quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A vida é um abismo e só vale alguma coisa se você se arrisca a chegar mais perto e mais perto e mais perto, até pular. Viver é o pulo. E é incrível para quem enxerga além do vazio, porque todos possuem asas, mas só se atira e voa quem não tem medo de nada. Eu sou o meu maior perigo. Na linha tênue entre a loucura e a paz de espírito encontro meu equilíbrio. Só quem pula percebe como a vida é feita de riscos. Talvez por isso também seja um tanto mágica.

Em 25/11/2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

"Tudo aos poucos vira dia e a vida - ah, a vida - pode ser medo e mel quando você se entrega e vê, mesmo de longe.
Não, não quero nem preciso nada se você me tocar. Estendo a mão.

Depois suspiro, gelado.

E te abandono."

(Caio F. in Os Dragões Não Conhecem o Paraíso)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ontem

Mas é óbvio que busco a construção diária de novas histórias. Olho nos olhos de quem me olha para extrair alguma lembrança perdida, algum combustível para uma ideia, um pedaço com o qual eu teça retalhos. A escrita é detalhada: a palavra, encantada. Não suporto desperdícios. Sinto calor e quero o mar, o sal na pele, fogo em labaredas, brasa a queimar, chamas acesas. Os dias são quentes, há que se aproveitar. Nunca rejeitei bebidas, tomo o sol com sede, me sacia. E é com vontades irremediáveis que faço poesia.

*

O que te escrevo agora é silêncio.
Para mudar acolho a inspiração e teço linhas bonitas junto com a paisagem. O agora é minha estação. Agradeço por hoje. E por todos os dias que virão.

*

E eu faço preces diárias para que haja felicidade. Pra mim, pra você, pra que todos sejam contaminados com sorrisos. Sei que é difícil, de vez em quando a gente tropeça na melancolia, na tristeza ou na saudade e dá de cara no chão. Mas garanto que é fácil se reerguer quando alguém te dá a mão. E eu sou feliz porque minhas mãos estão entrelaçadas. Quando sobra amizade, garanto, nada falta.

(Em 15/11/2013)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sol(idão)




Há sóis comigo: estou bem acompanhada.

(Em 25/10/2013)

Domingos

Aprendi a respeitar os domingos e todos os vazios que trazem consigo. Compartilho o meu olhar lânguido e quase sempre sonolento com o pôr-do-sol insuspeitado do dia, tão característico. Há algo de diferente no domingo. Aprendi a compreender a nostalgia típica, os silêncios e os abismos. Gosto um pouco mais dos domingos: eles se parecem muito comigo.

(Em 03/11/2013)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dedicatória

Eu te dedico as minhas memórias, todas aquelas que me remetem ao que fomos um dia, à nossa história. Eu te dedico os filmes que vi, os livros que folheei e as cartas que te escrevi mas não mandei. Eu te dedico a minha saudade, que lateja como uma cicatriz no frio e cinza das tardes. Eu te dedico a chuva que caiu quando você passou pela porta e, sem olhar pra trás, foi embora. Eu te dedico as noites de outubro e as auroras. Eu te dedico a minha solidão, melhor companhia desde sempre, que se faz ainda mais presente agora.
Eu te dedico o cheiro dos nossos lençóis que ainda não lavei. Eu te dedico todas as vezes que me iludi e ainda assim tentei.

Eu te dedico os meus sonhos. Eu te dedico os meus planos. Eu te dedico todo o sofrimento que passei.

Eu te dedico as madrugadas insones. Eu te dedico as lágrimas que insistem em correr. Eu te dedico a minha sanidade e, sobretudo, a loucura de saber que eu amei.

Eu te dedico os meus dias. Eu te dedico a minha vida. 

Vida que é tão mais bonita e melhor sem você.


Para Beth.