sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Guardar

"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar."


(Antonio Cícero)

terça-feira, 25 de novembro de 2014



"Baby, você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão..."

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Ao te escrever eu me compreendia. Tem sido dias cheios de sentimentos e pensamentos em demasia. Apenas passo por eles e pouco parece ter sentido. E eu me doo. Por tudo. E eu me pergunto, por que tão pouco? Quanto a mim, vivo contendo o que sinto, contendo cada sentimento mais intenso, tenho medo de deixar a barreira romper. Tenho medo de jorrar pra todos os lados, se me descuido um pouco, veja, deixo a lágrima rolar. Por tudo o que passou, por tudo o que eu sei, por tudo o que poderia ter sido e não foi. Certas pessoas não nasceram para águas mais rasas e calmas. Gosto dos pingos de chuva e do barulho do vento. Logo eu, que não temo tempestades, abrigo um mar aberto por dentro.
Menos pelos livros não lidos, pelos filmes interrompidos pelo sono, pelas músicas que toco e não escuto. Na verdade, nada dialoga comigo. A solidão cria tantas possibilidades mas eu insisto em seguir dizendo não na maior parte do tempo. É o meu ato de liberdade extremo. Sou quem sou. Mesmo não sendo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tenho essa mania de ficar em silêncio, entende? Não gosto de desperdiçar a poesia. Então tento ignorar a maior parte de tudo o que acontece por aí, por autoproteção, para não exagerar na sensibilidade, quando são muitos os demônios que vivem dentro de mim, afinal todo o dia é dia para se ter um pouco de paz. 
E eu não dou a mínima se você alcança o que tento dizer, passei tanto tempo ensinando os outros a me ler, que só agora consigo entender que sou repleta de entrelinhas. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Escrevo apenas para traduzir meus silêncios.
Quando descobrimos quem somos de verdade, tudo ao redor passa a ter menor importância. Sou o que me permito sentir e viver, por isso não me afeto como antes. Sou coerente comigo, não exijo demais de mim, e isso tem que ser o bastante. 


Não devo nada a ninguém, me basto em sendo feliz. Isso eu devo a mim mesma. Esqueço o passado. E sigo sempre adiante.