sábado, 19 de janeiro de 2019

Uma fotografia não consegue capturar as transformações experimentadas nos últimos 10 anos. 
A roupa que já não é tão atual, ganho ou perda de peso, corte de cabelo. Tudo isso está na superfície, naquilo que é mais raso, mais trivial.
O maior desafio é se enxergar por dentro.
Compreender que a idade é só uma armadilha do tempo. 
Maturidade tem pouco a ver com aniversário ou  certidão de nascimento. 
É ter orgulho da sua história sem romantizar seus acertos, tampouco demonizar seus erros. 
Porque tudo, absolutamente tudo depende da nossa perspectiva. Da maneira como a gente aprende a lidar com o que há de mais belo e sujo na vida. 
Não tente se comparar com quem você foi um dia. 
A imagem é distorcida. 
O presente, por outro lado, é o melhor espelho: ele dá a dimensão precisa de quem se é neste exato momento.
As paredes do quarto não me aprisionam. Transito muito bem entre o claro e o escuro. Eu tenho o poder de iluminar o meu dia e para isso não preciso acender a luz ou abrir as cortinas. 
Tenho uma mente inquieta, um coração pulsante e a magia das palavras, com as quais ando de mãos dadas.
Enxergar beleza na rotina talvez seja o maior propósito de estar viva. Porque só o olhar desacostumado é capaz de transformar a realidade em poesia.
É da vida eternizar os momentos ainda que sejam efêmeros. 
Embora sejamos passageiros, temos o presente: ele é infinito.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

"I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived." (Thoreau)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Viver é mais que apenas suportar.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Temos o péssimo hábito de levar em conta os limites do calendário para mudar a nossa vida.
Estou cada vez mais certa de que não existe prazo ou data adequada para fazer aquilo que queremos, para traçar metas e, com determinação e persistência, cumpri-las.
Não há no depois momento perfeito. Condicionar os nossos desejos a um futuro intangível nos afasta de nós mesmos. Às vezes esquecemos, mas o amanhã é incerto.
Deixamos tudo nas mãos do tempo, enquanto o que se observa de fato é a pressa dos ponteiros.
A única realidade que temos é o presente.
Só o agora é eterno.
Todo dia pode (e deve) ser inédito.
Precedido de fogos de artifício, champagne, roupa nova e encantamento.
Que não percamos a vontade de fazer dar certo. 
Anseio que cada instante seja de estreia.
E que o ano inteiro seja vivido como se fosse dia primeiro.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
dependimentos demais
e tarefas muitas —
os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não que as moscas iriam iluminar
o silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
que as moscas não davam conta de iluminar o
silêncio das coisas anônimas —
passaram essa tarefa para os poetas.
(Manoel de Barros in Concerto a céu aberto para solos de ave)