quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015





Estou comigo e me basto.
Eu me tenho.

(ser quem sou dá muito trabalho e ocupa todo o meu tempo)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

quando há amor
o mundo gira
o dia cintila
há sol
há graça
há luz 
do olho que brilha ao mirar nele a retina

quando há amor
não há espaço para algo mais
porque o amor se basta
e satisfaz

quando há amor
não existe algo melhor para fazer
há braços, bocas e cheiros para sentir
e sonhos para dividir e viver

quando há amor
a vida tem muito mais sentido
a presença cura qualquer dor
traz paz
acabam-se os vazios

nada falta

(exceto a falta que você me faz) 

Saudade é a falta preenchendo espaços.
Saudade é saltar num abismo à procura de nada.
É mergulhar no vazio.
É reduzir o coração a mil pedaços.
E se cortar com os cacos.

Saudade é a dor enfeitada.
Saudade é não saber. 
Saudade é a escassez de tudo.


(saudade é ausência de palavras para descrever)



A chuva cai intensamente, mas não tenho pressa: deixo que pingos tracem sua rota sobre mim. Me sinto purificada com essa água que vem lá de cima, onde habitam as nuvens e os astros. 
Revigoro minhas energias.

Não temo tempestades ou trovões. Ou escuro que preenche todo o céu em dias tão cinzas.

O sol interno permanece aceso. É a luz de dentro que ilumina.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Delas

Às vezes me pergunto quem é você. Às vezes me questiono se esse amor que um dia eu senti era só por não saber.


 O escritor tem o poder de transformar o que sente em movimento e ação . A palavra pode até ter sentido sozinha, mas a sua beleza é escassa na solidão.  A palavra  nasceu pra rimar, para ser oração, encadear períodos.  A palavra é encantada, mas exige contato e calor.    
Só brilha em conjunção com as demais.                          
                                         
As palavras nasceram para andar de mãos dadas. A literatura traz essa magia, pois desse encontro às vezes surge o inesperado: amor.                                
                                          
Mas prefiro chamar de poesia.

Virgem


É que eu me peguei vendo algumas fotos antigas e me deu vontade de escrever sobre esse processo que eu, ingênua, pensava que não chegaria. Sinto vontade de acender um cigarro na varanda e ver a noite escurecer o dia, já que certamente não vou dormir tão cedo. O sono é mais difícil e raramente traz sonhos consigo.

As madrugadas me convidam a pensar, as luzes da cidade, a boêmia, até então íntima, não me são tão atrativas (e nem sou tão velha assim). Ocorre que a vida se encarregou de abandonar velhos hábitos, de reorganizar minha rotina. E isso não foi nem um pouco ruim.

Falo menos, ouço mais. Sinto que há um bloqueio inclusive no que tange à escrita. Preservo as palavras, elas são sagradas. Exponho apenas o que precisa transbordar. O essencial eu guardo pra mim.

Aprendi a ser seletiva com o que sinto. Contenho minhas lágrimas. O tempo é muito escasso, não me permito aprofundar dores e dissecar mágoas. Até porque consigo extrair alguma verdade no tal clichê de que "tudo passa".

Cuido de mim, preservo a paz e a reflexão dos meus momentos comigo. Rio sozinha, passo horas a fio pensando na vida, cantarolo minhas músicas, leio meus livros. Me desestresso fazendo faxina. Aceito a nostalgia. E me sinto mais viva.

Sem que eu percebesse muito em mim mudou. Penso e ajo de forma inimaginável há algum tempo. E também sei que não serei a mesma daqui a um segundo. Tudo que é vivido, ainda que difícil, serve de aprendizado.Tiro lições de cada momento. 
Nada é estável. Vivo as minhas transformações por fora e por dentro.

Não é à toa que o meu signo é mutável:

Estou ocupada demais sendo.