destemida e encorajava a subida do irmão, que resistia.
Ela não sabia o que era solidão, mas sentia.
Muitas vezes apenas escutava o som da própria voz.
Sua melhor companhia.
Era bom estar distraída. Só se dava conta da pressa da tarde quando o sol se escondia sob o canto das cigarras.

A menina que buscava o topo mais alto das árvores descalça.
Ela ainda se incomoda com a prisão dos próprios pés.
Lá no fundo, ela queria ter asas.















quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Definições poéticas


Casa: lugar onde a gente se sente completamente à vontade para transbordar.

Desafio: é se permitir o desconhecido.

Possibilidade: é a recusa do 'não'.

Autoconhecimento: é uma rosa brotando na gente e rasgando tudo por dentro.

Rima: é a coreografia da palavra.

Escrita: palavras andando de mãos dadas.

Cachoeira: é quando o rio se entrega.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

"In the dark of night
Those small hours
I drift away
When I'm with you..."


Não lembro exatamente quando a ouvi pela primeira vez. Se durante o expediente, se no ônibus, no trajeto de volta para casa.

Mas lembro que já te amava. E eu não sabia o que fazer com aquele sentimento, com o frio na barriga, com o medo que me tomava o tempo inteiro.

"In the dark of night
By my side
I wish you were
I wish you were"

Tantas dúvidas, receios e anseios, apenas uma certeza: era você quem eu queria. E eu soube desde a primeira vez em que o meu olhar cruzou o seu naquele fim de tarde de terça-feira.

É quase surreal revisitar esses momentos quando escuto a sua voz ou sinto o seu cheiro.

Relembrar uma época em que o que eu mais queria todos os dias era ter você comigo.

Parece mesmo que os sonhos se realizam. 








sexta-feira, 28 de janeiro de 2022



Que o meu olhar seja amoroso e menos crítico
Que as palavras que saem de mim sejam motivo de inspiração e riso
Que eu não me deixe tomar por impulsos de raiva
Que eu aprenda a ter calma
Que eu nunca me esqueça de que ao apontar o dedo para alguém, tenho três apontados para mim
Que eu tenha paciência com meus erros e que eu me orgulhe mais dos meus acertos
Que eu saiba estar presente em ideias e ações
Que eu não seja tomada pela pressa
Que eu respeite os meus limites e aprenda a dizer não
Que eu receba cada pensamento como uma reflexão, não como uma definição
Que eu questione as minhas crenças e ponha em xeque as minhas certezas
Que eu tenha mais humildade
Que eu seja mais resiliente
Que eu lide melhor com tudo aquilo que foge do esperado
Que eu abra mão do controle
Que eu não me compare com ninguém além de mim mesma
Que eu acolha a dor, mas que eu não me apegue a ela
Que eu saiba sentir
Que eu saiba deixar ir
Que eu esteja sempre aberta para o que vem
E que seja sempre para o bem


(Amém)
Eu escrevo para abrir caminhos. 
Cada palavra dita é uma pedra removida dos muros que me circundam.
Cada pensamento que me toma vem inundado da sensação de que perdi muito tempo fugindo. 
Com medo de arriscar um passo além das minhas próprias cercanias.

A vida é vasta, o meu olhar é largo e preciso ver além.
Navegar é preciso
E é só atravessando o desconhecido que saberei mais de mim.


terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Queria ter capturado o pensamento que me ocorreu. Escalei a pedra, fiz uma pose.

'Que frio, guri'.
Deve ter sido isso.

Uma carioca-corumbaense-murtinhense (manauara?) com sangue nordestino é desacostumada. 
Mas é que eu ando em estado de graça.
Voltando um pouco no tempo, o agora parecia inalcançável. 
Sol em virgem, sabe? (olha a jovem mística rs). Tenho resistência a mudanças. Mas também sou regida por aquário e a minha lua é em áries, então, num ímpeto, eu vou. 

Não sei falar sobre o que esse ano me ensinou. 
Se em 2020 eu dei alguns passos importantes em direção à minha evolução pessoal, em 2021 eu entrei com tudo na contramão (e tá tudo bem, o processo não é retilíneo, hoje eu entendo e respeito isso)

Mas posso dizer que em meio a tantas perdas (coletivas e, sobretudo, pessoais), fui me dando conta de tudo aquilo que sempre foi muito mais difícil de gerir (ou digerir).

E transformar.

Crítica em construção. 
Inconformismo em vontade.
Julgamento em reflexão.
Medo em possibilidade.

Me pego no pulo, vacilo, me corrijo.
Entre quedas e quebras, o importante é continuar.

E deixar pra trás tudo aquilo que nos impede de chegar ali, naquele lugar.

Onde a gente consegue estar tão à vontade sendo quem a gente é, que tudo o que nos resta é simplesmente contemplar.



sábado, 11 de dezembro de 2021

Vegas' sky
Shocking blue that almost hurts our eyes
Deep and infinite as the sea
Impossible to reach
Or describe