terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Dolores

"Yesterday was cold and bare, 
Because you were not there
Yesterday was cold 
My story has been told..."

Acordei, às pressas, de um pesadelo. Ao abrir as cortinas, deparei-me com o céu cinza, prenúncio de mais um dia típico de chuva nesse mês arrastado.
Até que fui arrebatada pela notícia. O escuro da tarde me invadiu por dentro; fazia tempo que não me sentia tão vazia.
E lembrei de quando escutei sua voz pela primeira vez. E me peguei sentada, aos prantos, debaixo do chuveiro, ouvindo aquele cd. "Something has left my life and I don't know where it went to."
Eu tinha 16. Você, 46.
Sol em virgem, lua em áries e tantos, mas tantos sentimentos que eu jamais consegui expressar com palavras. Então, por pura identificação, eu te escutava. E me sentia acolhida, abraçada, compreendida.
Sem saber, você me salvava.
Você se foi e me dei conta da ferocidade do tempo. E o tempo, apressado e implacável, não para, levando embora, sem avisos, quem um dia significou o mundo pra gente.
Guardo a beleza da sua voz no meu coração e carrego a poesia das suas letras comigo.
Obrigada por ter me feito companhia nos momentos mais difíceis da minha vida.
Ao te ouvir, não me senti mais sozinha.

"And I miss you when you're gone
That is what I do...
And its going to carry on
That is what I knew..."

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Belmonte

A cadeira de balanço na varanda, vovô assistindo tv na sala, a parede repleta de quadros e fotografias.
Acordar bem cedo e ser surpreendida com o cheiro do chá de capim limão fresco, colhido lá do quintal pela minha avó, acompanhado com um bem guardado pacote de bolachas sete capas. " É para minha filha", ela dizia. E prosseguia em seus afazeres, arrastando suas sandálias pela cozinha.
Não demorava muito para chegarem as visitas. Uma tia, um primo, um vizinho.
E ao adentrar aquela porta de alumínio e vidro, era possível ouvir o mais sincero e bonito "bom dia".
A casa quase sempre estava cheia, repleta de vozes, repartidas entre piadas e cantoria, acompanhadas de um violão, amor, risadas e poesia.

Ao anoitecer, o silêncio quase sempre reinava, só se interrompia pelo flanar do vento, pelo som dos carros, pelo barulho das cigarras. Eu, deitada na rede, fechava meus olhos. E contemplava. As luzes da cidade pequena ainda apagadas, as pessoas com suas cadeiras na calçada, tão alheias ao mundo e tão plenas de tudo. Era como sonhar acordada.
Junho era sinônimo de alegria. Alcanço daqui as bandeirolas coloridas que anunciavam as festas juninas. Sinto a madeira queimando, as chamas crepitando, mistura de fogueira com calor humano, me invadindo por dentro, me abraçando. O som da sanfona, zabumba e triângulo, mãos dadas, sorrisos estampados na cara, pés dançando. A música era só mais um pretexto para o encontro. Desconheço melhor descrição para a minha memória que essa: felicidade.
Sim, fui feliz e sabia. Carrego no olfato o cheiro de orvalho, a visão do céu mais estrelado, a pureza da vida simples e por isso mesmo mais rica. Eu vim de lá, do meio do mato.
Meu lar é no interior do sertão.
Trago ancorada no peito essa nostalgia sem jeito que tem até sotaque. 
Daquela casa de número 222, à beira da estrada, parti com muitas lembranças e poucas malas; mas deixei lá, sem pestanejar, um pedaço do meu coração. E muita, mas muita saudade.

sábado, 30 de dezembro de 2017

2018

Que a gratidão seja exercitada e sentida dia após dia, e não apenas mais uma palavra repetida em vão.
Que a espiritualidade propicie uma maior intimidade com quem somos, e que desbravar a nossa essência seja a nossa maior missão.
Que sejamos honestos, limpos, verdadeiros,  despidos de qualquer espécie de ódio ou preconceito, alinhados com nossos valores mais bonitos.
Que sejamos menos críticos com a imagem refletida no espelho e mais atentos ao que se passa por dentro.
Que saibamos não apenas pedir desculpas, mas sobretudo perdoar os nossos erros e os alheios.

Que mudanças positivas aconteçam TODOS os dias, sem data pré-determinada para começar.
Que o verbo a reger nossa trajetória não apenas no próximo ano, mas em toda a nossa vida seja este: AMAR.

Que a novidade não se restrinja a um dia no calendário, mas nos invada e preencha por inteiro.
Por essa razão, desejo um feliz crescimento.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

On ne change pas

On ne change pas
On met juste les costumes d'autres sur soi
On ne change pas
Une veste ne cache qu'un peu de ce qu'on voit
On ne grandit pas
On pousse un peu, tout juste
Le temps d'un reve, d'un songe
Et les toucher du doigt
Mais on n'oublie pas
L'enfant qui reste, presque nu
Les instants d'innocence
Quand on ne savait pas
On ne change pas
On attrape des airs et des poses de combat
On ne change pas
On se donne le change, on croit
Que l'on fait des choix
Mais si tu grattes la
Tout pres de l'apparence tremble
Un petit qui nous ressemble
On sait bien qu'il est la
On l'entend parfois
Sa rengaine insolente
Qui s'entete et qui repete
Oh ne me quitte pas
On n'oublie jamais
On a toujours un geste
Qui trahit qui l'on est
Un prince, un valet
Sous la couronne un regard
Une arrogance, un trait
D'un prince ou d'un valet
Je sais tellement ca
J'ai copie des images
Et des reves que j'avais
Tous ces milliers de reves
Mais si pres de moi
Une petite fille maigre
Marche a Charlemagne, inquiete
Et me parle tout bas
On ne change pas,
on met juste les costumes d'autres et voila
On ne change pas,
On ne cache qu'un instant de soi
Une petite fille
Ingrate et solitaire marche
Et reve dans les neiges
En oubliant le froid
Si je la maquille
Elle disparait un peu,
Le temps de me regarder faire
Et se moquer de moi
Une petite fille
Une toute petite fille
Une toute petite fille
Une toute petite fille

(Celine Dion)

sábado, 23 de dezembro de 2017

Liberdade é não ter um par de asas
E por pura teimosia insistir em voar.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Silenciar, quando o barulho interno é imenso. 
Aceitar, sem julgamentos, o seu avesso.
Autoconhecimento é o respeito consigo mesmo.

É voltar o seu olhar mais amoroso para dentro.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Fechei meus olhos e naquele momento me vi. 
Enxerguei algo além do reflexo acostumado, o qual encaro, repetidamente, no espelho do meu quarto.
Eu fechei meus olhos e, por um breve instante, me reconheci. 
Sozinha, enfrentei os meus medos
Desamparada, desassossegada, em desespero.
Aos poucos, me despedi de mim.
Eu morri para quem eu era. 
Abri os olhos.
E renasci.