sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Gratidão (ou o que vi aos 23)


Sou grata pela poesia, que me resgatou de mim mesma inúmeras vezes. Pelas palavras, que me possibilitam um melhor entendimento sobre aquilo que sinto e vejo. Pelo Deus que não se encerra nas religiões, mas que abraça todos aqueles que, assim como eu, acreditam. Pela fé que me faz acordar e dormir todos os dias com esperanças de ter uma vida sempre boa. Pelas mudanças: de humor, de casa, de emprego; minha suposta instabilidade me faz querer sempre o melhor. Pelos meus amigos, responsáveis pelo meu equilíbrio, sem eles eu não poderia agradecer por nada disso. Pela minha mãe, meu exemplo de dedicação e generosidade, não estou pronta para a maternidade e talvez nunca esteja, mas quero ser um modelo assim para alguém, um dia. Por ter apreendido o verdadeiro significado de família, ohana, nunca abandonar ou esquecer. Pelo Amor, sentimento e vocativo, sem amor eu andaria sem rumo, só o amor faz suportar, sofrer, cicatrizar e reamar. Por amar, simplesmente, sem óbices. A distância separa corpos, não ideais.

Aos 23 anos sou grata por ter aprendido a nunca deixar de agradecer. Muito e de tantas formas. Estou envelhecendo e sou imensamente grata à vida por me transformar a cada dia na pessoa que eu gostaria de ser.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013


O vento me ajuda a andar. Balança os galhos das árvores numa despedida do inverno. Faz frio nos dias de setembro. Ouço ruídos através dos vidros, às vezes pressinto que todas as paredes vão desmoronar. A gosto. Estamos deixando muito para trás. Transição, dê boas vindas à nova estação: prima ver o que há. Caminho pelo tapete de folhas espalhadas pelo chão. Não ouso acender um cigarro nessa cidade-solidão, tenho andado muito distraída, pode ser que eu deixe escapar pelos meus dedos as cinzas. Resquícios do que pegou fogo um dia. E apagou em vão.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

De repente o tempo passou e faltam apenas 4 meses para um recomeço. Essa ideia de novo ano é atrativa, embora esqueçamos que cada dia traz consigo outras chances. Novas tentativas. Essa pseudopoesia com um quê de autoajuda é direcionada a você que parece sem rumo. Que acredita ter desaprendido o caminho, achando que a vida confundiu as setas, mudando a direção. As placas sinalizam, a escolha é simplesmente seguir. Ou não. Mas os melhores percursos que trilhei e as maiores lições que tirei nessa estrada, te garanto, foram possíveis porque rejeitei o óbvio. Porque decidi seguir na contramão.

(Em 28/08/2013)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O verdadeiro escritor transforma palavras em possibilidades.

Notas sobre agosto

Jogue fora tudo o que é inútil. Não é possível passar por agosto carregando entulhos; certos pensamentos e sentimentos devem ser devidamente descartados. Esvazie-se. E dê um jeito de arrumar as malas. Fugir é permitido em agosto, embora os carmas desse mês de loucos insistam em te perseguir. Novos ares facilitam o processo árduo de suportar um mês tão arrastado. Durma. Muito. É de suma importância descansar em agosto. Evite falar. Abuse dos silêncios e da solidão. Agosto tende a ignorar palavras. Vale escrever: a escrita é um filtro e permite alguma sanidade em meio a tanta loucura. Let go. Desista, esqueça, se for o caso. Abrir mão é necessário. Pode chorar, se quiser. Pode romper laços e, por um breve instante, deixar de acreditar. Agosto é cético e cinza, de alguma maneira repleta de dor e esquizofrenia te força a mudar. Mas setembro está bem aí. Vamos no reerguer novamente. E mais uma vez tentar.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O meu Rio



Eu ando pelo centro da cidade como se costurasse meus retalhos, remendando memórias, bordando lembranças. Os meus olhos gostam do que veem. Tanto tempo. Quanto tempo. As pessoas continuam desfilando seus ternos, sua formalidade, e ainda assim parecem leves. Garanto, é fácil ser leve no Rio de Janeiro. Há sol. Há vento. Há verde. 
Há lugares para os quais fugimos sempre que há uma brecha no expediente ou mesmo na pausa para o almoço. A cafeteria OK parece mais cheia de gente e tem muito mais quitutes além do delicioso bolo de nozes. A Livraria Arlequim, no Paço Imperial, continua charmosa e possui raridades que vão desde uma coletânea  maravilhosa da Edith Piaf até um marcador de texto incrível com cenas antológicas da Mia Wallace, de Pulp Fiction.

Mas a melhor parte do Rio é que você faz amigos por causa dele. Amigos que são companhia para um museu, para um cinema, para um café, para um barzinho. O Rio é ainda mais leve por causa deles.

Então digo que estou encantada, depois de tanto tempo. Nunca me prendi a essa divisão de lados instaurada por causa da ponte. A vista é bonita aqui. E lá.

Certamente não tenho ponto fixo. Cada canto é um pouco eu. A minha reconstrução repousa  nesses fragmentos. Sou muito de todo lugar.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Eu vou saber

E eu vou saber o amor, em qualquer canto, em qualquer frase dita, em qualquer pedaço de lembrança esquecida, em qualquer lado, na escuridão e no silêncio dos dias. Nas músicas que transformo num meio de te aproximar ou quando choro porque quase ultrapassamos o limite do tempo - ficar tão perto de você, pouco antes de ficar longe, o que esperar...? Esquecemos que o avião é alheio a últimos desejos, ele precisa decolar. E, para você, eu tenho muita sorte no jogo que aprendi há pouco: você afasta qualquer maré de azar. Juntos, apenas bons fluidos. Para nós, apenas o infinito. Eu vou saber o amor. E sentir o cheiro, o gosto, a falta. E o prazer de me sentir completa e feliz. Eu só sei o amor porque acredito. E só sinto o amor porque me rendi.