segunda-feira, 7 de novembro de 2011


- Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.
(Caio F.)

Você me tem no nosso abraço mais apertado, no seu olhar quando estou com os olhos fechados. Quando você sorri quando eu falo tantas besteiras, sabe-se lá o porquê, você acaba achando graça. Não sei se já disse isso, mas o seu sorriso me desarma. Eu ainda me surpreendo com a taquicardia do meu coração. Basta te encontrar. Basta te tocar.


Você me tem nas mãos. Não ouse me soltar. 


Eu sinto o seu gosto, os seus dedos passeando pelo meu corpo. Eu sinto o seu cheiro o tempo todo. Eu te sinto como se você estivesse aqui. E você está. Mais do que perto, mesmo que longe: você está dentro de mim. Acho que você entenderia, mesmo que eu não dissesse uma palavra. 




A verdade é que sem você é muito difícil dormir.
A verdade é que em você eu encontrei a paz que eu preciso pra viver.
A verdade é que eu sinto a sua falta.
A verdade é que eu não existo sem você.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Suicídio

Cordas e nós
Nó no garganta
Coração apertado
Mãos atadas

As mãos que andavam juntas
Caminham sós
Era uma vez
Mãos dadas e pés que caminhavam lado a lado
Era uma vez nós

Alguém muito sábio disse
Que o que é pra ser tem que ser
O que não é, vira uma boa história
Uma lembrança, alguma memória
Uma nostalgia, algo pra se lembrar
Pra dizer que foi bom enquanto durou
Quanto a isso não há porque se lamentar


E me pediu pra guardar o canivete
Pra jogar fora os cigarros, pra esconder as bebidas
Disse que em amando eu deveria me armar

" Não mire esse revólver pro espelho
Não aponte a arma para a sua cabeça
Crie coragem pra puxar uma outra espécie de gatilho
A questão é amar, não morrer, não matar
É lutar pra ser feliz e livre
Não sofra, não se fira, não atire
Esqueça tudo, feche os olhos, respire fundo:
Atire-se."

Ao som de Marina

"E tudo que eu posso te dar/ É solidão com vista pro mar/ Ou outra coisa pra lembrar..."


Você bateu a porta ao sair. Bateu, sem cerimônia em fazer barulho, esquecendo que não estamos sozinhos no mundo, embora eu, há tempos, quisesse a solidão. Eu pedi, implorei. 
Você deu. Nem fez questão.
Saiu assim, virou as costas, me deixou a vontade com as palavras que eu dizia. Você sabe como sei ser ferina. E nada do que eu disse foi realmente necessário. Isso era o que eu queria, mas ainda assim, resistia. Mudança, medo, desespero. Eu perguntava, você não sabia responder. E perguntei das maneiras mais impensadas, perguntei sem verbalizar, perguntei com o olhar, com o jeito como passei a acender um cigarro atrás do outro. Pedi, perguntei, você não entendeu. E saiu, nos deixando a sós: eu e um pedido de socorro.

Você quebrou os quadros, partiu o espelho em mil pedaços, deixou tudo aos cacos. Tanta desordem, enquanto tentava me recompor em meio ao caos. Sequer sinto a sua falta. Olho tudo ao redor e não entendo como chegamos até aqui. Olho tudo em volta e não sei porque me permiti chegar até aqui. Aqui: e não sei exatamente onde isso é.

O que nós fizemos? Quando nos perdemos? Não sei ler entrelinhas, não reconheço finais, desconfio de como seja, mas...será mesmo assim? Será que o fim não é tomar nenhuma atitude drástica? Será que é simplesmente não se importar ao ponto de fazer algo e apenas...deixar ir? Como se não houvesse equilíbrio, você pega um punhado de areia na mão e não consegue retê-la. Deixa os dedos muito separados. Ou fecha demais o punho. O que há com nós dois, amor?


De qualquer forma, sentei na varanda, abri as janelas, deixei o vento entrar, o sol invadir a casa. Não me permito deixar tudo cinza. Seja como for, você vai voltar. Nem que seja pra arrumar as suas coisas e ir embora. Você vai voltar. E quando isso acontecer, vou encher a sala de flores, acender incensos, colocar uma boa música pra tocar. Vou fazer uma limpeza geral, tirar o pó dos móveis, trocar o tapete da sala. Vou me perfumar com alfazema e colocar meu vestido mais bonito. Só pra te dizer adeus. Só pra você me olhar. Só pra ver a sua cara ao sair. Da sala, pela porta, da minha vida. Não olhe pra trás, não precisa falar nada, você só vai me ver sorrir.

Esse é o meu jeito de estragar as coisas. Esse é o meu jeito de te deixar partir. 

E Marina Lima, ao fundo, te dizendo o que você nunca vai entender:

As coisas não precisam de você.


Era só o que você precisava ouvir.

sábado, 15 de outubro de 2011


"Square one, my slate is clear/ Rest your head on me, my dear/ It took a world of trouble, it took a world of tears/ It took a long time to get back here."

(Tom Petty)


Passado? Não penso nele com saudosismo, sequer melancolia. Olho com orgulho simplesmente. Não é sempre que você olha para o resultado da sua vida e pensa que valeu a pena. Cada dor, cada lágrima, cada ferida. Negativas, não é? Sempre pessimista com um quê de falsa sabedoria. E eu não sei de mais nada.
E eu me indagava sobre a fuga das ideias expostas em versos ou prosa, quando apenas elas conseguiam me expressar, me definir, me encantar. Ausências. Sequer falta inspiração...Às vezes o que a gente sente não cabe em palavras. Já não sei mais se quero que, em escrevendo, me dissequem, me decifrem, me devorem. Ah, as palavras...desde sempre presentes, mesmo distantes. E isso apavora.

Então não me leia. Não busque nas minhas palavras as coordenadas sobre a minha vida. Não tente compreender, não queira saber. A minha melhor parte não está à mostra. Períodos, frases e orações, nem mesmo os melhores versos de uma poesia, ou as mais belas canções irão pôr um fim a qualquer interrogação.

Se quiser realmente saber quem eu sou, fecha os olhos para a escrita.

Só me olha. E sinta.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vontade de sair correndo por aí. Assim, sem motivo nenhum, só por correr. Já se foi o tempo de buscar sentido onde não há. Nunca haverá. 
She looks like a real thing. 
Parece, o sentido é a gente quem dá. Ao amor, à dor, à vida. 

Enlouquecer também é se libertar: perder é se encontrar.

But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run
It wears me out
It wears me out 
It wears me out
It wears me out
If I could be who you wanted
If I could be who you wanted
All the time, all the time...

No surprises

"This is my final fit, my final bellyache with."

(Thom Yorke)



She found out her pieces
While he stared at the moon
'He was never aware', she said
But nobody listened
'It doesn't matter, anyway'.

He always looked at her amazed
By her beauty and unexpected wisdom
But he never really saw
That she never needed companionship
Not even love
What she needed, more than everything
Was freedom


She was tied by his lies
And she knew it was hard
The hurt and the pain that she chose
By the time she fell in love
She got down on her knees
It couldn't be right
Things just weren't the same
Like the full moon painting the dark sky
It's warm out there and cold inside

Everything she used to be proud of
Everything that made some sense
Fell into pieces and soiled the floor
Everything became trash
By the time he walked out that door

Tears drop from her face
You may ask : again?
Again, because there will be a time
When the salt touch her lips
And she close her eyes
She will realize
She will know who she is
She really is worthwhile

Sweetheart, by being trapped to him
You'll learn well how to set you free



sábado, 8 de outubro de 2011

Outubro

Estou tão cansada que mal consigo coordenar as palavras. Larguei as roupas pelo chão, abri o chuveiro e deixei a água correr pelo meu corpo. Fechei os olhos, tentei não pensar em nada. Só pensava. De tão exausta, me rendi: adormeci com os pingos caindo sobre mim. 
Que vergonha, meu Deus, que vergonha! De me sentir tão perdida e só, abraçando meus joelhos numa tentativa vã de refúgio, implorando silenciosamente por um sinal,  uma luz, um milagre, quem sabe. A que ponto cheguei. Eu, que não acredito em nada, procuro algum sentido, algo no qual eu possa me consolar em momentos assim, tão desesperados e vazios. O tempo passa e tudo fere com mais intensidade.

E só sobrou essa cinza sobre a mesa. E só restou o gosto amargo do cigarro. 


Não é que eu esteja triste. Apenas escolhi melhor com quem compartilhar minha felicidade.

Se algumas escolhas doem...? Deixa doer. Esse é o preço que se paga por ter a chance de, apesar de tudo, (sobre) viver.

Oh, mother, I can feel the soil falling over my head