terça-feira, 10 de maio de 2016

O que nos torna humanos são as nossas fragilidades, inconstâncias e delicadezas.

A vida é um sopro. Perdemos toda a mágica e beleza se não atentamos à sua essência.
Quando repousamos o olhar às miudezas que estão dentro de nós e à nossa volta, aí sim é que encontramos a verdadeira grandeza.
Há o belo e o sujo. Esse nos enoja, muitas vezes pode nos chocar. Aquele causa admiração, nos prende, nos atrai.
Viramos as costas ao que não nos convém.
Mas de nenhum deles podemos desviar o olhar.
A nossa função na vida é ser. Desbravar o dia a dia, mergulhar fundo quando muitas vezes é seguro ficar na superfície.
It ain't easy. Viver é para quem tem coragem.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

"Que coisa maravilhosa, exclamar. Que mundo maravilhoso, exclamar.
Como tudo é tão belo e tão cheio de encantos!
Olhar para todos os lados, olhar para as coisas mais pequenas,
E descobrir em todas uma razão de beleza.
Agradecer a Deus, que a gente ainda não sabe amar direito,
A harmonia que a gente sente, vê e ouve.
A beleza que a gente vê saindo das rosas; a dor saindo das feridas.
Agradecer tanta coisa que a gente não pode acreditar que esteja acontecendo."


(Manoel de Barros in Poesia Completa)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A cada dia que passa me torno mais parecida com quem eu almejo ser. À vida sou grata.
"Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades."

(Manoel de Barros)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Carrego comigo a vontade irremediável de ser pássaro - a tal liberdade de escolher um canto e mudar, num voo, toda trajetória.
Tenho essa necessidade irrefreável de não parar. O movimento me é inerente, como respirar. Antes eu me rendia ao medo, não sei porquê. O medo paralisa a gente sem que se possa compreender.
Trago comigo um bocado de anseios. Quero ser e estar na vastidão do mundo, do meu jeito. Sou nômade, mutável, eremita. Sozinha, mergulho no que há de mais profundo, desbravo tudo. Aprendi a me ter. Fiz de mim meu porto, meu refúgio. Deixo marcados meus passos, abandono caminhos, mudo minha alma de casa.
E insisto em sonhar, sempre: desenhei nas costas um par de asas.