quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Porto Murtinho

Todas as lembranças me invadem com clareza. Ainda estou sentada na varanda, observando o correr raro dos carros na estrada de barro,  à espreita. 
Fazia longas caminhadas margeando o rio, contemplando os pores de sol, guardando para sempre a paisagem. Eram outros tempos, mais simples, repletos de leveza e verdade.
Consigo sentir o frio de julho, o cinza daqueles dias não me entristecia. Eu amava a cidade, suas nuances, suas cores, seu clima. A praça, a escola, as festas, o fim de infância mais bem vivido que eu poderia desejar. Tinha amigos, uma bicicleta, tereré e a melhor trilha sonora para embalar.
Eu sabia que uma história de amor iria começar no segundo que coloquei meus pés ali. 
Eu senti:
Era impossível ser menos que feliz.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

"Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto." (Caio Fernando Abreu in A Morte dos Girassóis)
A lente não captura nosso avesso
Nos mostramos incompletos
O lado de dentro é invisível ao espelho
Só nós nos sabemos
Fragmentos de um todo
Inteiros

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Amor é pra ser leve
Sem amarras, sem preconceito, sem medo
Amor só nasce em liberdade
Transcende quando se é verdadeiro
Amor não é busca pela metade
É estar tão completamente à vontade
Que só te resta ser inteiro

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

"Resistimos, aos trancos, já nem sei se foi escolha ou solavanco. Difícil arrancar uma certa lucidez disso tudo." (Caio F.)

Não sei dizer como nem o porquê, mas tive notícias de você. Você, cujo nome até pouco tempo eu me recusava a dizer.
Porque havia mágoa ainda e, sendo bem honesta, ela não estava bem resolvida. Era tão mais fácil odiar que entender. E eu fiz a minha escolha. 
Até pouco tempo as fotos ainda me assombravam. Consigo sentir a vertigem, a náusea, o desespero quando me vi encarando a tela rosa a sós no meu quarto. Mil punhais atravessaram meu peito e não houve jeito: a semente do rancor foi plantada. E ao custo de muitas lágrimas derramadas, ela cresceu. Ficou ali, criando galhos e raízes dentro de mim. A raiva é fácil demais de ser cultivada. Difícil mesmo é perdoar. E nem sei se essa é a palavra mais adequada.
Até hoje não compreendo os detalhes, mas houve uma escolha. Eu não sei de você. Não conheço a sua história, mas acreditei em tudo aquilo que me convinha. A gente faz de tudo para não se doer. Se convence, se consola com pequenas mentiras, depois se martiriza. A gente suporta para sobreviver aos dias. Eu enfeitei o sofrimento daquela escolha. Uma escolha tomada por duas pessoas. Uma escolha que não foi minha. E que me feriu profundamente pelo tanto de amor que havia.("Eu inventava uma beleza de artifícios para espera-lo e prendê-lo para sempre junto a mim.")
Nossos caminhos se cruzaram e durante muito tempo apontei dedos e insisti em achar culpados. 
As tais fotos sempre vinham sem aviso, como fantasmas, trazendo à tona aquele novembro arrastado.
Mas hoje eu vi uma foto sua e me surpreendi: não tive um pensamento ruim. 
Você passou de presença a passado.
Decidi, de uma vez por todas, cortar essa árvore de ressentimentos que crescia em mim.
Durante muito tempo você morou nos meus medos, inseguranças e anseios. 
De tudo o que ainda lembro, só uma não posso esquecer: o presente também é uma escolha. 
E a minha, assim como a sua, é ser feliz.

sábado, 4 de agosto de 2018

Eu me entrego por inteiro
Não há outro jeito
Não sei ser pela metade

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Eu sei mais de mim quando escrevo.